domingo, 19 de Outubro de 2014

O jogo que não podíamos perder

Adrián Lopez não saiu do banco contra o Braga, para o campeonato. Na Ucrânia, jogou os últimos 12 minutos do jogo. Em Alvalade, não saiu do banco. No Porto-Boavista, o jogo do dilúvio, jogou os últimos 8 minutos. Contra o Bate Borisov, foi titular.
Hoje, um mês depois da goleada que nos deixou a todos felizes, Adrián Lopez voltou a ser titular, num jogo de elevada dificuldade, com caráter de "final", como disse Lopetegui na antevisão. Não se trata aqui de criticar o avançado espanhol - que, por acaso, tarda em justificar o valor que se diz que pagámos por ele - mas de trazer, mais uma vez, à discussão as opções do treinador quando tem de construir um onze titular. Aconteceu com Adrián o que tinha acontecido com Quaresma em Alvalade. Após um período de apagamento, o treinador põe-no a jogar num jogo de risco elevado.
Podem continuar a argumentar com a enorme qualidade do plantel, mas eu mantenho a ideia de que devem jogar sempre os melhores nos grandes jogos. E essa necessidade aumenta exponencialmente quando o adversário se chama Sporting e passa as semanas anteriores a tratar-nos abaixo de cão na comunicação social. Este era um jogo que tínhamos de ganhar! Porque não era só a passagem à próxima eliminatória que estava em causa. Era a nossa honra e o nosso orgulho. Saímos da Taça e acabámos o jogo a levar "olés".
Lopetegui tem de perceber que não pode rodar o plantel num jogo destes. Ele tem de perceber que Brahimi, Martins Indi, Alex Sandro, Tello têm de jogar estes jogos de início. E tem de perceber que o Casemiro já não dá garantias há muitos jogos e que Rúben Neves está com a corda toda para ocupar a posição 6. Mas não percebe, nem quer perceber. Para ele, somos uma espécie de Barcelona que começa a trocar a bola a partir do guarda-redes, nas calmas, e vai por ali fora até ao golo. Os nossos adversários já toparam a cena e agora pressionam-nos com 5 ou 6 homens logo no nosso meio-campo, provocando o nosso erro. E o erro acontece, cada vez com mais frequência, porque cada vez é mais previsível a forma como saímos a jogar.
Eu não sei se Lopetegui vai manter este espírito de rotatividade até ao fim, se o vai fazer por teimosia, ou por absoluta crença de que é o melhor para a equipa. Uma coisa é certa, isto não está a dar resultado, e o jogo de hoje marca o final de uma fase na relação dos adeptos com a equipa. A partir de agora, a tolerância será zero.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Recados aos Ricardos

Ricardo Carvalho, foste basicamente uma besta com aquela atitude que te valeu a irradiação beneditina. És um jogador fenomenal e, aos trinta e tal anos, provaste isso mesmo. Mais uma vez. Mas foste uma besta, repito. Armaste-te em primadona e Portugal precisava de ti no Mundial do Brasil. Bem-(re)vindo, apresar de tudo.
Ricardo Quaresma, só nós, os portistas, sabemos que és capaz de arrancar um cruzamento daqueles. Já não tens a explosão de outros tempos, mas tinhas sido útil no Brasil, onde, em determinados momentos, precisámos de um mago que inventasse uma jogada marada, como a que deu hoje o golo a Ronaldo. No Brasil, tínhamos um Vieirinha, que nem calçou. Devias ter lá estado tu.
Ricardo Pereira, não tenho dúvidas que vais ter um futuro brilhante. E só espero que seja no FC Porto. A recente renovação do contrato é um bom sinal.

segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

Sérgio Conceição

É preciso dizer ao Sérgio Conceição que, não, não ficou um penalti por marcar a favor do Braga, no último minuto. Os jogadores disputaram a bola, braço a braço, e o jogador do Braga, menos capaz fisicamente do que Martins Indi, deixou-se cair para ver se sacava ali qualquer coisa.
É preciso dizer ao Sérgio Conceição que houve um penalti sobre o Alex Sandro que o árbitro decidiu ignorar, ainda por cima amarelando o defesa brasileiro.
É preciso dizer ao Sérgio Conceição que o resultado, ao contrário do que ele acha, é justo. Porque o FC Porto foi superior na maior parte do jogo, teve mais oportunidades e marcou mais golos.
E é preciso dizer a Sérgio Conceição que, se quer ascender a um patamar superior, como treinador, não o deve fazer desta forma e à custa do clube que o projetou como futebolista. Não deve cuspir desta maneira no prato onde comeu e fazer declarações bombásticas que fazem as delícias de uma comunicação social que fica sempre "incomodada" quando somos prejudicados (como o fomos em Guimarães e Alvalade). Vou estar atento à postura do Sérgio Conceição quando visitar o estádio do Colombo.

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

A César o que é de César

Em dois meses e meio, Júlio César encaixou dez golos de equipas alemãs. Em julho, saiu do campo a chorar. Hoje, saiu a rir-se e bem disposto. E de braço dado a Samaris. Quem não achou piada nenhuma foram os jornalistas da Antena 1, que, furiosos, criticaram este comportamento. Aliás, quem ouvisse o relato do Nuno Matos acreditaria que os coisinhos já inauguraram a sua própria rádio. Caramba, patriotismo bacoco, vá que não vá, mas aquilo a que se presta o Nuno Matos já é abusar dos ouvintes da emissora nacional. Ele lá tem alguma coisa que ver com o estado anímico dos jogadores? E se o Júlio César estava a exprimir a alegria por terem sido só três?

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Um pouco de justiça na ponta final

Há alguns minutos ouvi Mourinho dizer: "Este é daqueles jogos que tanto pode dar 4 ou 5 a zero como... 1-1 no final". Falava ele do jogo de Alvalade, mas podia muito bem estar a referir-se ao nosso jogo na Ucrânia. Podíamos ter dado 3 ou 4 e acabámos empatados. Fomos muito superiores ao Shakhtar, e seria de uma tremenda injustiça sairmos de lá com uma derrota. E empate, por si só, já é injusto face à forma como dominámos o adversário, fomos criando várias oportunidades, entre as quais um penalti, que falhámos.
E tenho mesmo pena que o erro que originou o primeiro golo tenha vindo de um dos imprescindíveis desta equipa, Oliver. É uma delícia ver este jogador a correr o campo todo, a pôr a bola redondinha para os colegas. Este lance vai fazê-lo crescer e estou certo que nunca mais voltará a fazer uma coisa daquelas. Normalmente joga simples, mas, por vezes, gosta de mais um rodopio, mais uma voltinha, que normalmente lhe saem bem, mas que foi fatal hoje.
Este jogo vem aconselhar Lopetegui a começar a estabilizar a equipa. É certo que tem à sua disposição um plantel de qualidade, é verdade que qualquer um destes jogadores é potencial titular, mas o treinador tem de dar continuidade a uma base. Por outras palavras, Lopetegui não pode encostar Quaresma durante alguns jogos e depois dar-lhe a titularidade em Alvalade, da mesma forma que não pode fazer de Ruben Neves imprescindível em vários jogos, aproveitando-o ora a 6 ora a 8, e depois, quando a posição 6 está vaga, face à lesão de Casemiro, deixá-lo de fora. Nenhum jogador encontra estabilidade e constrói a confiança no seu jogo desta forma. E nem estou a pôr em causa a qualidade de um Marcano, que me parece uma agradável surpresa, nem a exigir a titularidade do Quaresma (não devia era ter jogado em Alvalade).
Em relação a Tello, um dos jogadores que mais opiniões divergentes tem originado entre os portistas, é um daqueles homens que tem de jogar sempre. É um desequilibrador, pela sua velocidade, e só precisa de acertar tempos de passe e de remate. E isso ganha-se jogando muito, jogando sempre. Estou certo que a tal base tem de passar por ele, por Oliver, Brahimi e Jackson. À volta deles, a equipa vai crescer, como já se está a ver em casos como Danilo, Quintero ou Herrera. Estou otimista.

