Enquanto ainda ecoavam os gritos de festejo de mais um título e os coisinhos estavam alegremente entretidos com as superlativas qualidades de todos os sérvios entretanto contratados, o FCP iniciou uma nova fase da sua história desportiva com a venda do Moutinho e do James. Por melhor negócio que seja realizar a venda de 2 jogadores por 70 milhões de euros, é difícil ficar contente com o ocorrido.
Ninguém duvida da capacidade que o Porto tem tido em descobrir jogadores com potencial e transformá-los em vedetas do futebol mundial, mas é igualmente indesmentível que da fantástica equipa com que Villas Boas venceu quase tudo pouco sobra: partiu Falcao, Hulk, Alvaro Pereira e vários actores secundários desse filme (Bellushi, Guarin e Sapunaru).
Agora que partiu Moutinho e James, sobra apenas um protagonista, Fernando, que é pouco crível que permaneça por cá mais uma temporada. Dos mais utilizados naquela fantástica equipa restam ainda Helton, Maicon, Otamendi e Varela, bons jogadores, claro, mas não daqueles que decidem campeonatos. Trata-se, verdadeiramente, do fim de uma era.
Não tenhamos ilusões quanto ao futuro próximo: recomeçar significa abdicar de quaisquer pretensões a um percurso na Champions que vá além da primeira eliminatória. Sejam quais forem os substitutos, precisarão por certo de tempo e a capacidade da equipa superar gigantes europeus com outros argumentos estará limitada. Certezas, apenas duas: Jackson Martinez e Alex Sandro. Jogadores perto do desse nível, apenas 2 e caminhando em direções opostas devido à idade: Mangala e Lucho. O resto como, disse, são "apenas" bons jogadores (Danilo, Otamendi, Maicon, Defour, Izmaylov, Castro e Varela) e algumas incógnitas (Kelvin, Atsu e Abdoulaye). É curto.
Por fim, a questão do "líder", que decididamente não reconheço em Vítor Pereira. Apesar de 2 campeonatos conquistados em 2 temporadas como treinador principal e de apenas uma derrota nos jogos da Liga, o futebol praticado raramente empolgou, a concorrência só não nos bateu duas vezes por manifesta azelhice e a verdade é que o Porto tinha e tem o mais caro plantel a atuar em Portugal. Acresce que, fruto da crise, os clubes medianos deixaram de ter jogadores acima da média, o que resultou e resultará crescentemente em campeonatos disputados a 2, em que cada vez menos pontos serão perdidos pelo Porto e pelo Benfica, e em que (quase) tudo se decidirá nos confrontos diretos.
Uma palavra especial para João Moutinho: apesar de não ser por certo um "portista", Moutinho foi sempre um "jogador à Porto", mesmo quando estava no Sporting. Garra, talento e profissionalismo transformaram-no num daqueles jogadores que "faz uma equipa", não pelos golos que marca ou sequer pelos que dá a marcar. O talento único de Moutinho é o ritmo a que joga, o discernimento com que percorre os espaços e a regularidade com que joga bem ou muito bem. É por isso que James será facilmente esquecido e que o algarvio deixará muitas saudades.
Sábado, 25 de Maio de 2013
Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
Sábado, 18 de Maio de 2013
O hóquei, depois do andebol
Hoje recuperámos o título de campeões nacionais de hóquei em patins, depois de, ontem, termos chegado ao pentacampeonato em andebol. Não vi o jogo de ontem, mas, pelos relatos da imprensa, não houve problemas entre jogadores ou entre jogadores e público. Hoje, no final do 7-3, foi bonito ver os intervenientes de ambas as equipas cumprimentando-se, a equipa técnica do Benfica cumprimentando a sua homóloga do FCP, num ambiente em que só houve espaço para festejos. E lembrei-me do treinador de basquetebol dos coisinhos e da forma como se comportou, no ano passado, quando a sua equipa foi campeã no Dragão Caixa. Realmente, é preciso saber ganhar, mas, mais importante, é saber perder. Esses que perdem e honram os vencedores acabam por ser mais campeões do que os pequeninos Carlos Lisboas que andam por aí.
Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
Segunda-feira, 13 de Maio de 2013
"Como é que é possível?"
"Como é que é possível um golo nesta altura, um golo desta forma?", pergunta ele. O Pobo do Norte pergunta: "Como é que é possível o FC Porto ter marcado e o resultado no ecrã da BenficaTV ser outro?". Tudo aqui: http://youtu.be/9lSzw1PEzyI
Domingo, 12 de Maio de 2013
Marés e marinheiros
Um estádio em delírio e um treinador literalmente de joelhos resumem quase tudo o que se passou no Dragão esta noite. O Porto foi marginalmente superior mas fica por saber que jogo teríamos se JJ não tivesse escolhido jogar em função dos 2 pontos de vantagem que tinha.
Existe uma justiça poética na forma como a sorte abandonou o Benfica nesta recta final da temporada. Depois da vitória na Madeira, comemorada de uma forma desrespeitosa para com os adversários que os aguardavam e, que ninguém esqueça, da Capelada face ao Sporting, o discurso após o jogo com o Estoril reflectiu um estado de alma diferente, um temor que emergia cada vez que os jogadores e o treinador repetiam pesarosamente que "o Benfica depende apenas de si". Nas entrelinhas adivinhava-se o "ainda".
A vitória de hoje, sejamos lúcidos, foi uma vitória "feliz", fruto de um rasgo de génio de um menino de 19 anos, numa altura em que os jogadores do Porto tinham deixado de controlar e pressionar o adversário, e o jogo caminhava para um final favorável ao Benfica. Mas foi igualmente a vitória da única equipa que tentou ganhar o jogo (VP esteve bem em referi-lo), a vitória de quem nunca desistiu. Limpinha, sem mácula.
Nada está ganho, é importante que o lembremos. É sobretudo importante que não se cometa o mesmo erro do nosso adversário, que se comemore esta determinante vitória sobre o nosso maior rival mas que não nos esqueçamos que faltam 3 pontos para o título.
Seja como for, nada nem ninguém nos pode roubar a alegria de ver o pesar das redações vermelhuscas, a depressão geral na TVi, na SIC ou mesmo na SportTV. Foram semanas a festejar por antecipação o agora improvável título, primeiras páginas sucessivas a celebrar os alegados grandes feitos do SLB, discursos exdrúxulos sobre cada golo marcado, sobre cada triunfo. Hoje, mais do que JJ e os seus jogadores, os grandes derrotados são os paladinos de uma certa "verdade desportiva", os arrebatados nacionalistas que só se manifestam quando joga o SLB, os Mexias e os demais apóstolos da fé vermelhusca numa superioridade moral e competitiva que não reconhecem a mais ninguém.
Existe uma justiça poética na forma como a sorte abandonou o Benfica nesta recta final da temporada. Depois da vitória na Madeira, comemorada de uma forma desrespeitosa para com os adversários que os aguardavam e, que ninguém esqueça, da Capelada face ao Sporting, o discurso após o jogo com o Estoril reflectiu um estado de alma diferente, um temor que emergia cada vez que os jogadores e o treinador repetiam pesarosamente que "o Benfica depende apenas de si". Nas entrelinhas adivinhava-se o "ainda".
A vitória de hoje, sejamos lúcidos, foi uma vitória "feliz", fruto de um rasgo de génio de um menino de 19 anos, numa altura em que os jogadores do Porto tinham deixado de controlar e pressionar o adversário, e o jogo caminhava para um final favorável ao Benfica. Mas foi igualmente a vitória da única equipa que tentou ganhar o jogo (VP esteve bem em referi-lo), a vitória de quem nunca desistiu. Limpinha, sem mácula.
Nada está ganho, é importante que o lembremos. É sobretudo importante que não se cometa o mesmo erro do nosso adversário, que se comemore esta determinante vitória sobre o nosso maior rival mas que não nos esqueçamos que faltam 3 pontos para o título.
