domingo, 21 de dezembro de 2014

Justiça divina

José Nunes, o benfiquista que comenta os jogos de futebol para a Antena 1, acaba de dizer que a vítória do seu clube contra o Gil Vicente foi "inteiramente justa", isto apesar do "golo em fora de jogo" que lhes deu essa mesma vitória. Em jeito de sentença final, o alegre comentador disse: "O golo em fora de jogo não põe em causa a justiça da vitória do Benfica. Mas põe em causa o trabalho do árbitro." A isto eu chamo justiça divina. O Benfica tem o direito divino de ganhar. Se é em fora de jogo ou com a mão, isso pouco interessa. O ónus da vergonha recai sobre o árbitro. Nunca sobre o clube beneficiado - quando se chama Benfica, atenção. 
Eu vi grande parte do jogo e achei que o clube do milhafre, mais uma vez, não jogou a ponta dum corno. Mas José Nunes consegue transformar uma exibição pobre, que teve direito a assobios no final, num jogo complicado, "depois de um grande esforço com o Braga" e com o seu clube "desfalcado". Tudo são desculpas.
O tratamento que o FC Porto tem dos seus jogos não é bem o mesmo. Ainda na sexta, a exibição do FC Porto - que ganhou 4-0 - era apelidada, aos microfones da TSF, pelo Costa Monteiro e o João Ricardo Pateiro, de "paupérrima" e "miserável" e, a todo o momento, referiam-se os assobios que vinham das bancadas. Lembrava-se a derrota com os coisinhos e achava-se que a equipa não superou o trauma. No final, uma vitória por 4-0. Mas uma exibição de fugir! Eu pergunto: e se fossem os coisinhos a dar 4-0? Que se diria? E se tivéssemos nós ganho com um golo em fora-de-jogo?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Maré vermelha

Jesus disse há bocado: "Fomos melhores que o Braga, criámos mais oportunidades, jogámos muito bem e não merecíamos chegar ao fim a perder."
Onde é que já ouvimos isto?

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Injusto, sim.

Concordo, em termos gerais com as declarações de Lopetegui. Fomos superiores. Não diria "muito, muito, muito" superiores, como disse o basco, mas superiores. E as estatísticas provam-no. E o jogo que todos vimos ainda mais. Devemos ver esta derrota, dentro do fenómeno futebolístico como... possível. Daí não poder estar mais de acordo com o treinador quando diz que o futebol é o único desporto em que podemos ser superiores e perder o jogo. Viu-se isso no domingo. Aliás, há um treinador português que, por certo, concordará com Lopetegui, porque, em 2011/2012, num jogo internacional, disse o seguinte:

"O que conta no futebol é o resultado e a maior parte da pessoas fazem os juízos de valor pelo resultado. Respondendo à sua pergunta, a minha equipa não merecia sair daqui a perder, porque foi melhor equipa durante a maior parte do tempo do jogo. Foi a equipa que criou mais oportunidades de golo. (...) São situações [as oportunidades perdidas], pormenores do jogo, que poderiam ter ditado outro resultado"

Não sabem que é o treinador que produziu estas afirmações? Vejam o vídeo.