domingo, 28 de Setembro de 2014

Comecem vocês a jogar, que nós chegamos na 2.ª parte

Alvalade: uma das piores primeiras partes de que me lembro, por parte do FC Porto. Não se entra assim num jogo de futebol. Fomos dominados em todos os capítulos do jogo.  Quaresma titular, depois de proscrito durante algum tempo. Ruben Neves e Casemiro sem saberem bem como parar a dinâmica de William, João Mário e Adrien. Herrera perdido. Brahimi a levar porrada sempre que cheira a bola. O Sporting a pressionar-nos logo à saída da nossa grande-área.
Na segunda parte, Lopetegui muda bem: Tello dá velocidade e Oliver geometria. Herrera aparece finalmente. Brahimi continua a levar nas pernas. Podíamos ter ganho o jogo, se... Rui Patrício não fizesse o que está lá para fazer, se o árbitro tivesse tido a coragem de punir o braço de Maurício ou se Tello não quisesse ser o herói do jogo. Mas também o poderíamos ter perdido, na primeira parte.
O Sporting é, nos tempos que correm, um clube pequeno. A frase de Bruno de Carvalho, "Eles pensavam que eram favas contadas", podia ter sido dita pelo presidente do Boavista. Ou do Maribor. É de um clube que assume a sua inferioridade e, deste modo, rejubila pelo empate conseguido. Aliás, era só ver, no final, a alegria estampada na face da maior parte dos adeptos do Sporting.
Os seus jogadores fazem do protesto constante um modo de estar em campo. Veja-se a imagem surreal de Capel correndo na direção do árbitro auxiliar para validar uma bola que, depois de bater na trave, caiu dois metros fora da baliza. Também simulam muito. Tentam sacar penaltis em doses industriais, com péssimo desempenho, diga-se de passagem. Mas numa coisa são requintados: agridem sem conseguirem ser expulsos. Veja-se o que fez Slimani a Martins Indi, que lhe valeu apenas um simpático cartão amarelo. Ou será que dar um empurrão nas costas ou nos ombros é o mesmo que apertar o pescoço e projetar assim o oponente?

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Porto - Boavista

Não ganhámos a uma equipa que, ao fim de cinco jornadas, não tem qualquer golo marcado por um jogador seu. Isto para dizer que não ganhámos a uma das piores equipas do campeonato. Maicon, a fazer um início de época em grande, resolveu ter o seu momento-Pepe e foi expulso. A entrada é no mínimo imprudente e o central brasileiro não tinha de o fazer daquela maneira. A superioridade do FC Porto era tão evidente que se adivinhava o golo a qualquer momento. O jogo só tinha um sentido. Para quê uma ação de risco daquele tipo, sobre a linha do meio-campo?
Mesmo a jogar com dez, acho que podíamos e devíamos ter ganho este jogo, mas tivemos hoje um Tello desastrado e um Brahimi que alternou o bom e o mau. A boa notícia da noite foi a revelação de Marcano como um bom central que poderá dar garantias de qualidade em Alvalade na próxima sexta.

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Resumos e comentários

Uma coisa é dizer-se objetivamente que o Bate Borisov é uma equipa muito inferior ao FC Porto e fazer uma análise equilibrada às carências dos bielorussos e às qualidades que o FCP apresentou no jogo. Outra coisa é passar um resumo alargado a gozar com o Bate, fazendo comentários jocosos sobre as falhas dos jogadores, elaborando piadinhas para provocar o riso do parceiro. O achincalhamento de uma equipa tem como inevitável consequência o desvalorizar dos méritos do vencedor e tratá-los como benesses do adversário. Foi isto que acabei de ver no nojento resumo ao jogo que a TVI24 apresentou.
Na RTP Informação, vejo um José Nunes que, com semblante algo carregado, qualifica de "boa exibição" a prestação do FCP. Ao mesmo José Nunes, tinha ouvido, ontem, na antevisão do SLB-Zenit, a expressão "excelente exibição" para se referir ao 5-0 dos coisinhos em Setúbal. Quem tem avenidas mais largas, o Bate ou o Vitória?