Seja como for, nada nem ninguém nos pode roubar a alegria de ver o pesar das redações vermelhuscas, a depressão geral na TVi, na SIC ou mesmo na SportTV. Foram semanas a festejar por antecipação o agora improvável título, primeiras páginas sucessivas a celebrar os alegados grandes feitos do SLB, discursos exdrúxulos sobre cada golo marcado, sobre cada triunfo. Hoje, mais do que JJ e os seus jogadores, os grandes derrotados são os paladinos de uma certa "verdade desportiva", os arrebatados nacionalistas que só se manifestam quando joga o SLB, os Mexias e os demais apóstolos da fé vermelhusca numa superioridade moral e competitiva que não reconhecem a mais ninguém.
Quarta-feira, 8 de Maio de 2013
Rasgaram-nos a bandeira...
No sábado, vamos rasgar-lhes a alma!
(imagem: http://leandroontheroad.blogspot.pt/2013/05/em-portugues-muito-suave_6.html)
(imagem: http://leandroontheroad.blogspot.pt/2013/05/em-portugues-muito-suave_6.html)
Uma réstia de utopia
Nos momentos que antecediam o jogo da Luz, ontem, o comentador da Antena 1, Joaquim Rita, dizia com toda a propriedade que lhe assiste que o Benfica é "avassaladoramente superior ao Estoril", concluindo com a já mais que certa vitória dos coisinhos naquele jogo. Sobre as contas do campeonato, referia-se aos adeptos portistas como ainda tendo "uma réstia de esperança, ou melhor, uma réstia de utopia". Eu juro que, naquele momento, desejei partir-lhe a tromba, mas depois pensei que era capaz de ficar um bocado "à desamão", até porque tinha o meu amigo poncio à espera para vermos o Estoril dar-nos uma alegria. Joaquim Rita é o comentador poético por excelência. Uma frase sua tem de incluir duas metáforas, uma comparação, três sinédoques e, quiçá, um pleonasmo intencional. Uma espécie de Manuel Machado dos comentadores desportistas. Esta "réstia de utopia" é muito bonita, mas, no fundo, envia a mensagem a todos nós, adeptos do campeão nacional, de que para o ano há mais, ideia, aliás, que a comunicação social vermelha veio a desenvolver durante toda a semana pós-jogo dos coisinhos na Madeira. O jornal oficioso do Benfica tinha, na terça-feira, uma manchete vergonhosa em que antecipava já a conquista do campeonato pelos vermelhos, caso o FC Porto perdesse com o Nacional. Acrescentava, ainda, que bastava aos coisinhos vencerem o Estoril e o Moreirense, independentemente "do que acontecer no Dragão", para serem campeões. Obviamente que se deixaram inebriar pelos festejos dos jogadores, ainda no campo, após o jogo com o Marítimo. Obviamente que querem todos puxar para o mesmo lado. Agora, fazem contas à vida e olham com terror para aquela eventualidade de, por um mero golpe de teatro, o FC Porto de Vítor Pereira ainda chegar ao TRI. Eu acho que é possível, mas ainda estou pessimista. Se encontrarmos os galgos que correram durante 90 minutos contra os turcos, será muito complicado. Se, porém, jogarmos contra aqueles onze que, contra o Estoril, se arrastaram em campo, acho que temos hipóteses. Uma coisa é certa: depois de tudo o que aconteceu neste campeonato, acho que o FC Porto merece a oportunidade de provar, em campo, que é melhor e que lhe assenta bem o título de campeão.
Segunda-feira, 6 de Maio de 2013
Sexta-feira, 3 de Maio de 2013
O Maxi Pereira levou um amarelo ainda na primeira parte
Durante a semana que antecedeu o jogo dos coisinhos com os turcos, ouvi diversos comentadores reconhecer a perda de qualidade das recentes exibições do clube do Alto dos Moínhos e associarem-na ao desgaste físico que uma época tão exigente estava agora a provocar. O próprio Jesus, no meio da sua fanfarronice costumeira, já tinha aludido a esse desgaste, logo após a primeira mão, dizendo que tem sido realmente um problema com o qual se tem confrontado, uma vez que estão "nas frentes todas". Perante este cenário, fiquei ontem perplexo com a saúde física demonstrada pelos jogadores galináceos. Foram 90 minutos de correria non-stop, alta rotação, pressão constante, que não deram espaço aos pobres turcos para respirar. Eles, coitados, que já tinham entrado em campo sem três dos mais fundamentais titulares da equipa. Admiro, por isso, o departamento físico dos coisinhos. E desafio, desde já, o senhor João Gabriel a apresentar, detalhada e minuciosamente, a forma como se consegue potenciar desta forma a capacidade física dos jogadores do seu clube, até para servir de bom exemplo aos outros. Também aqui, o SLB pode deixar um importante legado.
Quanto à passagem dos coisinhos à final, fiquei, obviamente, com um grande melão, mas estou como diz um amigo meu: se já lá estiveram o FC Porto (que a venceu por duas vezes), o Braga e, imagine-se, até o Sporting - e todos neste século! - porque não haveria de lá chegar, um dia, o SLB? A passagem à final era previsível, como eu tinha escrito no artigo anterior. Contra o Chelsea, a coisa pia mais fino, por muitas bolas nos ferros que possam existir. Os ingleses têm um meio-campo muito mais criativo do que o dos vermelhos e creio que poderá ser isso a desequilibrar, por isso acredito que ainda não será desta que o SLB levará um caneco europeu para casa na era da TV a cores.
Para finalizar, escolhi aquela frase como título para este texto, porque foi mesmo o facto mais relevante que retirei do jogo de ontem. Andam loucos, estes árbitros europeus!
Para finalizar, escolhi aquela frase como título para este texto, porque foi mesmo o facto mais relevante que retirei do jogo de ontem. Andam loucos, estes árbitros europeus!
Quinta-feira, 25 de Abril de 2013
A Europa vista do sofá
Fenerbahçe - 1
Benfica - 0
Alemanha - 8
Espanha - 1
Benfica - 0
Pareceu-me que o catedrático da chicla levou a mal a pergunta do jornalista (mais uma, quando não lhe agrada), logo na flash-interview, sobre "o que correu mal" no jogo. Para Jesus, só se pode falar em "correr mal" no final da eliminatória. Para Jesus, este jogo não existiu, esta derrota só existe na cabecinha do jornalista. O treinador dos coisinhos foge com o rabo à seringa sobre este jogo, como se a sua equipa não tivesse jogado uma caracoleta, como se os turcos não tivessem enviado três bolas aos ferros (uma delas num penalti), como se a opção por um Aimar de início não tivesse sido completamente falhada. Eu acho que os coisinhos têm capacidade para ganhar aos turcos, uma equipa que me pareceu muito pouco criativa no meio-campo. Ainda por cima, no finalzinho do jogo, o avançado Webo decidiu fazer o impensável, chutar a bola para longe, valendo-lhe essa ação um amarelo que o tira do jogo da Luz.
Neste momento, Jorge Jesus fala na conferência de imprensa. No fim de cada frase, faz aquele movimento com a boca, típico de quem está a tirar bocadinhos de comida entre os dentes. E ouve-se, através do microfone, o chiar produzido pelos lábios em pressão sobre os dentes. Uma classe de pessoa, este treinador.
Alemanha - 8
Espanha - 1
No duelo germano-espanhol da Liga dos Campeões, não parece haver dúvidas: vamos ter uma final alemã. Tito Vilanova e o seu Barcelona já deviam ter aprendido que jogar "à FC Porto" não leva a lado nenhum. Aquela mania de nos imitarem com posse de bola em elevada percentagem, mas sem resultados práticos, para além de irritante, abre, contra equipas fisicamente poderosas e rápidas no contra-ataque, muitas fragilidades.
