quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Defour

Sinto-me envergonhado por ter dado tanto benefício da dúvida a este jogador. Sinto-me envergonhado por tê-lo defendido quando me diziam que não era jogador para o FCP. E por ter achado que era uma questão de o pôr a jogar regularmente, que logo iria "explodir". Ontem, foi vergonhosa a sua exibição. Nem um passe de rotura, nem um corte, nem uma jogada de envolvimento. Passes para o lado, para trás, para o lado, alguns sem precisão, sem força, enfim... O Herrera foi mau, mas este conseguiu ser pior. E só lhe dedico um artigo porque não me esqueço dos choradinhos na imprensa a reclamar a titularidade e as ameaças "olhem que me vou embora". Vai, faz um grande Mundial e não voltes.

Zero

Este jogo mostrou... Espera, este jogo não mostrou nada que já não soubéssemos. Então, este jogo veio confirmar... Não, o de Sevilha já tinha confirmado o que antes sabíamos. Então, que porra de conclusões podemos tirar deste jogo na Luz? Nenhumas. Nada a dizer. Zero. Igual a Defour. Igual a Herrera. Igual a toda a equipa.

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Tragédia sevilhana

Aquilo que nos aconteceu hoje, nos primeiros 30 minutos, podia ter acontecido em Nápoles. É preciso não esquecer o que sofremos naquele jogo, antes de conseguirmos dar a volta ao resultado. Por isso, esta tragédia em Sevilha não foi propriamente uma surpresa. Foi muito triste, mas não foi inesperado. Os erros de hoje foram os erros de Nápoles, só que em Itália tivemos mais sorte. E hoje não tivemos Fernando e Jackson Martinez.
Esta é a derrota de um conjunto de dirigentes que falhou em toda a linha na construção do plantel para a época 2013-2014. Que não foi capaz de encontrar, por exemplo, duas alternativas minimamente credíveis para os nossos dois laterais brasileiros que, há dois anos consecutivos, jogam sem parar. Esta é a derrota de um plantel limitado, de um plantel construído de forma pouco sagaz, de um plantel órfão de um líder em campo. É a derrota de uma SAD que "reforça" a equipa em janeiro com "velhas glórias" porque já perdeu o domínio sobre o mercado jovem português. É a derrota de um Presidente que, pela primeira vez, reage e desce ao nível dos os comentadores televisivos portistas. É a derrota de uma SAD que prefere processar judicialmente um comentador portista num jornal inimigo em vez de olhar para dentro. É a derrota de uma SAD que se descontrola em direto, na TV, perante todo o país. É a derrota de um Presidente que vem apostando em jovens treinadores consecutivamente, sem qualquer estatuto no futebol, sem perceber que o "fenómeno André Villas-Boas" só acontece quando o rei faz anos (e, já agora, com Hulks e Moutinhos no plantel). Enfim, poderia continuar aqui a enumerar situações que hoje me vêm à memória, mas o melhor é ficar por aqui.

segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Ligados à Europa

Com as baterias apontadas à Liga Europa, fizemos, hoje, na primeira parte, uma boa exibição do meio-campo para a frente, com uma eficácia que deitou por terra qualquer veleidade defensiva da Académica. Na defesa, só não sofremos nos primeiros 45 minutos porque tivemos um gigante (não apenas em tamanho) chamado Fabiano. Abdoulaye parece querer acusar a onda negativa transmitida pelos adeptos em relação às suas mais recentes exibições. Reyes, por outro lado, afirma-se de jogo para jogo, mas não dispensa um patrão ao seu lado. Gosto da dinâmica e criatividade que Quintero dá ao jogo da equipa, gosto da clarividência - ainda que lenta, por vezes - de Herrera. E gosto de ver um Ghilas a crescer, também, seja no centro do ataque, seja nas alas.
Quinta-feira vamos passar um mau bocado em Sevilha, mas estou confiante. O onze, no meu entender, deveria ser este:
Fabiano
Danilo, Mangala, Reyes e Alex Sandro
Defour, Herrera e Josué (mas eu sei que o treinador vai pôr o Carlos Eduardo de início)
Varela, Ghilas e Quaresma

quinta-feira, 27 de Março de 2014

Coação é isto

Se a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga não considerar o comportamento do Sporting como coação aos árbitros, então não sei o que será isso da "coação". Mais vale retirarem esse ilícito do nosso futebol e, a partir daí, valerá tudo para condicionar, ameaçar, intimidar.
Falar de árbitros, antes e depois dos jogos, está-nos no sangue. Faz parte. Mas, caramba, nunca um clube tinha ido ao ponto de querer responsabilizar criminalmente os homens do apito, incluindo, pasme-se, os da época anterior, altura em que nem sequer estavam no ativo os atuais dirigentes lagartais. De entre tudo o que foi organizado pelo Sporting na semana anterior ao jogo da roubalheira, esta questão dos processos em tribunal e das indemnizações foi a que mais me chocou. Ou divertiu, ainda não me decidi.
Acredito que isto não vai dar em nada ou, na pior das hipóteses, para o Sporting, será decidido lá para junho ou julho com derrota para os viscondes, contanto que não implique alteração na classificação. De uma comissão que puniu Jesus com suspensão num período em que não havia competição é de esperar tudo.