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

O silogismo, segundo Jesus

Jesus disse que o grupo "vai ser muito equilibrado até ao fim" porque o Zenit venceu na Luz e o Mónaco ganhou ao Bayer Leverkusen. Portanto, partimos de duas premissas, as vitórias de duas equipas, para deduzir a conclusão de que vai ser tudo muito equilibrado. Aristóteles deve estar orgulhoso deste seu pupilo, o teórico mascador de chicla chamado Jesus. Os jornalistas vão atrás a a frase da noite, repetida até à exaustão nas TVs e nas rádios, é: "Qualquer equipa pode ganhar em qualquer estádio". Brilhante. Nunca me passaria pela cabeça que tal fosse possível num jogo de futebol.
A notícia da noite não é a derrota "sem espinhas" dos coisinhos, que só não foi dilatada porque o Zenit descansou na segunda parte, dando até para oferecer oportunidades ao adversário e falhar muitas outras. A notícia da noite é a ovação dos adeptos benfiquistas no final do jogo e tudo o que daí pode a equipa retirar de positivo para o futuro. Ou seja, passa-se ao lado da análise do jogo, dos erros defensivos, da incapacidade tática de JJ perante Vilas-Boas, para realçar o reconhecimento, o amor, a paixão dos adeptos pelo esforço da equipa face às "contrariedades". A sério, estou-me a rir tanto com tudo isto.

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Vitória de Guimarães - FC Porto

Um dos aspetos que mais me impressionou positivamente no Mundial do Brasil foi o muito bom desempenho dos árbitros auxiliares, nomeadamente, na questão dos foras de jogo. Normalmente bem colocados, muito concentrados nas movimentações dos jogadores, os "bandeirinhas" do mundial deram um recital de como decidir bem os "offsides" (ou a ausência deles).
Gostava que em Portugal o nível fosse o mesmo, mas, infelizmente, os factos mostram que não. Olhando para o desempenho destes senhores no fim-de-semana, tanto no jogo dos coisinhos em Setúbal como no nosso em Guimarães, apetece-me perguntar ao presidente da Liga, Mário Figueiredo, quem é que controlou as nomeações dos juízes para estes dois jogos. Ele que me responda nos comentários a este post, faxabôre.
Estou a falar de um lance que prejudicou o Vitória de Setúbal - dava o 1-1 e a história do jogo podia ser completamente diferente - e de dois lances, ambos com Brahimi como protagonista, que tiraram autenticamente os três pontos à nossa equipa. E já nem falo nos penaltis. Não quero entrar muito pela teoria da conspiração... Este era um jogo entre os dois primeiros classificados do campeonato. Era um jogo para os melhores árbitros, caramba, não para um trio que nem sequer a internacional chegou. Estou curioso para ver as nomeações quando outros candidatos ao título forem a Guimarães...
Lopetegui esteve bem, na minha opinião, em ter começado a flash interview a falar precisamente do quanto esta arbitragem nos foi nociva. Mostra que está a aprender a reagir e a transmitir aos jogadores a ideia de que é preciso cerrar fileiras contra "fatalidades" deste tipo.
Já não esteve tão bem, creio eu, na forma como deu 45 minutos de avanço ao Vitória, evidenciando os mesmos problemas que já apontei em posts anteriores. E esta de fazer entrar Aboubakar aos 89 minutos...

domingo, 14 de Setembro de 2014

Olha para dentro, Bruninho, olha para dentro...