Mourinho ainda deve estar a tentar perceber porque é que a sua defesa deu tantas abébias num só jogo. Lewandovski passeou pela grande-área, instalou-se, fez o que quis. Se há equipa que pode, ainda, sonhar com uma remontada, essa equipa será o Real Madrid, mas acho que qualquer uma das equipas alemãs tem capacidade para marcar fora.
Quarta-feira, 24 de Abril de 2013
Cuspir para o ar... à Capela
Walter Casagrande foi um avançado brasileiro que passou pelo FCP na época 1986/87, sem grande história nem grande proveito. Esteve depois em Itália, em clubes de segundo plano, e acabou a sua carreira no Brasil sem nunca se ter tornado o jogador de referência que muitos acreditaram poder vir a a ser.
Entretanto, passou por graves problemas, com consumo de drogas e um acidente que o colocou em coma. Recuperou e voltou a comentar jogos do Brasileirão. 26 anos depois de por cá ter passado é notícia em Portugal porque, segundo palavras do próprio numa entrevista na TV brasileira, jogou dopado quando actuou em Portugal.
A história do desporto nos anos 80 é infelizmente indissociável do consumo generalizado de substancias dopantes. No futebol e, por exemplo, nos desportos olímpicos Porém, naqueles tempos de débil controlo poucos poderão alegar inocência, do mesmo modo que é impossível comprovar o que se passou efetivamente com Casagrande. A esta distância, é a sua palavra contra a do médico do FCP à época, o Dr. Domingos Gomes.
Já li hoje disparates absolutos que iam desde a atribuição da generalidade das vitórias do FCP de então ao doping até à sugestão de que a UEFA deveria retirar o título de campeão europeu conquistado em 1987 (por analogia com o que se passou recentemente com Lance Armstrong). O mais curioso nesta história é o facto do dito Casagrande ter jogado apenas 6 jogos pelo FCP...
P.S. - Este fait-divers é muito útil para quem apelidou de "vitória limpinha" um jogo em que a equipa derrotada lhe viu negados 2 penaltis claríssimos nos 10 minutos iniciais de um jogo decisivo. É bom mudar de assunto quando o tema é a falta de mérito de um certo clube de Lisboa.
Entretanto, passou por graves problemas, com consumo de drogas e um acidente que o colocou em coma. Recuperou e voltou a comentar jogos do Brasileirão. 26 anos depois de por cá ter passado é notícia em Portugal porque, segundo palavras do próprio numa entrevista na TV brasileira, jogou dopado quando actuou em Portugal.
A história do desporto nos anos 80 é infelizmente indissociável do consumo generalizado de substancias dopantes. No futebol e, por exemplo, nos desportos olímpicos Porém, naqueles tempos de débil controlo poucos poderão alegar inocência, do mesmo modo que é impossível comprovar o que se passou efetivamente com Casagrande. A esta distância, é a sua palavra contra a do médico do FCP à época, o Dr. Domingos Gomes.
Já li hoje disparates absolutos que iam desde a atribuição da generalidade das vitórias do FCP de então ao doping até à sugestão de que a UEFA deveria retirar o título de campeão europeu conquistado em 1987 (por analogia com o que se passou recentemente com Lance Armstrong). O mais curioso nesta história é o facto do dito Casagrande ter jogado apenas 6 jogos pelo FCP...
P.S. - Este fait-divers é muito útil para quem apelidou de "vitória limpinha" um jogo em que a equipa derrotada lhe viu negados 2 penaltis claríssimos nos 10 minutos iniciais de um jogo decisivo. É bom mudar de assunto quando o tema é a falta de mérito de um certo clube de Lisboa.
Segunda-feira, 22 de Abril de 2013
Tudo está bem quando acaba bem
O Atsu espatifou o carro, ontem, na VCI. Felizmente, nada de grave aconteceu e o nosso "prodígio" ganês já está pronto para outra. Em Moreira de Cónegos, no dia anterior, foi o defesa do Moreirense que ia destruindo o Atsu, na grande área, perante a complacência do árbitro. Também nada aconteceu. Felizmente não precisámos desse "penalti" para somar os três pontos. Ontem, na Luz, o Maxi Pereira continuou a sua saga de destruição massiva de adversários com o total perdão ecuménico do sr. Capela. A propósito, vale muito a pena ler o elogio do master kodro ao defesa uruguaio dos coisinhos. O árbitro, esse encarregou-se de espatifar todas as esperanças leoninas logos nos primeiros minutos, marcando a tónica que haveria de conduzir a mais uma vitória estrondosa do campeão anunciado.
Quinta-feira, 18 de Abril de 2013
O Atsu é que sabe
Segundo A Bola de hoje, Atsu atrasa a renovação. Com contrato até 2014, o ganês, segundo o pasquim, "quer dar novo rumo à sua carreira". A ser verdade - e devemos sempre desconfiar quando se trata deste pedaço de papel -, acho piada que, jogadores que mal começaram a dar os primeiros passos no futebol ao mais alto nível e ainda sem estatuto de titulares (já não digo "indiscutíveis"), queiram zarpar. Não sei que horizontes terá Atsu em mente, se temos Real Madrid à espreita, ou Barcelona na jogada, ou um qualquer clube inglês de topo, mas deve ser qualquer coisa substancialmente melhor do que um clube como o FC Porto, reconhecido pelo trabalho fantástico que tem feito com os seus ativos nos últimos dez, quinze anos. E com muitos títulos à mistura. Mas o Atsu é que sabe.
Quarta-feira, 17 de Abril de 2013
Para que serve a equipa B?
Já muito se escreveu aqui sobre o valor do 11 deste ano e sobre a escassez de verdadeiras alternativas. E basta exemplificar com 3 posições para que se tenha uma noção mais exacta da veracidade desta situação:
- não existe alternativa para o Jackson (depois do infeliz Kleber tivemos um "ausente" Liedson);
- não existe uma alternativa para o Danilo (o Miguel Lopes foi-se e o Fucile só faz número nos treinos);
- não existe uma alternativa para o Fernando (o belga faz uma perninha, o Castro também, mas é notório que nenhum deles "nasceu" para fazer aquela posição).
Vem isto a propósito das notícias de hoje que dão como adquirido que 2 jogadores do Guimarães, Tiago Rodrigues (21 anos) e Ricardo (19 anos), irão integrar a equipa B do FCP em 2013/2014. Alegadamente, pela módica quantia de 1 milhão de euros cada. A facilidade com que se paga na ordem do milhão jogadores que só muito hipoteticamente poderão um dia jogar na equipa principal é algo que me assusta. Neste caso, até são portugueses, muito jovens e com alguns jogos a sério nas pernas, o que pode justificar o investimento. Mas quanto custou (em aquisições, comissões, etc.) e quanto custa (em salários) a equipa B? Tendo em conta os valores veiculados pela imprensa e o facto de uma parte significativa dos jogadores da B não ser oriunda dos sub-19 (Seba, Dellatorre, Guilherme Lopes, Seri, Stefanovic, Quinonez, Caballero, Diogo Mateus, Vitor Luís e Anderson Silva são apenas alguns exemplos), deve ter um orçamento ao nível da maioria das equipas da Primeira Liga.