Não me peçam para entrar em esquizofrenias "à António Oliveira". Aliás, o antigo treinador do FC Porto deve fazer as delícias dos adeptos benfiquistas com aquele estilo que roça, às vezes, o primário, sendo, muitas vezes, mais cáustico para com o próprio clube do que para com os adversários.
Hoje vi e ouvi a melhor análise sobre o jogo de domingo contra os coisinhos: a de Vítor Pereira, no programa Grande Área. Estou absolutamente de acordo com ele. Entrámos bem, criámos oportunidades para estar em vantagem na primeira meia hora, criámos oportunidades para voltar a discutir o jogo - já com 0-2. Falhámos. O Benfica apanhou-se a ganhar sem saber bem como e, a partir daí, como equipa mais experiente que é, soube não cometer erros. Não digo controlar o jogo porque, efetivamente, nunca o conseguiu de forma sólida e continuada. O segundo golo nasce de uma completa passividade de alguém que deixa Talisca receber, olhar, preparar e rematar, ele que o faz - rematar de fora da área - como nenhum dos nossos médios titulares são capazes de o fazer. Fabiano não segurou, porque o remate foi muito bem colocado e com muita força. A partir daí era uma questão de saber para onde iria ressalto. Podia ter ido para o Marcano, foi para o Lima.
Voltando ao início. Até ao primeiro golo, o adversário fez um remate completamente inofensivo, e para fora, por Gaitán e outro, por Talisca, que Fabiano encaixou com facilidade. Ambos os remates de fora da área. Ou seja, até ao golo, o Benfica não entrou na grande área do FC Porto. Até então, poderíamos e deveríamos ter acabado com o jogo. E só não o fizemos porque Herrera fez um remate paupérrimo em zona privilegiada de finalização e porque Jackson permitiu a defesa de Júlio César, numa zona em que o colombiano costuma ser letal. Para além disso, houve um cartão amarelo a André Almeida, houve uma arrancada de Tello que criou extremas dificuldades a Júlio César e houve uma mão não assinalada de Maxi Pereira, que daria um livre em jeito de canto mais curto (e se a mão na área que nos anulou um golo foi assinalada, esta também devia tê-lo sido). Resumindo, até aos 36 minutos, era uma questão de saber se íamos marcar ainda na primeira parte ou apenas na segunda. E já seria injusto irmos empatados para o intervalo.
Depois, surge o golo. Não me lixem, mas aquele golo nem nos juniores se sofre. Danilo assumiu a culpa de não ter reagido (mérito a Lima, nesse ponto), e Fabiano ficou na linha de baliza. E depois, há que dar mérito aos coisinhos, porque eles metem oito jogadores na zona de perigo: cinco na grande área, e três à entrada da mesma. Nós tínhamos nove (não contando com o Fabiano), por isso não era tão difícil assim alguma coisa correr mal (como correu). Vejam o vídeo. Após o lançamento, toda a gente falhou o cabeceamento, incluindo Jardel e os três portistas que se preocuparam com ele, e Lima teve reflexos mais eficazes e rápidos. Se o 0-0 seria injusto ao intervalo, um 0-1 foi-o ainda mais.
O resto foi uma equipa de miúdos a querer fazer tudo com o coração e uma equipa de graúdos com a ratice necessária para não abanar lá atrás. E mesmo assim, poderiam ter abanado se aquelas bolas na barra têm entrado.
Do ponto de vista individual, desiludido pela baixa produção dos extremos, excetuando os primeiros 15 minutos de Tello, e cada vez mais convencido de que Herrera não é homem para estas exigências. Pelo menos de modo continuado. Gostava muito que o mexicano entrasse no lote restrito daqueles médios carismáticos  e talentosos de que nos vamos recordar para sempre, mas desconfio que é no grupo dos Defours, Souzas, Tomás Costas ou Chippos que vai acabar por cair.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Lopetegui, rua!

Esta manita com que despachámos o Rio Ave era para acontecer daqui a 15 dias. E agora? Mais uma prova de má gestão desportiva de Lopetegui.

domingo, 30 de novembro de 2014

Tudo a saltar! Tudo a saltar!

Moutinho agarra o braço de Bernardo Silva e entoa o "Tudo a saltar! Tudo a saltar!", numa clara tanga à eliminação dos coisinhos da Europa. O mundo benfiquista está em choque. Eu considero que, a partir deste momento, João Moutinho ascendeu à categoria de deus azul e branco.

 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Sem colinho é outra coisa

Jesus tinha razão. Este grupo podia dar para qualquer lado. Podia e pode dar para o Bayer, podia e pode dar o Zenit e podia e pode dar para o Mónaco. Só não pode dar para os coisinhos, que foram de vela depois da derrota de hoje. Para compor o ramalhete, o Mónaco ganhou ao Bayer e fez o resto. Bem dizia o mestre das chicla, no final do jogo com o Zenit, que "o que se vai passar no jogo do Bayer e do Mónaco é um problema do Bayer e do Mónaco, e o Benfica não tem nada a ver com isso". Com isso e com a Europa. Nada a ver.
Acabo por ficar um pouco chateado com esta saída da Europa dos coisinhos porque, assim, vão poder poupar jogadores para o jogo do Dragão quando receberem o Bayer. Nós também, já agora, mas por outras razões.
Falando agora do maior clube do mundo, ontem, fizemos o que nos competia contra o Bate Borisov, ou seja, ganhar. Fosse por um fosse por seis, o importante era trazer os três pontos. Missão cumprida, num jogo em que Herrera foi mágico. Mas apenas o foi porque Lopetegui lhe deu instruções, ao intervalo, para aparecer na área, ao lado de Jackson, coisa que não tinha acontecido numa primeira parte soporífera. Acabei de elogiar Lopetegui, caso não tenham percebido.
PS - Uma pessoa tenta abstrair-se dos coisinhos e há sempre qualquer coisa que não deixa. Alguém viu o que Roberto fez hoje na derrota do Olympiacos com o Atlético de Madrid?

domingo, 23 de novembro de 2014

Anjo Pérez

Como é que foi possível o árbitro não assinalar grande penalidade naquela bordoada do Anjo Pérez no jogador do Moreirense? É que não é por nada: se o clube de Moreira de Cónegos faz o segundo, não sei, não. Assim, passa-se de um mais que provável 3-2 para um 4-1 demolidor, segundo a opinião da imprensa. Pois é, esta época está a ser muito engraçada.