Em quatro jogos no campeonato, o Sporting só conseguiu ganhar um (e com um golo nos descontos...), empatando os restantes. Mau para quem, este ano, se assumiu como candidato ao título. Mau para quem estabilizou uma estrutura diretiva, depois do ano "zero" transato. Mau para quem contratou o mais promissor dos jovens treinadores portugueses. Mau para quem conseguiu manter Rui Patrício, William Carvalho e Slimani, e foi buscar... Nani.
Bruno de Carvalho, esse continua a disparar, semana após semana, em todas as direções. Diminuíram os comunicados, mas continuam os ataques para alimentar uma massa de adeptos em delírio com a "coragem" do homem em lutar contra as forças do mal. A imprensa vai atrás e até noticia o facto de ter sido "muito aplaudido" no final de uma intervenção no fórum soccerex. Com tanta atenção dedicada ao exterior, Bruno está a esquecer-se de olhar para o interior e tentar perceber o que não está a funcionar com a sua equipa. Os jogadores cada vez protestam (quer dizer, sempre o fizeram em Alvalade...) mais as decisões dos árbitros e estes começam a perder a paciência como se viu, ontem, com a expulsão de Jefferson. No final do jogo, Bruno de Carvalho atirou-se ao árbitro, incendiando o ambiente em Alvalade. Estou com saudades de um comunicadozinho. Será hoje?

domingo, 7 de Setembro de 2014

Fait-divers, equívocos e bocejos

Fins de semana sem campeonato são de um gajo morrer de tédio. Como se não bastasse a seleção brindar-nos com uma exibição paupérrima, passámos a semana a levar com a chegada de Cristante, o italiano que escolheu os coisinhos (contra o assédio de tudo e todos), que deixou toda uma Itália em lágrimas com a sua partida, e que vai ser a próxima maravilha ali para os lados do Colombo (depois desse fantástico dinamizador do meio-campo da nossa seleção chamado André Gomes). Ouviu-se, também, falar muito de Pinto da Costa num programa de TV para donas de casa. O entrevistado, um rapazola de voz grossa, tem o secreto desejo de ser, um dia, um pintelho do nosso Presidente, mas, enquanto não consegue (e alguma vez conseguirá?), vai disfarçando a adoração com insultos típicos de um puto da Juve Leo. No final da semana, o assunto que mobilizou todos os olhares foi um brasileiro no desemprego, de nome Jonas, a oferecer-se aos coisinhos e, pelos vistos, com os coisinhos interessados. E foi, mais ou menos isto, a semana de preparação do jogo da seleção, que hoje foi derrotada pela Albânia, em mais uma prova de que a renovação, por mais complicada que seja (pela falta gritante de talentos na atual geração), deveria ser liderada por outro selecionador.

sábado, 6 de Setembro de 2014

Brahimi e Aboubakar marcam nas seleções

Em período de jogos de seleções, a escrita por aqui não está fácil. Fiquemos com estes golos de Brahimi e Aboubakar, os segundos da Argélia e dos Camarões, respetivamente. Fresquinhos, fresquinhos. De hoje. E atenção ao do camaronês.


terça-feira, 26 de Agosto de 2014

O filme do costume

Décima-nona presença na fase de grupos da Liga dos Campeões. Esqueçamos o "caso" Quaresma. É este o filme que importa. É este o filme do costume. Ou talvez seja mais correto falar de uma saga de 19 episódios, recheada de super-heróis, aqui e ali com alguns vilões.
Este Lille, na verdade, nunca foi ameaça por aí além, mas muito por mérito da nossa consistência defensiva. Lembro que em quatro jogos oficiais vamos com zero golos sofridos. Apesar de já termos levado alguns sustos, temos de registar a grande forma de Maicon, a subida de rendimento dos laterais e a sobriedade de processos de Martins Indi (e que bem que esteve hoje a substituir o lesionado Alex Sandro). Esta solidez começa, no entanto, em Casemiro, um jogador que me está a encher as medidas e que mostra, nos jogos a doer (houve quem o crucificasse logo no jogo de estreia por um par de opções mal tomadas, mas, enfim, serão os mesmos que teimam em assobiar a equipa em determinados momentos do jogo) que é, neste momento, indiscutível naquele lugar (como será quando/se Clasie chegar?). Depois, a equipa pressiona muito alto, com toda a gente e funcionar em bloco quando toca a defender. O problema tem sido a forma como não conseguimos chegar à área adversária tantas vezes quantas era suposto.
Precisámos de um desbloqueador para este jogo e, na ausência de Tello, foi Brahimi a desempenhar a função. Caramba, será que é este ano que vamos ser letais nos livres diretos? O argelino esteve apagado na primeira parte, mas abriu o livro na segunda. Acho que não é extremo puro e que rende mais a servir o avançado pelo meio, mas Lopetegui insiste em jogar sem extremos puros e colocar Óliver e Brahimi nas alas. O nosso jogo de posse (à Vítor Pereira, como disse o André Pinto) funciona, mas não chegamos à baliza adversária. Aconteceu em Paços de Ferreira, aconteceu hoje até ao golo.
Apesar das quatro vitórias em tantos jogos oficiais, apesar da inviolabilidade da nossa baliza, apesar da qualidade do plantel, patente na forma como tão bem tratamos a bola, esta equipa tem de chegar mais vezes à área adversária, tem de encostar o adversário às cordas, tem de criar medo, terror, pânico no oponente. Espero que o faça a curto prazo.

sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Just a Lille bit

Não posso dizer que o jogo de Lille me tenha enchido as medidas, mas foi evidente a nossa superioridade e a (quase) certeza de que vamos, mais uma vez, entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões.
Tivemos pela frente uma equipa com dois ou três jogadores acima da média, uma equipa que percebeu e assumiu a sua inferioridade, tanto individual como coletiva, e, por via disso, nos deu a iniciativa, estacionou o autocarro e tentou apostar no nosso erro e investir no contra-ataque através do seu elemento mais esclarecido, o belga Origi.
Da nossa parte, jogámos sem extremos de origem, povoámos o meio-campo e tentámos ultrapassar a barreira adversária, tarefa que não desempenhámos da melhor maneira. E isto porque, a certa altura, aquele meio-campo foi uma autêntica batalha caótica de passes errados de parte a parte. O Lille com toda a gente atrás da linha da bola e nós com Casemiro, Herrera, Rúben, Oliver e Brahimi naquela confusão de marcações individuais, em que de organização coletiva pouco se viu.
Foi a entrada de um extremo puro que desbloqueou a coisa. Tello pegou na bola, parou, olhou, colocou-a na cabeça de Jackson e este fez o que lhe competia. Do outro lado, Eneyama também fez o que lhe competia, mas não contou com a presença de Herrera que apenas encostou para o 0-1.
O nosso jogo devia originar mais oportunidades e esse é um aspeto que para já preocupa. Com tanta posse de bola e tanta qualidade com a mesma nos pés, não temos conseguido criar muitas situações de golo. Lopetegui não abdica daquele quinteto, acima referido, nem que para isso tenha de sacrificar extremos de raiz como Quaresma ou Tello.