Tudo estaria bem se, no mínimo, desta dispendiosa equipa B saísse um elemento que se impusesse indiscutivelmente no 11 do Porto ou, pelo menos, na rotação habitual. A verdade é que, exceptuando os que por lá passaram para ter "tempo de jogo" (Maicon, Kevin, Abdoulaye, Fabiano, Mangala e Iturbe), dali não saiu nada em 2012/2013. Seba jogou 6 vezes como suplente utilizado (4 na Liga e uma em cada uma das taças) mas não fez nada de substancial; Quinones fez 2 jogos, sem deslumbrar nem comprometer; creio que o resto da malta teve passagens ainda mais fugazes pela equipa principal (o Tozé terá jogado uma dúzia de minutos) ou nem sequer teve a oportunidade de o fazer. Se a isto somarmos o facto de vários jogadores da B não poderem ser propriamente considerados "esperanças para o futuro" ou "potenciais craques", como é o caso do Stefanovic (25 anos), do Zé António (36 anos) e do Pedro Moreira (24 anos), o panorama é desolador. Tão desolador quanto o facto do melhor marcador da B, o ponta-de-lança Dellatorre, nem sequer ter tido uma oportunidade na equipa e ter sido contratado um jogador de 35 anos como backup do Jackson Martinez.
- não existe alternativa para o Jackson (depois do infeliz Kleber tivemos um "ausente" Liedson);
- não existe uma alternativa para o Danilo (o Miguel Lopes foi-se e o Fucile só faz número nos treinos);
- não existe uma alternativa para o Fernando (o belga faz uma perninha, o Castro também, mas é notório que nenhum deles "nasceu" para fazer aquela posição).
Vem isto a propósito das notícias de hoje que dão como adquirido que 2 jogadores do Guimarães, Tiago Rodrigues (21 anos) e Ricardo (19 anos), irão integrar a equipa B do FCP em 2013/2014. Alegadamente, pela módica quantia de 1 milhão de euros cada. A facilidade com que se paga na ordem do milhão jogadores que só muito hipoteticamente poderão um dia jogar na equipa principal é algo que me assusta. Neste caso, até são portugueses, muito jovens e com alguns jogos a sério nas pernas, o que pode justificar o investimento. Mas quanto custou (em aquisições, comissões, etc.) e quanto custa (em salários) a equipa B? Tendo em conta os valores veiculados pela imprensa e o facto de uma parte significativa dos jogadores da B não ser oriunda dos sub-19 (Seba, Dellatorre, Guilherme Lopes, Seri, Stefanovic, Quinonez, Caballero, Diogo Mateus, Vitor Luís e Anderson Silva são apenas alguns exemplos), deve ter um orçamento ao nível da maioria das equipas da Primeira Liga.
Tudo estaria bem se, no mínimo, desta dispendiosa equipa B saísse um elemento que se impusesse indiscutivelmente no 11 do Porto ou, pelo menos, na rotação habitual. A verdade é que, exceptuando os que por lá passaram para ter "tempo de jogo" (Maicon, Kevin, Abdoulaye, Fabiano, Mangala e Iturbe), dali não saiu nada em 2012/2013. Seba jogou 6 vezes como suplente utilizado (4 na Liga e uma em cada uma das taças) mas não fez nada de substancial; Quinones fez 2 jogos, sem deslumbrar nem comprometer; creio que o resto da malta teve passagens ainda mais fugazes pela equipa principal (o Tozé terá jogado uma dúzia de minutos) ou nem sequer teve a oportunidade de o fazer. Se a isto somarmos o facto de vários jogadores da B não poderem ser propriamente considerados "esperanças para o futuro" ou "potenciais craques", como é o caso do Stefanovic (25 anos), do Zé António (36 anos) e do Pedro Moreira (24 anos), o panorama é desolador. Tão desolador quanto o facto do melhor marcador da B, o ponta-de-lança Dellatorre, nem sequer ter tido uma oportunidade na equipa e ter sido contratado um jogador de 35 anos como backup do Jackson Martinez.
Sábado, 13 de Abril de 2013
Abdoulaye, a opção fatal
A mesma fortuna com que os deuses bafejaram Vítor Pereira, no jogo do campeonato, quando decidiu meter Kelvin em campo, foi-lhe hoje retirada, pelos mesmos deuses, quando teve a infeliz ideia de colocar Abdoulaye a titular, num jogo em que estava em causa um troféu. Podemos sempre descartar o fator mitológico da coisa e dizer simplesmente que, dada a tremideira do senegalês, já patenteada no jogo do Dragão, Vìtor Pereira devia ter o bom senso de entrar em campo com a dupla de centrais titulares, até porque, repito, estava em causa um troféu. Devo dizer que acho que o Abdoulaye tem tudo para dar jogador, daqueles a sério, mas este seu regresso, depois da série de jogos em que substituiu Mangala lesionado e em que até se saiu bem - este seu regresso, dizia - não está a correr bem.
Em relação ao jogo, não creio que haja muito a acrescentar ao que tem sido dito sobre as últimas exibições da equipa. Não se pode apontar nada aos jogadores em termos de entrega, raça e sacrifício. Deram o que tinham. E ninguém pode dar o que não tem: um treinador de topo e um plantel de topo.
Segunda-feira, 8 de Abril de 2013
Kelvin, o herói acidental
Demorei duas semanas a habituar-me a esta coisa, vá lá, muito habitual nos benfiquistas que é a ideia de que este título "já era". Honra lhes seja feita, estamos, para não fugir à expressão, mal habituados. Dei por mim a acreditar que Olhanense seria capaz de os empatar, mesmo sabendo isso era altamente improváel. Enfim, tenho tanta necessidade de acreditar porque, na realidade, ainda não me "habituei".
Mas para combater estas ilusões nem é preciso aguardar pelo resultado do SLB - basta ver como os nossos jogam. O Porto-Braga desta noite terminou bem, mas foi a imagem fiel do que tem acontecido esta época. Jogamos sempre da mesma forma, estejamos a perder, empatados ou a ganhar, quer o adversário seja o Sporting semi-B, o Benfas do homem da chicla, o Olhanense dos salários em atraso ou o Gil Vicente. É esta falta de rasgo, de golpe de asa, de alternativas tácticas credíveis e, diria eu, de um milagreiro tipo Hulk, que faz deste Porto a equipa previsível e insegura que está em vias de perder o campeonato.
VP disse no final do jogo de hoje, com indisfarçável orgulho e manifesta falta de tino, que "o Porto foi igual a si mesmo" (é verdade mas não é forçosamente positivo...), que "a equipa circulou a bola" (igualmente real, tendo em conta os 70% de posse) e que "tiveram paciência" (é aqui que visão do VP choca com a realidade - a equipa faz sempre o mesmo porque está rotinada para isso e porque, apesar de existirem soluções para outras tácticas, ele não sabe mais). Hoje fomos salvos de um empate definitivamente comprometedor por 2 golos felizes de um jogador da equipa B, alguém que muito raramente joga na equipa pricipal e que nem na Segunda Liga tem mostrado nada de especial. Sim, tivemos a sorte que nos faltou contra outros adversários, mas se atendermos mais às oportunidades de golo e aos pontapés de canto, em lugar da inconsequente posse de bola, talvez se entenda porque somos presentemente segundos classificados.
Mas para combater estas ilusões nem é preciso aguardar pelo resultado do SLB - basta ver como os nossos jogam. O Porto-Braga desta noite terminou bem, mas foi a imagem fiel do que tem acontecido esta época. Jogamos sempre da mesma forma, estejamos a perder, empatados ou a ganhar, quer o adversário seja o Sporting semi-B, o Benfas do homem da chicla, o Olhanense dos salários em atraso ou o Gil Vicente. É esta falta de rasgo, de golpe de asa, de alternativas tácticas credíveis e, diria eu, de um milagreiro tipo Hulk, que faz deste Porto a equipa previsível e insegura que está em vias de perder o campeonato.