Encontrámos o Freddy Adu

Tem 25 anos e está a jogar no Jagodina, da Liga Sérvia. Era só. Boa noite.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

No sítio certo

Adrien falha completamente o remate. A bola tabela com alguma violência num Eder que, apesar de não perceber muito bem o que lhe aconteceu, está no sítio certo. O ressalto envia a bola na direção da linha de fundo, mas Quaresma, um extremo puro, está no sítio certo e faz o sprint de uma vida para chegar primeiro que o defesa. O cruzamento sai perfeito para a cabeça de Rafael Guerreiro, que estava, também ele, no sítio certo (para um ponta de lança, não para um defesa esquerdo). Portugal marca golo. Portugal ganha à Argentina.
Alguns minutos antes do golo, António Tadeia tinha comentado o jogo pouco feliz de Ricardo Quaresma. É engraçado como se poupam críticas às vacas sagradas ou a meninos de ouro em ascenção por terras valencianas, mas não se hesita, sempre que há oportunidade, em fazer observações negativas a Quaresma. Caramba, ele já estava há dois jogos consecutivos a ser importante na seleção. Não podia continuar a ser. Mas o cigano mais uma vez fintou o destino e mostrou-se decisivo.

sábado, 15 de novembro de 2014

Mas este homem não pára?



A Argélia ganha à Etiópia e Yacine Brahimi acaba de marcar o terceiro. E que golo!

Vincent Aboubakar



O nosso Aboubakar marcou o golo que apurou os Camarões para a CAN. Ou muito me engano, ou temos aqui o sucessor de Jackson Martínez. Que a equipa saiba jogar para ele.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dizima-mos, pá


(Imagem retirada do fórum do Portal dos Dragões)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sporting em 8.º (mas nem tudo é mau)

O Sporting caiu hoje para o oitavo lugar da liga. O Rio Ave deu três secos à Académica e, por via disso, empatou em pontos com o clube dos calimeros. No entanto, a equipa das listras verdes e brancas verticais tem mais um golo marcado do que a equipa das listras verdes e brancas horizontais, o que automaticamente atira esta para oitavo lugar.
Mas, caros sportinguistas, nem tudo são más notícias: o Moreirense, nono classificado, tem menos quatro pontos do que o vosso clube, por isso - alegrem-se! - é matematicamente impossível ao Sporting descer qualquer posição na próxima jornada.

Mais uma queda

A última coisa com que os portistas se deviam preocupar, neste momento, é com a suposta "traição do Tó-Zé". Sinceramente, custa-me ver algumas opiniões sobre esta questão, como se passasse por aí parte da justificação para o nosso empate. Isto é conversa de tasca que só serve para criar ruído à volta da equipa e alimentar o lixo jornalístico que abunda por aí - de que o Record é o seu máximo expoente. A mim, isto causa-me tanta confusão quanto o dragão tatuado no braço do Tello. Ou seja, nenhuma.
O que me parece importante, nesta altura, é tentar perceber quando é que Lopetegui vai assumir que Adrián Lopez falhou (e está a falhar) no FC Porto. Quando é que o treinador vai perceber que, não obstante o valor pago pelo jogador, ele funciona como um corpo estranho na equipa, é uma peça com defeito na engrenagem que tão boa conta deu de si nos últimos jogos. Quando é que vai perceber que toda e qualquer adaptação do modelo de jogo em função de Adrián está votada ao fracasso.
Há quem diga que este era - ou é - um campeonato fácil de ganhar: os coisinhos na ressaca das vitórias do ano passado, com um nível exibicional bem abaixo do esperado; os lagartos a constituírem-se como um flop a toda a prova, apesar da cagança do seu presidente. E nós? Com um plantel sobre o qual já nem vale a pena falar, mas com um treinador que, apesar dos méritos que lhe reconheço, insiste em dar tiros nos pés em alturas decisivas. Um custou-nos a saída de uma competição. Este custa-nos o afastamento em relação ao primeiro e queda para terceiro, numa altura em que a retoma era evidente. E logo num campeonato em que o líder não joga um caracol e vê a estrelinha arbitral estender-lhe pequenos tapetes vermelhos que lhe vão abrindo caminho até ao objetivo pretendido. Até quando vamos ficar a olhar de baixo?

domingo, 2 de novembro de 2014

Duas pinceladas

1. O golo de Talisca é um grande golo. O golo de Brahimi é um golo monumental. Toda e qualquer tentativa de os equiparar precisa de uma consulta urgente no oftalmologista.

2. Nove jornadas decorridas. Paulo Fonseca à frente de Marco Silva. Engraçado, não é? Estou para ver o que Bruno de Carvalho vai inventar esta semana para desviar as atenções do facto de este Sporting ter ganho menos jogos do que aqueles que não ganhou.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Brincar ao futebol