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Só faltam 33

A primeira jornada está (quase) concluída. Viva o futebol. Confessemos: já tínhamos saudades da bola a rolar, dos golos a entrar, das bolas na trave, dos penaltis por assinalar, da chicla do Jesus, da voz do Bruno de Carvalho. Começam bem o FC Porto e os coisinhos. Tropeça a lagartagem. O que, nesta altura, tem pouco significado prático, com umas longas 33 jornadas ainda por disputar e tantos pontos ainda por distribuir.
Em Coimbra, o Sporting deixou-se empatar, basicamente por culpa própria, desde logo, a começar pelo duplo amarelo de William Carvalho e, depois, pela inabilidade tática de Marco Silva após a expulsão do médio da sua equipa. E é importante não esquecer os casos Rojo e Slimani, cujas ausências pesaram. No final, e porque algumas coisas nunca mudam, ouvimos Adrien queixar-se da arbitragem, a tal que lhes perdoou um penalti do tamanho da Torre dos Clérigos. Mas, repito, há coisas que nunca mudam. Nem, por exemplo, as simulações de falta do Capel (é impressionante a quantidade de vezes que este jogador consegue ludibriar o árbitro com uma técnica exímia de "fazer que sofre falta") ou os constantes protestos dos jogadores leoninos, seja pela falta marcada contra, seja pelo vento que sopra do lado esquerdo quando devia soprar do lado contrário.
No galinheiro, Paulo Fonseca não nos deu uma alegria (mais uma vez...), vendo inclusivamente o Manuel José falhar um penalti. Pelo que diz o João Gobern, a equipa jogou melhor contra o Rio Ave, na Supertaça, do que hoje contra o Paços, mas ele está satisfeito, assim como todos os benfiquistas, porque o Luis Filipe Vieira deu uma entrevista fantástica à CoisinhosTV, porque afinal a equipa é muito boa e aquelas derrotas na pré-época foram uma sucessão de acidentes, porque o Enzo e o Gaitán vão ficar e, a sairem, só pela cláusula de rescisão. Portanto, tudo está bem no reino do milhafre.
No FC Porto é que as coisas não estão lá muito bem. Pelo menos é o que concluo depois de ouvir comentadores como Carlos Daniel, José Nunes ou António Tadeia, três pessoas que acham que hmmm... este Porto... bem, com tantas contratações... vai ser complicado construir uma equipa do zero... aquela exibição contra o Marítimo... houve ali momentos tremidos... não foi uma exibição constante... tanto craque para gerir... Lopetegui está "tramado"... e a verdadeira prova de fogo é contra o Lille... e o Varela e o Rolando e o Ghilas que não têm paradeiro certo... hummm... aquele balneário, quando as coisas correrem mal, ui...ui... é fugir. Bom, eu espero que continuem com este tipo de reservas, que mantenham essa azia bem nítida, principalmente quando a equipa começar a carburar em pleno e a cavalgar rumo à recuperação do título. Não tenhamos ilusões: qualquer pequena falha do nosso clube, qualquer questão negativa, por mais pequena que seja, vai ser, este ano, mais do que nunca, empolada e aproveitada ao máximo pela imprensa vermelhusca (lembremo-nos da questão dos assobios no jogo de apresentação) para nos deitar abaixo. Nós sabemos como é que as coisas são feitas. Espero que Lopetegui se aperceba rapidamente e esteja preparado para, também ele, responder à altura quando for preciso.
Em relação ao nosso jogo com o Marítimo, vi uma equipa com muitas soluções nos últimos dois terços do campo, com Ruben Neves, Oliver e Brahimi, e depois com Casemiro, Evandro e Tello, a marcarem o ritmo atacante da equipa. Vi, porém, alguma permeabilidade em termos defensivos, na forma como o Marítimo, em curtos momentos do jogo, é certo, conseguiu chegar à área. A contratação, diz-se que provável, de Clasie poderá ter que ver com esta questão. Uma coisa é certa: esta equipa está a anos luz da do ano passado. E todos nós, portistas, estamos em pulgas para ver como esta malta se vai portar em França na quarta-feira.

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Defour

Em 2007, Steven Defour ganhou o Belgian Golden Shoe, prémio que distingue o melhor jogador da primeira liga belga (no ano seguinte, o vencedor seria Axel Witsel). Mesmo descontando o facto de a liga belga não ser propriamente uma liga de grande valor no contexto europeu, não será qualquer jogador que obtém uma distinção destas. Ainda por cima com apenas 19 anos
Em 2009, partiu o pé e recebeu uma carta de Alex Ferguson, desejando-lhe uma rápida recuperação. Defour não era propriamente um desconhecido ali para os lados de Old Trafford. Em 2011, o FC Porto foi buscá-lo, antecipando a inevitável saída de João Moutinho e preparando, assim, uma transição para aquele que poderia vir a ser o seu sucessor. Cedo se viu, porém, que Defour, nem de perto nem de longe, seria um "novo Moutinho". Faltava-lhe muita coisa, a começar pela inteligência. E não pode queixar-se de falta de oportunidades, porque quando Moutinho saiu para o Mónaco, o belga teve ali a sua oportunidade. Mas desperdiçou-a. Nunca foi um jogador acima da média, nunca foi um jogador que assumisse qualquer tipo de liderança, nunca foi um elemento que fizesse a diferença no jogo jogado. Evolução, em três anos de FC Porto? Zero. A não ser no penteado e nas tatuagens.
Agora vai para o Anderlecht para "recuperar a alegria de jogar", coisa que "pouco aconteceu no FC Porto". E aqui é que está o problema de Defour. O mais importante para ele será sempre a sua alegria. Só depois virá a alegria da equipa, do plantel e do clube. Defour coloca sempre os seus interesses pessoais à frente dos interesses coletivos e não hesita em o tornar público. Lamento dizer, mas nunca foi um jogador "à Porto" e é com alguma satisfação que o vemos sair. Felicidades, quand même.