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Não ajoelhou, mas rezou uma avé maria

Jesus nunca analisa os jogos que perde e, normalmente, irrita-se com as perguntas dos jornalistas, quando estes lhe pedem que explique a razão das derrotas. Quando ganha, Jesus transforma-se no catedrático, expondo as suas virtudes de estratega e de visionário. Jesus sabe tudo antes dos jogos, prevê tudo, domina tudo. Jesus, o omnisciente. Quando perde, como aconteceu hoje, irrita-se e entra naquele tipo de discurso nebuloso que ninguém percebe, nem mesmo ele.

sábado, 22 de Março de 2014

Vata, 24 anos depois

Se o Vata diz que foi com o ombro, eu acredito. Se o Vata diz que não iria mentir ao próprio filho, com quem estava a sós, eu também acredito. Eu também tenho um filho e seria incapaz de lhe dizer que tinha marcado um golo com o braço, sobretudo se estivesse plenamente convencido que tinha sido com o ombro. Porque eu acho que próprio Vata acredita cegamente que o marcou com o ombro. Se ele acredita, é a verdade dele, é a verdade que pode contar ao filho. E ninguém tem nada que ver com isso. 24 anos depois.
O golo, com narração francesa:
O golo, com narração de Gabriel Alves:

quinta-feira, 20 de Março de 2014

Il mio cuore è blu e bianco

Não vamos, porque passámos aos quartos-de-final, dourar a pílula e esquecer que, hoje, sofremos muitíssimo em largos momentos do jogo, com jogadores em claro sub-rendimento, a mostrar incapacidade para fazerem parte do onze titular. Agora, é da mais elementar justiça render homenagem a Luís Castro, que fez o que tinha a fazer: pôr em campo Josué e Ghilas com 20/25 minutos para jogar, num tudo ou nada que era importante assumir. E atenção: aos 81 minutos, resistiu a meter um Herrera ou até um Mikel para povoar o meio-campo e recuar as linhas, e pôs em campo um avançado. Quase me apetecia dizer que, com Paulo Fonseca, teríamos tentado chegar aos penaltis, mas, se calhar estarei a ser demasiado injusto com o ex-treinador.
Não foi em Alvalade (pelas razões que se conhecem), foi em Nápoles: este jogo pode ter marcado uma viragem importante no resto de época que vem aí. Obrigado, Fabiano. Obrigado, Ghilas. Obrigado, Quaresma. Obrigado, Luís Castro.

domingo, 16 de Março de 2014

Guardião

Não vou falar da vitória da verdade desportiva leonina a que assistimos hoje em Alvalade. Não vou falar das declarações idiotas de Leonardo Jardim, Adrien & companhia. Não vou falar da tremideira que a nossa defesa revelou. Não vou falar da questão física que parece existir na equipa.
Vou falar do Helton. E será porventura injusto para ele que um texto destes surja numa altura em que se lesionou tão gravemente. Ele que já tanto fez pelo clube, que tanto defendeu as redes da nossa equipa, que é voz de comando, de revolta, de garra, de querer. Ele que também falha, como os outros. Um campeão que, hoje, teve o azar de se lesionar sem bola, naquele momento em que a bota se prendeu ao solo e não o deixou continuar. Naquele sítio onde a relva não nasce, como disse um dia um jornalista brasileiro. Acho que nunca tinha visto um olhar tão angustiado num nosso guarda-redes. Nem na pior das derrotas. Por isso estamos aqui para lhe mostrar todo o nosso apoio e desejar que a recuperação seja completa. Dure o que durar.