O Comité e Controlo Ética e Disciplina da UEFA ainda deve estar a tentar perceber o que levou um clube português que ninguém conhece na Europa a requerer – em tom quase de exigência – a repetição de um jogo por causa de erros de arbitragem. É que não há registo, na história mais recente do futebol mundial, de uma decisão nesse sentido. Não há, simplesmente. Nenhum órgão, alguma vez, repetiu um jogo porque um árbitro se enganou num penalti ou num fora-de-jogo. A malta da UEFA deve estar indecisa entre olhar para isto como um case-study de esquizofrenia desportiva ou um mero episódio humorístico. “Who is Bruno de Carvalho? The new Benny Hill? He’s so funny!”. Os alemães do Schalke 04 acharam isto tão engraçado que até o publicaram no seu site oficial.
A ideia deste Sporting é que “ninguém brinca connosco, mas nós podemos brincar com o futebol”. Só assim se explica a alternativa que dão à UEFA de, caso o jogo não seja repetido, pagarem o prémio monetário relativo a um empate. Para além de néscios, estes lagartos são uns galhofeiros. Nós também queríamos a repetição dos jogos em Guimarães e em Alvalade. E a Inglaterra, por certo, não enjeitaria a possibilidade de repetir o jogo do Mundial 86 com a Argentina. Como se não bastasse, o Sporting vai pedir ao Comité uma justificação do porquê da decisão. Portanto, eles acreditam mesmo nas suas exigências. Talvez a esquizofrenia seja mesmo a hipótese a considerar.
PS – O Sporting de Gijon está a pensar publicar uma declaração a dizer que nada tem que ver com esta situação.

domingo, 26 de outubro de 2014

É isto, senhor Lopetegui

Não posso falar com propriedade sobre o jogo de ontem porque não o vi com olhos de ver, mas, pelo que me fui apercebendo, fiquei impressionado com a alta rotação dos nossos jogadores e com a atitude que colocaram em campo. O lugar-comum de que a motivação com que se entra em campo para um jogo do nosso campeonatozinho não é a mesma da que se tem para um jogo de Champions League caiu ontem por terra. Os nossos jogadores pareciam ligados à corrente e destroçaram por completo uma equipa que já provou não ser fácil de bater. Isto aconteceu num jogo em que Lopetegui quase repetiu o onze anterior. Terá sido coincidência ou será este o caminho? Eu, para ser coerente com o que tenho defendido, opto pela segunda hipótese.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Jornada da Champions

À terceira jornada da Liga dos Campeões, a classificação é a seguinte:
1.º - FC Porto - 7 pontos
2.º - Sporting - 1 ponto
3.º - Benfica - 1 ponto

FC Porto - Athletic Bilbao
Foi um jogo parecido com o do Sporting para a taça, com a diferença de termos ganho este. De resto, voltámos a alternar momentos de pujança futebolística com outros de desnorte coletivo. Voltámos a desperdiçar oportunidades e tivemos a oferta-do-costume-que-dá-em-golo-adversário. Quintero é o homem que acerta linhas de passe para o golo e Casemiro é o homem que acerta nos adversários (quando não lhes dá a bola redondinha). A posição 6 precisa urgentemente de Rúben Neves. Lembram-se que a nossa melhor fase foi quando este miúdo foi titular? Quaresma entrou, foi feliz e fez-nos felizes. Custou-me ver a forma menos exuberante como Lopetegui festejou o golo do cigano. Achei até ridícula aquela expressão e o gesto de apontar para Quaresma como quem diz "Olha, afinal, tu até marcas golos! Ainda vais dar jogador, pá!"
Schalke 04 - Sporting
A partir de ontem, Bruno de Carvalho tem mais alvos com que se preocupar na sua missão pela justiça no futebol: a UEFA, o Platini, a Gazprom e os russos. Vais ter muito que trabalhar e muito toner para gastar em comunicados, ó Bruninho.
Monaco - Benfica
A aproximação entre o nosso Presidente e o presidente dos coisinhos, que até já aviam umas sandes de pernil à mesma mesa, impede-me de ser mais cáustico. Apenas posso dizer que foi uma pena aquele cabeceamento ao lado de um gajo italiano chamado Raggi, pertinho do final. E fico-me por aqui.

