Afinal havia outro (jogo de apresentação). Este é que foi. Mas, no fundo, novidades, que era o que a malta estava à espera, nada. Palmas para Bruno Alves, palmas para Raul Meireles, momentos de despedida para dois gigantes de um FC Porto que precisa de evoluir, e passar à próxima série de vitórias consecutivas.
De Walter nem sombra. De Kléber, a mesma coisa. A malta impacientou-se. Então viemos aqui para ver a surpresa da ordem e nada? Se forem surpresas da estirpe de Panduru, Kennedy, ou Maric, não obrigado. Passo. O melhor é contarmos com os que cá estão, neste momento, e dar-lhes todo o apoio.
Do jogo propriamente dito, registei a melhoria exibicional em relação ao do Ajax. Parece-me que temos ali um tridente no meio-campo capaz de fazer "coisas bonitas" (expressão original). A mobilidade dos três rapazes é a novidade que Villas-Boas aportou à equipa. Vemos Fernando subir até à área, com bola controlada, ou não, vemos João Moutinho recuar até à posição 6, ou então Ruben Micael fazer o mesmo, quando o ex-lagarto se lembra de correr por ali fora, para receber a bola de Hulk ou de Miguel Lopes. Aqueles três jogadores do meio-campo tratam muito bem a bola e sabem-na esconder muito bem do adversário, o que pode trazer bastante faltas a nosso favor (basta que os árbitros as marquem).
No ataque, as coisas apenas funcionaram pelo lado direito, por onde errava um tal de Hulk. O homem está com a corda toda e aquele golo começa a ser a assinatura do incrível. Do lado oposto, um Rodriguez uruguaio algo discreto e pouco inspirado. No meio, Falcao ainda procura a melhor forma. A de acertar com a baliza e a de ser servido da melhor maneira pelos colegas.
A Sampdoria nunca constituiu um perigo consistente e continuado para a nossa baliza. E aqui reside uma das virtudes deste FC Porto de início de época: a forma como pressionamos e não deixamos o adversário ter a bola por muito tempo. Sim, isto é muito animador, ainda para mais se nos lembrarmos dos últimos dois anos, em que deixávamos o adversário subir à vontade até à nossa grande-área. A questão aqui é que isto implica uma grande disponibilidade física. A ver vamos. Na defesa, gostei bastante de Maicon, que se prepara para ser o substituto natural de Bruno Alves (a não ser que venha aí uma truta indiscutível para o lugar de central...). Os laterais parecem-me ser os pontos fracos da equipa. Miguel Lopes é muito faltoso, sendo que Fucile é absolutamente essencial na equipa, e Emídio Rafael, apesar da boa vontade de todos os portistas, tem limitações defensivas que não podem acontecer no nosso clube. Dizer que o ex-Académica se está a tornar num sério concorrente de Álvaro Pereira é um óbvio exagero.
Na segunda parte, gostei do facto de, apesar das substituições em massa, nunca termos deixado de controlar o jogo e até de causar perigo na baliza adversária. Na minha opinião, destacaram-se Bellushi e Souza (este brasileiro pode ser uma caso sério), e o Rodriguez colombiano, um chabalo com muita qualidade, este sim, capaz de ser uma séria ameaça à titularidade (?) do Rodriguez uruguaio. Põe-te fino, Cebola! Todos registámos o regresso do jogador mais importante da época passada - depois de Falcao - mas Varela ainda tem as dobradiças pouco oleadas. Não se podia exigir muito. Na defesa, gosto bastante de Sereno, e da sua forma prática a simples de jogar, tudo com qualidade. Sapunaru surgiu, talvez algo surpreendentemente para mim, com bastante velocidade, pelo corredor direito. Será que teremos o romeno de há um ano e meio atrás, quando estava em grande forma? Ainda entraram Castro e Ukra, mas não deu para se mostrarem. Esqueci-me de alguém? Os redes não contam, porque a equipa defendeu tão bem que não tiveram praticamente trabalho nenhum.