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Um plantel tóxico...


Extraído do Inimigo Público
http://inimigo.publico.pt/Noticia/Detail/1665481


Presidente do BES Mau vai treinar o novo Benfica Mau cujo plantel é lixo tóxico

Por António Marques

O Novo Banco será presidido por Vitor Bento e o BES Mau será presidido por Máximo dos Santos, que vai gerir o lixo tóxico do banco. Jesus quer sair do Benfica e Vieira vai contratar Máximo dos Santos : “ O BES Mau está cheio de lixo tóxico, como as empresas do GES, o novo Benfica está cheio de lixo tóxico , como o Derley, o Benito e o César ! Com o treinador Máximo, especialista em rentabilizar lixo tóxico , o Benfica vai ganhar o campeonato , a Taça de Portugal e a Champions ! Novo triplete à vista ! “, afirmou Vieira. A.M

domingo, 3 de Agosto de 2014

Expectativa

Ainda não perdemos na pré-época. Os coisinhos já perderam. Várias vezes. E só neste fim de semana com um magnífico goal average de 2-8. O Sporting também já perdeu. Não sei se o Record - quando lia esse monte de esterco, há muitos, muitos anos - ainda faz aquele "campeonato de pré-época", mas não me agrada nada aparecer nesta fase em primeiro lugar. Para campeões de pré-época nunca tivemos vocação.
Do empate em casa com o Saint Etienne ao empate em Inglaterra, hoje, com o Everton vai uma considerável distância exibicional. O que neste momento me preocupa - e, creio, grande parte dos portistas - é como é que Lopetegui vai formar um onze no meio de tanto talento e tanto jogador com vontade de se afirmar. E, já agora, com vontade de voltar em grande ao Barcelona, ao Real ou ao Atlético. Isto, sim, preocupa-me. Estamos a criar um monstro implacável e devorador? Ou um monstro suicida e autofágico?

Um sábado surpreendentemente soalheiro

Foi de uma beleza poética este enfardamento dos coisinhos às mãos das segundas linhas do Arsenal. Foi um raio de sol numa tarde soturna, uma sinestesia queirosiana neste dia chuvoso de verão. Foi uma réplica do Alemanha-Brasil, pintada a tons mais garridos, em que os jogadores do Arsenal, em ritmo de treino, vulgarizaram, atropelaram, humilharam a equipa adversária. E foi tão lindo ver estes golos narrados em direto na CoisinhosTV.
É lógico que Jorge Jesus, como sempre faz quando a coisa corre mal, se apressou a sacudir a água do capote. Nunca o ouvimos, nem ouviremos a assumir culpas. Hoje, chegou ao ponto de assegurar que os que ficaram em Lisboa é que serão a base da equipa titular, passando imediatamente um atestado de incompetência aos homens que hoje colocou em campo. Ele que ontem tinha dito que a equipa que hoje iria entrar em campo já seria a mais aproximada do onze que ele pretende para esta época. Uma pirueta no discurso em 24 horas, portanto.

sábado, 2 de Agosto de 2014

Estamos de volta e com benfiquices fresquinhas :)


Ontem
"Sou da opinião de que o FC Porto está em declínio, não é mais o que já foi, e o Benfica tem de aproveitar"
António Figueiredo em declarações à Antena 1


Hoje