domingo, 19 de outubro de 2014

O jogo que não podíamos perder

Adrián Lopez não saiu do banco contra o Braga, para o campeonato. Na Ucrânia, jogou os últimos 12 minutos do jogo. Em Alvalade, não saiu do banco. No Porto-Boavista, o jogo do dilúvio, jogou os últimos 8 minutos. Contra o Bate Borisov, foi titular.
Hoje, um mês depois da goleada que nos deixou a todos felizes, Adrián Lopez voltou a ser titular, num jogo de elevada dificuldade, com caráter de "final", como disse Lopetegui na antevisão. Não se trata aqui de criticar o avançado espanhol - que, por acaso, tarda em justificar o valor que se diz que pagámos por ele - mas de trazer, mais uma vez, à discussão as opções do treinador quando tem de construir um onze titular. Aconteceu com Adrián o que tinha acontecido com Quaresma em Alvalade. Após um período de apagamento, o treinador põe-no a jogar num jogo de risco elevado.
Podem continuar a argumentar com a enorme qualidade do plantel, mas eu mantenho a ideia de que devem jogar sempre os melhores nos grandes jogos. E essa necessidade aumenta exponencialmente quando o adversário se chama Sporting e passa as semanas anteriores a tratar-nos abaixo de cão na comunicação social. Este era um jogo que tínhamos de ganhar! Porque não era só a passagem à próxima eliminatória que estava em causa. Era a nossa honra e o nosso orgulho. Saímos da Taça e acabámos o jogo a levar "olés".
Lopetegui tem de perceber que não pode rodar o plantel num jogo destes. Ele tem de perceber que Brahimi, Martins Indi, Alex Sandro, Tello têm de jogar estes jogos de início. E tem de perceber que o Casemiro já não dá garantias há muitos jogos e que Rúben Neves está com a corda toda para ocupar a posição 6. Mas não percebe, nem quer perceber. Para ele, somos uma espécie de Barcelona que começa a trocar a bola a partir do guarda-redes, nas calmas, e vai por ali fora até ao golo. Os nossos adversários já toparam a cena e agora pressionam-nos com 5 ou 6 homens logo no nosso meio-campo, provocando o nosso erro. E o erro acontece, cada vez com mais frequência, porque cada vez é mais previsível a forma como saímos a jogar.
Eu não sei se Lopetegui vai manter este espírito de rotatividade até ao fim, se o vai fazer por teimosia, ou por absoluta crença de que é o melhor para a equipa. Uma coisa é certa, isto não está a dar resultado, e o jogo de hoje marca o final de uma fase na relação dos adeptos com a equipa. A partir de agora, a tolerância será zero.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Recados aos Ricardos

Ricardo Carvalho, foste basicamente uma besta com aquela atitude que te valeu a irradiação beneditina. És um jogador fenomenal e, aos trinta e tal anos, provaste isso mesmo. Mais uma vez. Mas foste uma besta, repito. Armaste-te em primadona e Portugal precisava de ti no Mundial do Brasil. Bem-(re)vindo, apresar de tudo.
Ricardo Quaresma, só nós, os portistas, sabemos que és capaz de arrancar um cruzamento daqueles. Já não tens a explosão de outros tempos, mas tinhas sido útil no Brasil, onde, em determinados momentos, precisámos de um mago que inventasse uma jogada marada, como a que deu hoje o golo a Ronaldo. No Brasil, tínhamos um Vieirinha, que nem calçou. Devias ter lá estado tu.
Ricardo Pereira, não tenho dúvidas que vais ter um futuro brilhante. E só espero que seja no FC Porto. A recente renovação do contrato é um bom sinal.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sérgio Conceição

É preciso dizer ao Sérgio Conceição que, não, não ficou um penalti por marcar a favor do Braga, no último minuto. Os jogadores disputaram a bola, braço a braço, e o jogador do Braga, menos capaz fisicamente do que Martins Indi, deixou-se cair para ver se sacava ali qualquer coisa.
É preciso dizer ao Sérgio Conceição que houve um penalti sobre o Alex Sandro que o árbitro decidiu ignorar, ainda por cima amarelando o defesa brasileiro.
É preciso dizer ao Sérgio Conceição que o resultado, ao contrário do que ele acha, é justo. Porque o FC Porto foi superior na maior parte do jogo, teve mais oportunidades e marcou mais golos.
E é preciso dizer a Sérgio Conceição que, se quer ascender a um patamar superior, como treinador, não o deve fazer desta forma e à custa do clube que o projetou como futebolista. Não deve cuspir desta maneira no prato onde comeu e fazer declarações bombásticas que fazem as delícias de uma comunicação social que fica sempre "incomodada" quando somos prejudicados (como o fomos em Guimarães e Alvalade). Vou estar atento à postura do Sérgio Conceição quando visitar o estádio do Colombo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A César o que é de César

Em dois meses e meio, Júlio César encaixou dez golos de equipas alemãs. Em julho, saiu do campo a chorar. Hoje, saiu a rir-se e bem disposto. E de braço dado a Samaris. Quem não achou piada nenhuma foram os jornalistas da Antena 1, que, furiosos, criticaram este comportamento. Aliás, quem ouvisse o relato do Nuno Matos acreditaria que os coisinhos já inauguraram a sua própria rádio. Caramba, patriotismo bacoco, vá que não vá, mas aquilo a que se presta o Nuno Matos já é abusar dos ouvintes da emissora nacional. Ele lá tem alguma coisa que ver com o estado anímico dos jogadores? E se o Júlio César estava a exprimir a alegria por terem sido só três?