VP disse no final do jogo de hoje, com indisfarçável orgulho e manifesta falta de tino, que "o Porto foi igual a si mesmo" (é verdade mas não é forçosamente positivo...), que "a equipa circulou a bola" (igualmente real, tendo em conta os 70% de posse) e que "tiveram paciência" (é aqui que visão do VP choca com a realidade - a equipa faz sempre o mesmo porque está rotinada para isso e porque, apesar de existirem soluções para outras tácticas, ele não sabe mais). Hoje fomos salvos de um empate definitivamente comprometedor por 2 golos felizes de um jogador da equipa B, alguém que muito raramente joga na equipa pricipal e que nem na Segunda Liga tem mostrado nada de especial. Sim, tivemos a sorte que nos faltou contra outros adversários, mas se atendermos mais às oportunidades de golo e aos pontapés de canto, em lugar da inconsequente posse de bola, talvez se entenda porque somos presentemente segundos classificados.
Sábado, 6 de Abril de 2013
Alto risco
A Bola traz, hoje, à primeira página a nomeação de Hugo Miguel para o Olhanense-Benfica, alertando para o facto de o juíz não arbitrar os coisinhos desde "o polémico jogo em Coimbra de 2011-2012" e de a "revisão da nota nesse jogo" o ter feito chegar a internacional. Não deixa de ser curiosa esta forma quase inocente de lançar a suspeita sobre Hugo Miguel. Mas o que mais me intriga é aquele final "Nomeação de alto risco". Alto risco para quem? Para a Olhanense? Para o Benfica? Para os adeptos nas bancadas? Para o estado do relvado (quanto pesa Hugo Miguel?)?
Domingo, 31 de Março de 2013
Sem razões para sorrir
Acreditar no título parece ser já um exercício de loucura a que poucos portistas se dedicam nesta altura. A equipa não depende de si própria e vê o seu adversário direto passar por cima dos adversários com goleadas convincentes. A onda vermelha estende-se por uma comunicação social sedenta de vendas e cliques e edições extra. E estas merdas contam, claro. Está tudo encaminhado. Só espero que não tenhamos de apagar a luz e ligar os aspersores no jogo da penúltima jornada.
Em Coimbra, hoje, não fizemos um grande jogo, mas, ainda assim, o suficientemente bom para sairmos de lá com os três pontos. A equipa está nos limites, com jogadores a pedirem - já - o final da época, e o que vem do banco não dá garantias de excelência. Na frente somos Moutinho, Jackson e as correrias dos laterais. Lá atrás somos uma grande tremideira e atrapalhação. Uma exibição deste tipo contra os coisinhos pode dar muito mau resultado.
Por falar em coisinhos, não percebo como há ainda quem duvide do valor de Lima. Diz-se que o tivemos na mão, mas que não o quisemos. Gostava de saber com que argumentos, sinceramente. Serão os mesmos que levam à contratação de um Liedson que apenas aquece o banco e engorda a conta bancária?
Domingo, 17 de Março de 2013
Adios, adieu, auf wiedersehen, goodbye...
Agora, queremos o Leonardo Jardim (por favor PC, não me faças engolir o JJ!), 2 médios decentes (um para substituir o Moutinho e outro para dar descanso ao Lucho), um lateral direito que custe menos de 19 milhões e saiba fazer um cruzamento, um avançado usável para o banco e, já me esquecia, uns patins para o Vítor Pereira.
Quarta-feira, 13 de Março de 2013
A probabilidade do (des)consolo da Bejeca
Existe uma pseudo-regra que diz que quando algo pode correr mal, corre mesmo mal. Olhando com atenção para o percurso recente do FCP, é impossível não encontrar traços que definam uma trajetória negativa.
Depois das goleadas ao Gil Vicente e ao Guimarães, a equipa entrou numa fase menos fulgurante, com algumas vitórias bisonhas (Beira-Mar e Rio Ave) e alguns empates comprometedores (Olhanense e Sporting). Em quase todos estes jogos, incluindo no que disputamos em casa com o Málaga, tivemos sempre o domínio da posse de bola, nuns casos com mais dinâmica e pressão (como foi o caso do jogo da Champions), noutros casos com trocas inconsequentes frente a adversários que jogam para empatar ou perder por poucos. Seja qual for o jogo, o que foi evidente foi o escasso número de oportunidades de golo que criamos.
É essencialmente por isto que, tristemente, não me surpreendeu a eliminação da Champions. Claro que um Moutinho diminuido fisicamente é um handicap substancial, que um golo em cima do intervalo é complicado para quem sofre e galvanizador para quem marca e, obviamente, que jogar com 10 durante a segunda parte não é fácil. Mas também poderíamos dizer que vencemos em casa os espanhóis com um golo irregular, num jogo em que dominamos mas criamos muito pouco perigo. Que o Málaga viu um golo anulado que, honestamente, deveria ter sido validado. Que tivemos uma única oportunidade evidente de golo em todo o jogo de hoje. É curto para quem tem o nosso histórico na Champions, mesmo sabendo que o Málaga tem um bom conjunto de jogadores, mas não é nenhum clube de topo ao nível europeu.
Pois bem, se isto foi mau, imaginem quão problemático poderá ser perder pontos no confronto com o Marítimo, que nunca foi um adversário fácil para nós quando jogou nos Barreiros. Mesmo sabendo que uma eventual desvantagem de 3 pontos pode ser superada no confronto direto que está marcado para a penúltima jornada, a verdade é não me admirava que dominássemos os vermelhos nos 90 minutos e não conseguíssemos criar oportunidades de golo - é algo que tem acontecido com frequência.
Para retomar o assunto do post do meu amigo Guardabel, aqui fica a comparação do nosso calendário com o dos coisinhos:
23.ª jornada
Marítimo-FCP e Guimarães-SLB - probabilidades a favor dos vermelhuscos;
24.ª jornada
Académica-FCP e SLB-Rio Ave - mais uma vez, mais hipótese de bronca para o nosso lado;
25.ª jornada
FCP-Braga e Olhanense-SLB - o Braga é mais complicado mas o lodaçal de Olhão é local para surpresas;
26.ª jornada
Moreirense-FCP e SLB-Sporting - não vencer os de Moreira de Cónegos é crime mas este Sporting não mete medo a ninguém;
27.ª jornada
FCP-Setúbal e Marítimo-SLB - finalmente, uma situação probabilística favorável!
28.ª jornada
Nacional-FCP e SLB-Estoril - os madeirenses são capazes do melhor e do pior enquanto que os amarelinhos têm um histórico de confrontos com o SLB marcados pelos penalties desKarados e por convenientes jogos em casa disputados no Algarve;
29.ª FCP-SLB - matar ou morrer... se ainda estivermos vivos!
30.ª jornada
Paços-FCP e SLB-Moreirense - o nosso adversário é a revelação do ano; o adversário deles deverá despedir-se uma vez mais da Primeira Liga.
Em suma, 5 jornadas que lhes são favoráveis, uma que é um empate "técnico" (a 25.ª) e duas a nosso favor (27.ª e o confronto direto no Dragão). Com jeitinho, este ano ainda ficamos nós agarrados ao título da Taça da Bejeca... Quanto à Champions, esqueçam o assunto: o objetivo realista das equipas dos campeonatos periféricos dificilmente pode ser ir além da fase de grupos.
Depois das goleadas ao Gil Vicente e ao Guimarães, a equipa entrou numa fase menos fulgurante, com algumas vitórias bisonhas (Beira-Mar e Rio Ave) e alguns empates comprometedores (Olhanense e Sporting). Em quase todos estes jogos, incluindo no que disputamos em casa com o Málaga, tivemos sempre o domínio da posse de bola, nuns casos com mais dinâmica e pressão (como foi o caso do jogo da Champions), noutros casos com trocas inconsequentes frente a adversários que jogam para empatar ou perder por poucos. Seja qual for o jogo, o que foi evidente foi o escasso número de oportunidades de golo que criamos.