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Um pouco de justiça na ponta final

Há alguns minutos ouvi Mourinho dizer: "Este é daqueles jogos que tanto pode dar 4 ou 5 a zero como... 1-1 no final". Falava ele do jogo de Alvalade, mas podia muito bem estar a referir-se ao nosso jogo na Ucrânia. Podíamos ter dado 3 ou 4 e acabámos empatados. Fomos muito superiores ao Shakhtar, e seria de uma tremenda injustiça sairmos de lá com uma derrota. E empate, por si só, já é injusto face à forma como dominámos o adversário, fomos criando várias oportunidades, entre as quais um penalti, que falhámos.
E tenho mesmo pena que o erro que originou o primeiro golo tenha vindo de um dos imprescindíveis desta equipa, Oliver. É uma delícia ver este jogador a correr o campo todo, a pôr a bola redondinha para os colegas. Este lance vai fazê-lo crescer e estou certo que nunca mais voltará a fazer uma coisa daquelas. Normalmente joga simples, mas, por vezes, gosta de mais um rodopio, mais uma voltinha, que normalmente lhe saem bem, mas que foi fatal hoje.
Este jogo vem aconselhar Lopetegui a começar a estabilizar a equipa. É certo que tem à sua disposição um plantel de qualidade, é verdade que qualquer um destes jogadores é potencial titular, mas o treinador tem de dar continuidade a uma base. Por outras palavras, Lopetegui não pode encostar Quaresma durante alguns jogos e depois dar-lhe a titularidade em Alvalade, da mesma forma que não pode fazer de Ruben Neves imprescindível em vários jogos, aproveitando-o ora a 6 ora a 8, e depois, quando a posição 6 está vaga, face à lesão de Casemiro, deixá-lo de fora. Nenhum jogador encontra estabilidade e constrói a confiança no seu jogo desta forma. E nem estou a pôr em causa a qualidade de um Marcano, que me parece uma agradável surpresa, nem a exigir a titularidade do Quaresma (não devia era ter jogado em Alvalade).
Em relação a Tello, um dos jogadores que mais opiniões divergentes tem originado entre os portistas, é um daqueles homens que tem de jogar sempre. É um desequilibrador, pela sua velocidade, e só precisa de acertar tempos de passe e de remate. E isso ganha-se jogando muito, jogando sempre. Estou certo que a tal base tem de passar por ele, por Oliver, Brahimi e Jackson. À volta deles, a equipa vai crescer, como já se está a ver em casos como Danilo, Quintero ou Herrera. Estou otimista.

domingo, 28 de setembro de 2014

Comecem vocês a jogar, que nós chegamos na 2.ª parte

Alvalade: uma das piores primeiras partes de que me lembro, por parte do FC Porto. Não se entra assim num jogo de futebol. Fomos dominados em todos os capítulos do jogo.  Quaresma titular, depois de proscrito durante algum tempo. Ruben Neves e Casemiro sem saberem bem como parar a dinâmica de William, João Mário e Adrien. Herrera perdido. Brahimi a levar porrada sempre que cheira a bola. O Sporting a pressionar-nos logo à saída da nossa grande-área.
Na segunda parte, Lopetegui muda bem: Tello dá velocidade e Oliver geometria. Herrera aparece finalmente. Brahimi continua a levar nas pernas. Podíamos ter ganho o jogo, se... Rui Patrício não fizesse o que está lá para fazer, se o árbitro tivesse tido a coragem de punir o braço de Maurício ou se Tello não quisesse ser o herói do jogo. Mas também o poderíamos ter perdido, na primeira parte.
O Sporting é, nos tempos que correm, um clube pequeno. A frase de Bruno de Carvalho, "Eles pensavam que eram favas contadas", podia ter sido dita pelo presidente do Boavista. Ou do Maribor. É de um clube que assume a sua inferioridade e, deste modo, rejubila pelo empate conseguido. Aliás, era só ver, no final, a alegria estampada na face da maior parte dos adeptos do Sporting.
Os seus jogadores fazem do protesto constante um modo de estar em campo. Veja-se a imagem surreal de Capel correndo na direção do árbitro auxiliar para validar uma bola que, depois de bater na trave, caiu dois metros fora da baliza. Também simulam muito. Tentam sacar penaltis em doses industriais, com péssimo desempenho, diga-se de passagem. Mas numa coisa são requintados: agridem sem conseguirem ser expulsos. Veja-se o que fez Slimani a Martins Indi, que lhe valeu apenas um simpático cartão amarelo. Ou será que dar um empurrão nas costas ou nos ombros é o mesmo que apertar o pescoço e projetar assim o oponente?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Porto - Boavista

Não ganhámos a uma equipa que, ao fim de cinco jornadas, não tem qualquer golo marcado por um jogador seu. Isto para dizer que não ganhámos a uma das piores equipas do campeonato. Maicon, a fazer um início de época em grande, resolveu ter o seu momento-Pepe e foi expulso. A entrada é no mínimo imprudente e o central brasileiro não tinha de o fazer daquela maneira. A superioridade do FC Porto era tão evidente que se adivinhava o golo a qualquer momento. O jogo só tinha um sentido. Para quê uma ação de risco daquele tipo, sobre a linha do meio-campo?
Mesmo a jogar com dez, acho que podíamos e devíamos ter ganho este jogo, mas tivemos hoje um Tello desastrado e um Brahimi que alternou o bom e o mau. A boa notícia da noite foi a revelação de Marcano como um bom central que poderá dar garantias de qualidade em Alvalade na próxima sexta.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Resumos e comentários

Uma coisa é dizer-se objetivamente que o Bate Borisov é uma equipa muito inferior ao FC Porto e fazer uma análise equilibrada às carências dos bielorussos e às qualidades que o FCP apresentou no jogo. Outra coisa é passar um resumo alargado a gozar com o Bate, fazendo comentários jocosos sobre as falhas dos jogadores, elaborando piadinhas para provocar o riso do parceiro. O achincalhamento de uma equipa tem como inevitável consequência o desvalorizar dos méritos do vencedor e tratá-los como benesses do adversário. Foi isto que acabei de ver no nojento resumo ao jogo que a TVI24 apresentou.
Na RTP Informação, vejo um José Nunes que, com semblante algo carregado, qualifica de "boa exibição" a prestação do FCP. Ao mesmo José Nunes, tinha ouvido, ontem, na antevisão do SLB-Zenit, a expressão "excelente exibição" para se referir ao 5-0 dos coisinhos em Setúbal. Quem tem avenidas mais largas, o Bate ou o Vitória?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O silogismo, segundo Jesus

Jesus disse que o grupo "vai ser muito equilibrado até ao fim" porque o Zenit venceu na Luz e o Mónaco ganhou ao Bayer Leverkusen. Portanto, partimos de duas premissas, as vitórias de duas equipas, para deduzir a conclusão de que vai ser tudo muito equilibrado. Aristóteles deve estar orgulhoso deste seu pupilo, o teórico mascador de chicla chamado Jesus. Os jornalistas vão atrás a a frase da noite, repetida até à exaustão nas TVs e nas rádios, é: "Qualquer equipa pode ganhar em qualquer estádio". Brilhante. Nunca me passaria pela cabeça que tal fosse possível num jogo de futebol.
A notícia da noite não é a derrota "sem espinhas" dos coisinhos, que só não foi dilatada porque o Zenit descansou na segunda parte, dando até para oferecer oportunidades ao adversário e falhar muitas outras. A notícia da noite é a ovação dos adeptos benfiquistas no final do jogo e tudo o que daí pode a equipa retirar de positivo para o futuro. Ou seja, passa-se ao lado da análise do jogo, dos erros defensivos, da incapacidade tática de JJ perante Vilas-Boas, para realçar o reconhecimento, o amor, a paixão dos adeptos pelo esforço da equipa face às "contrariedades". A sério, estou-me a rir tanto com tudo isto.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Vitória de Guimarães - FC Porto

Um dos aspetos que mais me impressionou positivamente no Mundial do Brasil foi o muito bom desempenho dos árbitros auxiliares, nomeadamente, na questão dos foras de jogo. Normalmente bem colocados, muito concentrados nas movimentações dos jogadores, os "bandeirinhas" do mundial deram um recital de como decidir bem os "offsides" (ou a ausência deles).
Gostava que em Portugal o nível fosse o mesmo, mas, infelizmente, os factos mostram que não. Olhando para o desempenho destes senhores no fim-de-semana, tanto no jogo dos coisinhos em Setúbal como no nosso em Guimarães, apetece-me perguntar ao presidente da Liga, Mário Figueiredo, quem é que controlou as nomeações dos juízes para estes dois jogos. Ele que me responda nos comentários a este post, faxabôre.
Estou a falar de um lance que prejudicou o Vitória de Setúbal - dava o 1-1 e a história do jogo podia ser completamente diferente - e de dois lances, ambos com Brahimi como protagonista, que tiraram autenticamente os três pontos à nossa equipa. E já nem falo nos penaltis. Não quero entrar muito pela teoria da conspiração... Este era um jogo entre os dois primeiros classificados do campeonato. Era um jogo para os melhores árbitros, caramba, não para um trio que nem sequer a internacional chegou. Estou curioso para ver as nomeações quando outros candidatos ao título forem a Guimarães...
Lopetegui esteve bem, na minha opinião, em ter começado a flash interview a falar precisamente do quanto esta arbitragem nos foi nociva. Mostra que está a aprender a reagir e a transmitir aos jogadores a ideia de que é preciso cerrar fileiras contra "fatalidades" deste tipo.
Já não esteve tão bem, creio eu, na forma como deu 45 minutos de avanço ao Vitória, evidenciando os mesmos problemas que já apontei em posts anteriores. E esta de fazer entrar Aboubakar aos 89 minutos...

domingo, 14 de setembro de 2014

Olha para dentro, Bruninho, olha para dentro...