É essencialmente por isto que, tristemente, não me surpreendeu a eliminação da Champions. Claro que um Moutinho diminuido fisicamente é um handicap substancial, que um golo em cima do intervalo é complicado para quem sofre e galvanizador para quem marca e, obviamente, que jogar com 10 durante a segunda parte não é fácil. Mas também poderíamos dizer que vencemos em casa os espanhóis com um golo irregular, num jogo em que dominamos mas criamos muito pouco perigo. Que o Málaga viu um golo anulado que, honestamente, deveria ter sido validado. Que tivemos uma única oportunidade evidente de golo em todo o jogo de hoje. É curto para quem tem o nosso histórico na Champions, mesmo sabendo que o Málaga tem um bom conjunto de jogadores, mas não é nenhum clube de topo ao nível europeu.
Pois bem, se isto foi mau, imaginem quão problemático poderá ser perder pontos no confronto com o Marítimo, que nunca foi um adversário fácil para nós quando jogou nos Barreiros. Mesmo sabendo que uma eventual desvantagem de 3 pontos pode ser superada no confronto direto que está marcado para a penúltima jornada, a verdade é não me admirava que dominássemos os vermelhos nos 90 minutos e não conseguíssemos criar oportunidades de golo - é algo que tem acontecido com frequência.
Para retomar o assunto do post do meu amigo Guardabel, aqui fica a comparação do nosso calendário com o dos coisinhos:
23.ª jornada
Marítimo-FCP e Guimarães-SLB - probabilidades a favor dos vermelhuscos;
24.ª jornada
Académica-FCP e SLB-Rio Ave - mais uma vez, mais hipótese de bronca para o nosso lado;
25.ª jornada
FCP-Braga e Olhanense-SLB - o Braga é mais complicado mas o lodaçal de Olhão é local para surpresas;
26.ª jornada
Moreirense-FCP e SLB-Sporting - não vencer os de Moreira de Cónegos é crime mas este Sporting não mete medo a ninguém;
27.ª jornada
FCP-Setúbal e Marítimo-SLB - finalmente, uma situação probabilística favorável!
28.ª jornada
Nacional-FCP e SLB-Estoril - os madeirenses são capazes do melhor e do pior enquanto que os amarelinhos têm um histórico de confrontos com o SLB marcados pelos penalties desKarados e por convenientes jogos em casa disputados no Algarve;
29.ª FCP-SLB - matar ou morrer... se ainda estivermos vivos!
30.ª jornada
Paços-FCP e SLB-Moreirense - o nosso adversário é a revelação do ano; o adversário deles deverá despedir-se uma vez mais da Primeira Liga.
Em suma, 5 jornadas que lhes são favoráveis, uma que é um empate "técnico" (a 25.ª) e duas a nosso favor (27.ª e o confronto direto no Dragão). Com jeitinho, este ano ainda ficamos nós agarrados ao título da Taça da Bejeca... Quanto à Champions, esqueçam o assunto: o objetivo realista das equipas dos campeonatos periféricos dificilmente pode ser ir além da fase de grupos.
Segunda-feira, 11 de Março de 2013
O estado das coisas
Há que reconhecer que o panorama não está muito animador. Com o nível baixo que a maioria das equipas do campeonato apresentam, é muito difícil que o Benfica perca pontos até ao jogo do Dragão. Aquilo que ainda pode ser disfarçado com uma defesa certinha ou um autocarro competente, não tem escapatória possível com ataques sofríveis. Falta poder de fogo a 90% da equipas portuguesas e, ontem, com o Gil Vicente, tivemos mais uma evidência disso mesmo.
Nós, sem o onze titular em forma, temos alguma probabilidade de voltar a perder pontos. Nesta altura, gostaria que a SAD refletisse seriamente sobre o estado a que chegou um plantel que muito prometeu, mas que, vistas as contrariedades a que já foi sujeito, se revela curto e, pior do que isso, desequilibrado em termos de qualidade.
Neste âmbito, e apesar de o seu futebol, na minha opinião, não ser melhor do que o nosso, continuarem a beneficiar da proteção de todos os anjos, incluindo os de preto, há que reconhecer que o Benfica trabalhou bem a constituição do seu plantel, principalmente no ataque. Ora, um candidato ao título tem de ter muita preocupação com o ataque. O FCP, na minha opinião, preocupou-se em demasia em garantir uma boa estrutura defensiva - que, realmente, tem - mas descurou aquilo que traz vitórias, golos: jogadores em qualidade e quantidade suficiente, no ataque, para não permitir oscilações de rendimento. E já não falo do meio-campo, onde, face à curva descendente em que Lucho parece ter entrado na segunda volta, uma lesão de João Moutinho é catastrófica.
Eu também acredito que vamos ganhar ao Benfica na penúltima jornada. Mas, infelizmente, também desconfio que vamos perder mais pontos noutros jogos. Se assim não acontecer, espero que me lembrem este texto quando festejarmos o tri.
Quinta-feira, 7 de Março de 2013
Domingo, 3 de Março de 2013
Vulgaridades
Depois de ver o pasquim A Bola, na primeira página, caracterizar a nossa exibição em Alvalade como vulgar, estou curioso para ver que adjetivo vão encontrar para exibição do SLB em Aveiro, hoje, contra o último classificado da Liga.
Pólvora seca
Este foi o primeiro Sporting-Porto da minha vida em que não conhecia uma boa meia dezena de jogadores do Sporting. Joãozinho. Ilori. Dier. Bruma. Fokobo. Desculpem, mas quem são estes gajos? Jogámos contra um conjunto de miúdos cheios de genica e boa vontade. Não quero tirar o valor a esta criançada. Apenas lembrar que são miúdos que andam pelos juniores e pela equipa B dos lagartos. Só isso. O primeiro contra o décimo-primeiro. Trinta pontos de distância. Jogámos com mais um jogador a dez minutos do final. Não marcámos um golo. Empatámos. Isto são frases curtas porque não consigo articular frases mais longas. Ainda estou em choque.
Este campeonato condena-me a repetir a mesma ladainha Temos um grande 11 titular, mas um plantel muito limitado. Lesionam-se os dois jogadores em melhor forma e vamo-nos abaixo. Ficamos sem Mangala e entra um Maicon que acumula distrações e erros de avaliação. Lesiona-se o Moutinho e ficamos órfãos de quem pense o jogo e lhe dê coerência. Lucho está há demasiados jogos a fazer número. Defour é um bom ator secundário, mas não tem perfil para protagonista. Fernando destrói como ninguém, mas constrói aos solavancos. E não há mais ninguém (desculpa lá, Castro).
Depois há o remate. Tenho reparado que, de há uns três ou quatro jogos para cá, temos estado no mínimo desastrados nesse capítulo. Hoje, voltou a acontecer. As oportunidades que tivemos, ou foram por cima e ao lado, ou foram à figura de Patrício. Não se pode dizer que o guarda-redes do Sporting tenha feito uma defesa de grau de dificuldade elevado - essa ficou para Helton - porque simplesmente os remates foram sempre contra ele.
Depois, os livres diretos. Pólvora seca. Os nossos adversários já não se devem importar de fazer faltas à entrada da grande-área. Somos inofensivos. Não temos ninguém que, com consistência, as meta lá dentro. Maicon marcou dois livres diretos na pré-época. Recentemente um pela equipa B, um balão desde o seu meio-campo. Mais nada. Danilo parece que tem chuto forte. É uma questão da bola ir à baliza. Pode ser que um dia acerte. James calibra sempre mal o pé. Parece que já marcou umas duas ou três vezes desde que cá está, mas tentou umas sessenta.
Ainda haveria muito para escrever sobre este jogo e o pós-jogo. Falar individualmente de quem esteve muito abaixo do que sabe e pode. Falar de quem custou milhões, mas tarda em justificar o investimento. Falar de quem tarda em regressar à melhor forma. Falar do bom trabalho do árbitro e da forma como a comunicação social do costume já está a adulterar as coisas. Falar de como amanhã a onda vermelha vai arrasar o país. Mas não me apetece. E escrever este texto já custou o suficiente.
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013
A manta é curta, o cantaro partiu e outras histórias
Depois de duas enganadoras vitórias na Liga Europa (só quem tem óculos vermelhos não viu que os alemães estiveram sempre melhor), o SLB caiu. Não foi com estrondo, mas foi nos pés dos Rodericks que por lá andam (este rapaz continua a dar-nos muitas alegrias - que Deus o guarde e que o Jesus o mantenha no plantel por muitos e longos anos).
Quanto a nós, confesso que estou dividido: o que vale a taça da bejeca sem a possibilidade de enfardar nos galináceos? Que apelo tem uma eventual final da dita se a equipa estiver em poupanças para o campeonato ou até para a Champions?
Ainda sobre os planteis de uns e de outros: é cada vez mais evidente (sobretudo depois dos regressos do Atsu e do James) que o Porto tem mais soluções que o Benfica.
Mesmo com a glorificação do Matic, aquele meio campo vermelhusco é fraco: Perez é um remendo esforçado, os miúdos são jogadores razoáveis mas não são excepcionais e os Martins ou os Aimares duram pouco tempo em jogo. E sem meio campo não existe bola para o ataque nas partidas em que a oposição é minimamente forte, nem defesa que aguente a pressão não filtrada do ataque contrário. É verdade que o Salvio é um jogador muito bom, o Gaitan também, o Lima tem a perícia daqueles que nunca desistem de marcar, o Tacuara lá tem os seus momentos e o Ola John está a crescer. Mas o Luisão é cada vez mais lento, o Maxi cada vez mais violento, o Jardel não vale mais do que um Maicon distraído, o Garay não chega para tudo e o projeto Coentrão 2.0 continua em versão beta, com muitos bugs. Olhando para esta malta toda, o único gajo que teria lugar no 11 inicial do Porto seria o Salvio e isso diz muita coisa sobre o que valem as duas equipas.
P.S. - Aquela merda dos penalties à Panenka é uma reminiscência de um tempo em que dava para tudo, em que não estava em causa tanto dinheiro, em que se jogava fundamentalmente "por amor à camisola" e por isso se aceitava este tipo de bravatas. É uma coisa de mentecaptos ou irresponsáveis como o Postiga. Um profissional de futebol, num clube europeu de topo, não tem o direito de ter este tipo de atitudes. Muito menos quando se luta pela liderança "ombro a ombro", quando o resultado do jogo em curso está a zeros e, especialmente, depois da barraca que foi empatar em casa com o Olhanense. Gosto muito do nosso avançado colombiano, mas lamento dizer que os 2 golos que marcou depois da asneirada não desculpam aquele desplante.
P.S. 2 - Aconteça o que acontecer até ao final da época, gostaria de vos dizer que já começo a ter saudades do Moutinho. É mesmo o único gajo do futebol português que justifica o lugar comum do "não sabe jogar mal".
Quanto a nós, confesso que estou dividido: o que vale a taça da bejeca sem a possibilidade de enfardar nos galináceos? Que apelo tem uma eventual final da dita se a equipa estiver em poupanças para o campeonato ou até para a Champions?
Ainda sobre os planteis de uns e de outros: é cada vez mais evidente (sobretudo depois dos regressos do Atsu e do James) que o Porto tem mais soluções que o Benfica.
Mesmo com a glorificação do Matic, aquele meio campo vermelhusco é fraco: Perez é um remendo esforçado, os miúdos são jogadores razoáveis mas não são excepcionais e os Martins ou os Aimares duram pouco tempo em jogo. E sem meio campo não existe bola para o ataque nas partidas em que a oposição é minimamente forte, nem defesa que aguente a pressão não filtrada do ataque contrário. É verdade que o Salvio é um jogador muito bom, o Gaitan também, o Lima tem a perícia daqueles que nunca desistem de marcar, o Tacuara lá tem os seus momentos e o Ola John está a crescer. Mas o Luisão é cada vez mais lento, o Maxi cada vez mais violento, o Jardel não vale mais do que um Maicon distraído, o Garay não chega para tudo e o projeto Coentrão 2.0 continua em versão beta, com muitos bugs. Olhando para esta malta toda, o único gajo que teria lugar no 11 inicial do Porto seria o Salvio e isso diz muita coisa sobre o que valem as duas equipas.
P.S. - Aquela merda dos penalties à Panenka é uma reminiscência de um tempo em que dava para tudo, em que não estava em causa tanto dinheiro, em que se jogava fundamentalmente "por amor à camisola" e por isso se aceitava este tipo de bravatas. É uma coisa de mentecaptos ou irresponsáveis como o Postiga. Um profissional de futebol, num clube europeu de topo, não tem o direito de ter este tipo de atitudes. Muito menos quando se luta pela liderança "ombro a ombro", quando o resultado do jogo em curso está a zeros e, especialmente, depois da barraca que foi empatar em casa com o Olhanense. Gosto muito do nosso avançado colombiano, mas lamento dizer que os 2 golos que marcou depois da asneirada não desculpam aquele desplante.
P.S. 2 - Aconteça o que acontecer até ao final da época, gostaria de vos dizer que já começo a ter saudades do Moutinho. É mesmo o único gajo do futebol português que justifica o lugar comum do "não sabe jogar mal".
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013
Sporting: campanha ao rubro
Eh, pá, tipo, é assim. Não percebes o hip-hop. Mas pode-te acontecer o fenómeno "Futre". Ai pode, pode. Boa sorte.
Briosa roubalheira
Um penalti de diferença. Jackson Martinez tinha marcado o que falhou e o árbitro tinha assinalado a falta de Gaitan - como se vê nas imagens ao lado - em vez do penalti mentiroso que deu a vitória. E eram quatro pontos, já. Quatro. O terror instalava-se e eles nunca mais se levantavam. Mas as coisas nem sempre são como deviam ser e lá continuamos nós lado a lado com os paladinos da "justiça".
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013
Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013
O espetáculo segue dentro de momentos?
Há qualquer coisa de sobrenatural que nos faz sofrer com Vítor Pereira. Quando aparentemente as coisas estão bem, tungas, lá vem uma desilusão. Quando fazemos duas exibições de categoria, empatamos em seguida em casa com uma equipa mediano-sofrível. Quando o rival perde finalmente pontos, nós não aproveitamos e seguimos o exemplo. A sensação que fica, desta vez, é que o treinador não tem culpa do sucedido. Com lesões e jogadores nas seleções, ficamos com um plantel curto, com soluções no banco que "deus me livre".
Sebá é apenas um exemplo. Continuo a achar um mistério a ascensão deste jogador. Cinco milhões? Isso não é ofensivo, é pornográfico. Características parecidas com Hulk? Sinto-me insultado. Não percebo a quem interessa a promoção deste jogador - ou se calhar até percebo - quando para trás fica um Kelvin, que, apesar da falta de consistência, já deu provas de ser melhor e de merecer a chamada.
PS1 - Os adeptos do Braga que fizeram aquilo àquelas famílias que foram de Paços de Ferreira ver o seu cluibe jogar não mereciam aquele 2-3. Mereciam um valente 0-5 e a proibição de voltar a entrar num campo de futebol. Grunhos primários, em qualquer estádio, em qualquer clube.