Em quatro jogos no campeonato, o Sporting só conseguiu ganhar um (e com um golo nos descontos...), empatando os restantes. Mau para quem, este ano, se assumiu como candidato ao título. Mau para quem estabilizou uma estrutura diretiva, depois do ano "zero" transato. Mau para quem contratou o mais promissor dos jovens treinadores portugueses. Mau para quem conseguiu manter Rui Patrício, William Carvalho e Slimani, e foi buscar... Nani.
Bruno de Carvalho, esse continua a disparar, semana após semana, em todas as direções. Diminuíram os comunicados, mas continuam os ataques para alimentar uma massa de adeptos em delírio com a "coragem" do homem em lutar contra as forças do mal. A imprensa vai atrás e até noticia o facto de ter sido "muito aplaudido" no final de uma intervenção no fórum soccerex. Com tanta atenção dedicada ao exterior, Bruno está a esquecer-se de olhar para o interior e tentar perceber o que não está a funcionar com a sua equipa. Os jogadores cada vez protestam (quer dizer, sempre o fizeram em Alvalade...) mais as decisões dos árbitros e estes começam a perder a paciência como se viu, ontem, com a expulsão de Jefferson. No final do jogo, Bruno de Carvalho atirou-se ao árbitro, incendiando o ambiente em Alvalade. Estou com saudades de um comunicadozinho. Será hoje?

domingo, 7 de setembro de 2014

Fait-divers, equívocos e bocejos

Fins de semana sem campeonato são de um gajo morrer de tédio. Como se não bastasse a seleção brindar-nos com uma exibição paupérrima, passámos a semana a levar com a chegada de Cristante, o italiano que escolheu os coisinhos (contra o assédio de tudo e todos), que deixou toda uma Itália em lágrimas com a sua partida, e que vai ser a próxima maravilha ali para os lados do Colombo (depois desse fantástico dinamizador do meio-campo da nossa seleção chamado André Gomes). Ouviu-se, também, falar muito de Pinto da Costa num programa de TV para donas de casa. O entrevistado, um rapazola de voz grossa, tem o secreto desejo de ser, um dia, um pintelho do nosso Presidente, mas, enquanto não consegue (e alguma vez conseguirá?), vai disfarçando a adoração com insultos típicos de um puto da Juve Leo. No final da semana, o assunto que mobilizou todos os olhares foi um brasileiro no desemprego, de nome Jonas, a oferecer-se aos coisinhos e, pelos vistos, com os coisinhos interessados. E foi, mais ou menos isto, a semana de preparação do jogo da seleção, que hoje foi derrotada pela Albânia, em mais uma prova de que a renovação, por mais complicada que seja (pela falta gritante de talentos na atual geração), deveria ser liderada por outro selecionador.

sábado, 6 de setembro de 2014

Brahimi e Aboubakar marcam nas seleções

Em período de jogos de seleções, a escrita por aqui não está fácil. Fiquemos com estes golos de Brahimi e Aboubakar, os segundos da Argélia e dos Camarões, respetivamente. Fresquinhos, fresquinhos. De hoje. E atenção ao do camaronês.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

O filme do costume

Décima-nona presença na fase de grupos da Liga dos Campeões. Esqueçamos o "caso" Quaresma. É este o filme que importa. É este o filme do costume. Ou talvez seja mais correto falar de uma saga de 19 episódios, recheada de super-heróis, aqui e ali com alguns vilões.
Este Lille, na verdade, nunca foi ameaça por aí além, mas muito por mérito da nossa consistência defensiva. Lembro que em quatro jogos oficiais vamos com zero golos sofridos. Apesar de já termos levado alguns sustos, temos de registar a grande forma de Maicon, a subida de rendimento dos laterais e a sobriedade de processos de Martins Indi (e que bem que esteve hoje a substituir o lesionado Alex Sandro). Esta solidez começa, no entanto, em Casemiro, um jogador que me está a encher as medidas e que mostra, nos jogos a doer (houve quem o crucificasse logo no jogo de estreia por um par de opções mal tomadas, mas, enfim, serão os mesmos que teimam em assobiar a equipa em determinados momentos do jogo) que é, neste momento, indiscutível naquele lugar (como será quando/se Clasie chegar?). Depois, a equipa pressiona muito alto, com toda a gente e funcionar em bloco quando toca a defender. O problema tem sido a forma como não conseguimos chegar à área adversária tantas vezes quantas era suposto.
Precisámos de um desbloqueador para este jogo e, na ausência de Tello, foi Brahimi a desempenhar a função. Caramba, será que é este ano que vamos ser letais nos livres diretos? O argelino esteve apagado na primeira parte, mas abriu o livro na segunda. Acho que não é extremo puro e que rende mais a servir o avançado pelo meio, mas Lopetegui insiste em jogar sem extremos puros e colocar Óliver e Brahimi nas alas. O nosso jogo de posse (à Vítor Pereira, como disse o André Pinto) funciona, mas não chegamos à baliza adversária. Aconteceu em Paços de Ferreira, aconteceu hoje até ao golo.
Apesar das quatro vitórias em tantos jogos oficiais, apesar da inviolabilidade da nossa baliza, apesar da qualidade do plantel, patente na forma como tão bem tratamos a bola, esta equipa tem de chegar mais vezes à área adversária, tem de encostar o adversário às cordas, tem de criar medo, terror, pânico no oponente. Espero que o faça a curto prazo.