PS2 - O jornal A Bola faz o seu trabalhinho de sapa ao chamar para a manchete de hoje a alegada frase que Pedro Proença dirigiu a Cardozo: "Isto vai sair-te caro", caracterizando esta resposta como sendo "a quente", por parte do melhor árbitro português da atualidade. Eu acho que essa cambada comandada por Vítor Serpa se enganou duas vezes. Em primeiro lugar, Proença não disse nada de mais que merecesse tanto destaque. Na verdade, o que o paraguaio fez vai sair-lhe caro se o regulamento for aplicado. Puxar a camisola a um árbitro é muito grave. Com o currículo que Cardozo já tem em Portugal, não admira que a coisa chegue aos já propalados quatro jogos, no mínimo. Em segundo lugar, Proença não reagiu a quente, porque, primeiro, repito, a frase não tem nada de especial, segundo, se tivesse reagido a quente, tinha pregado dois bufardos no focinho do Tacuara que era para ele aprender a comer e calar. Isso sim, teria sido a quente, e, obviamente, motivo de merecido destaque, com edição especial a cores, do pasquim em causa. [Não tem que ver com este tema, mas vale a pena ler a carta aberta a Vítor Serpa, redigida e publicada pelo ℙΣ₦₮∀ ➀➈➆➄℠ do Tomo II]
Sábado, 9 de Fevereiro de 2013
Domingo, 3 de Fevereiro de 2013
Banquete
Ainda estou a digerir aquele banquete de bom futebol que a nossa equipa nos proporcionou em Guimarães. Que domínio, que classe, que garra. Vítor Pereira começa a ter razões para falar de alto para nós, adeptos que nunca fomos com o estilo dele (ainda que, reconhecidamente, esteja bem melhor na comunicação do que no primeiro ano) e que não hesitamos em crucificá-lo quando as coisas correm mal (como em Braga para a Taça). Mas é para isso que um treinador serve, também.
Ontem até tivemos um Lucho em sub-rendimento, mas o resto da equipa parecia um corpo só, movimentando-se em harmonia e desfazendo obstáculos por onde passava. Com exibições destas, até tenho medo de começar a pensar na Liga dos Campeões.
Sábado, 26 de Janeiro de 2013
Eu, norte-coreano, me confesso
Passei parte dos últimos dias a pensar como foi possível que uma empresa como a Samsung usasse uma infeliz e fútil blogger de moda para promover os seus dispositivos móveis. Achei que a tristemente celebrizada "Pepa" era o grau zero da inteligência. Mas hoje li uma crónica publicada no Expresso.pt em 17 de Janeiro e mudei de ideias - o benfiquismo militante é uma doença neuro-degenerativa mais grave e autor desta coisa é um caso clínico sério - não é à toa que este texto faz parte de uma conjunto de escritos agrupado sob o tema "Série "O Benfiquista Terminal".
A prosa de Henrique Raposo tem como título "Última hora: o golo de Matic faz disparar o PIB" e tudo indicaria tratar-se de uma imensa ironia. Pois bem, não é. Tal como o vídeo da Pepa, que pensei tratar-se de humor tipo Gato Fedorento, o texto do Raposo é um equívoco, uma longa sinfonia de lugares comuns, rancor, má fé, xenofobia e alucinação. Só que no lugar da mala Channel que a parvinha ambiciona comprar em 2013, temos o valor redentor do golo do médio do Benfica, que na alucinada idiotia deste benfiquista anuncia a inevitabilidade de um título de campeão para os lados da Luz. Confusos?! Eu explico.
"Aquele golo tem de ser descrito no plural: são e serão sempre seis linhas rectas unidas pela fé e pela memória. Daqui a 20 anos, várias conversas regadas a cerveja e rodeadas de cascas de tremoços começarão com o "lembras-te daquele golo do Matic quando fomos campeões em 2013?"."
Os primeiros sinais da demência são a confusão e os lapsos de memória. O Raposo confunde um empate comprometedor com uma vitória promissora. De permeio, acha que o SLB foi campeão "em 2013". Amigo Raposo, apesar do site da Liga Portuguesa de Futebol Profissional ser conhecido por inventar golos do Benfica que nunca foram marcados, atribuindo vitórias que não conquistaram, a verdade é que, segundo eles, o organizador da prova, o campeão de 2012 foi o Futebol Clube do Porto. Sim, o clube dos que costumais tratar carinhosamente por "tripeiros" ou "murcões" e que na tua brilhante prosa designas por "norte coreanos". E, claro, o de 2013 ainda não foi atribuído, por muito que as almas benfiquistas estejam habituadas a isso (e "isso" quer dizer vencer o campeonato no verão precedente...).
"Cresci com o Benfica a ser esmagado pela agremiação norte-coreana. Há uns 10 anos, se levasse um golo logo aos 5 minutos, o Benfica sairia do estádio com uma goleada. No domingo, vi uma coisa diferente, vi o Benfica dar a volta frente aos norte-coreanos. E isso é uma ruptura epistemológica, pá, é o mesmo que ver uma bola subir uma rampa sozinha, desafiando todas as regras da gravidade. A equipa aguentou-se, virou duas vezes o resultado e podia ter vencido com toda a justiça."
É bom saber que o benfiquista assanhado e o prosador jornaleiro têm como objectivo plausível para os jogos com o Porto não serem goleados.Isso define a "grandeza" da dita agremiação. E talvez isso explique o que o Raposo diz: o SLB "virou o resultado" e logo "duas vezes". E caso não tivéssemos compreendido o brilhantismo do raciocínio, refere que "deu a volta". O que não se compreende é que, tendo "dado a volta duas vezes", não tenha "vencido com toda a justiça"...
A prosa de Henrique Raposo tem como título "Última hora: o golo de Matic faz disparar o PIB" e tudo indicaria tratar-se de uma imensa ironia. Pois bem, não é. Tal como o vídeo da Pepa, que pensei tratar-se de humor tipo Gato Fedorento, o texto do Raposo é um equívoco, uma longa sinfonia de lugares comuns, rancor, má fé, xenofobia e alucinação. Só que no lugar da mala Channel que a parvinha ambiciona comprar em 2013, temos o valor redentor do golo do médio do Benfica, que na alucinada idiotia deste benfiquista anuncia a inevitabilidade de um título de campeão para os lados da Luz. Confusos?! Eu explico.
"Aquele golo tem de ser descrito no plural: são e serão sempre seis linhas rectas unidas pela fé e pela memória. Daqui a 20 anos, várias conversas regadas a cerveja e rodeadas de cascas de tremoços começarão com o "lembras-te daquele golo do Matic quando fomos campeões em 2013?"."
Os primeiros sinais da demência são a confusão e os lapsos de memória. O Raposo confunde um empate comprometedor com uma vitória promissora. De permeio, acha que o SLB foi campeão "em 2013". Amigo Raposo, apesar do site da Liga Portuguesa de Futebol Profissional ser conhecido por inventar golos do Benfica que nunca foram marcados, atribuindo vitórias que não conquistaram, a verdade é que, segundo eles, o organizador da prova, o campeão de 2012 foi o Futebol Clube do Porto. Sim, o clube dos que costumais tratar carinhosamente por "tripeiros" ou "murcões" e que na tua brilhante prosa designas por "norte coreanos". E, claro, o de 2013 ainda não foi atribuído, por muito que as almas benfiquistas estejam habituadas a isso (e "isso" quer dizer vencer o campeonato no verão precedente...).
"Cresci com o Benfica a ser esmagado pela agremiação norte-coreana. Há uns 10 anos, se levasse um golo logo aos 5 minutos, o Benfica sairia do estádio com uma goleada. No domingo, vi uma coisa diferente, vi o Benfica dar a volta frente aos norte-coreanos. E isso é uma ruptura epistemológica, pá, é o mesmo que ver uma bola subir uma rampa sozinha, desafiando todas as regras da gravidade. A equipa aguentou-se, virou duas vezes o resultado e podia ter vencido com toda a justiça."
É bom saber que o benfiquista assanhado e o prosador jornaleiro têm como objectivo plausível para os jogos com o Porto não serem goleados.Isso define a "grandeza" da dita agremiação. E talvez isso explique o que o Raposo diz: o SLB "virou o resultado" e logo "duas vezes". E caso não tivéssemos compreendido o brilhantismo do raciocínio, refere que "deu a volta". O que não se compreende é que, tendo "dado a volta duas vezes", não tenha "vencido com toda a justiça"...
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