quinta-feira, 13 de Março de 2014

Luisão, number three, Luisão, one, two, three

Em 2009, Manuel Machado, então treinador do Nacional, disse que "um vintém é um vintém, e um cretino é um cretino", referindo-se ao gesto dos quatro dedos de Jorge Jesus (os coisinhos acabavam de marcar o quarto jogo na baliza madeirense).
Hoje, em Londres, o catedrático da chicla voltou a repetir o gesto, virando-se para Tim Sherwood com três dedos em riste, logo após o terceiro golo, marcado por Luisão. Um gesto execrável e saloio. Uma coisa que a mentalidade inglesa nunca vai entender porque o futebol é um jogo de gentlemen, onde a lealdade e o fair-play têm muita importância.
Por isso foi natural que o treinador do Tottenham se tenha travado de razões com Jesus, tendo havido pronta intervenção do quarto árbitro, que nem se deve ter apercebido do que sucedeu. E foi cómica a tentativa de Raul José, já preparado para evitar qualquer excesso do seu treinador principal, mas que foi autenticamente empurrado por Jesus, em mais uma cenazinha triste, na senda do que nos tem habituado.
A quem tudo isto não passou despercebido foi aos jornalistas ingleses, que apertaram com Jesus na conferência de imprensa, levando o treinador dos coisinhos a começar por explicar que em Portugal não estamos habituados a tanta proximidade entre os treinadores, e que quando ele, Jesus, invadiu o espaço de Sherwood, foi alertado para o facto por este, tendo Jesus feito a mesma coisa quando, alegadamente, o treinador dos da casa também fez o mesmo. Uma situação que não passou daquilo, segundo JJ.
Em Portugal, com a imprensa vermelhusca do costume, a coisa teria ficado por aqui, mas os ingleses têm essa péssima mania de não suportar a mentira. Então questionaram Jesus sobre o gesto dos três dedos, ao que a triste figura respondeu, dizendo que se estava a referir ao número três, da camisola de Luisão, que foi quem tinha marcado aquele golo. Azar dos azares: Luisão jogou com o número 4 na camisola. Não bastava mentir mal, ainda por cima tinha de ser humilhado em público.
Bem, os adeptos do clube do garrafão podem muito bem levar o nome de Portugal aos quatro cantinhos da Europa, mas a partir de hoje, em Inglaterra, a imagem do portuga ficou seriamente afetada por esta execrável, rústica e mentirosa figura. Prefiro, mil vezes, ter no banco do meu clube alguém que se engana no nome de um adversário do que uma figura deste calibre.

terça-feira, 4 de Março de 2014

Coisas que acontecem

Façamos de conta que não nos lembramos que António Figueiredo foi vice-presidente dos coisinhos. Façamos de conta, também, que não nos lembramos que António Figueiredo foi o presidente do Estoril que permitiu, juntamente com a cunha leal, aquele jogo no Estádio do Algarve. Olhemos, apenas, para António Figueiredo, o adepto vermelhusco, que, no ano passado, dizia isto, antes do Benfica-Estoril. Ora, ele é a prova provada de que o melão ainda não desinchou, a avaliar pelas suas declarações de ontem à RR. Para ouvirem, basta seguirem esta ligação e clicarem no botão do lado esquerdo com  legenda "António Figueiredo recorda Benfica-Estoril da época passada". Quem não tiver possibilidade ou não se quiser dar ao trabalho, aqui está a transcrição:
"No ano passado, os dois pontos que se perderam com o Estoril fizeram com que o Benfica não fosse às Antas festejar o título. Mas festejou durante quase o jogo todo. A sete segundos do fim é que as Antas se levantaram, porque até lá o silêncio era absoluto. Até sete segundos antes do jogo acabar, já com o prolongamento a decorrer, o silêncio era absoluto. Não se via azul, só se via gente branca. Mas, enfim, são coisas que acontecem, o futebol é isso mesmo."
A escolha das palavras e o tom de voz são elucidativos. Está lá tudo: ódio ao FCP e desprezo pelo mérito da nossa vitória. E a justificação através do cliché "são coisas que acontecem" serve para tudo. Tanto para a derrota naquele campeonato, como para um qualquer mergulho do Sulejmani ou para um golo irregular na Grécia. São "contingências do futebol", como ouvi o José Nunes, comentador da Antena 1, referir-se ao lance que deu a vitória sobre o PAOK.
No Restelo, a coisa foi tão escandalosamente evidente, que todos os órgãos de comunicação social, sem exceção, referiram o golo mal invalidado ao Belenenenses. Mas aquilo que certamente encheria uma página inteira, caso o beneficiado fosse o FC Porto, não passou de uma referência lateral em A Bola, que preferiu, como era expectável e obrigatório, destacar a obra-prima de Gaitán (fui só eu que achei aquele golo "normal", face à velocidade do jogador e ao adiantamento do GR?). Até a forma como se qualifica as exibições de trampa do "campeão anunciado" é indicadora de que "este ano tem mesmo que ser". Joaquim Rita, na Antena 1, dizia que o jogo mostrou "Um Benfica resultadista, que abdicou da nota artística".
Em relação à questão do Miguel Rosa, compreende-se o silêncio de parte a parte. É embaraçoso para o Belenenses admitir que preferiu salvaguardar os interesses do adversário em detrimento dos seus (a troco de quê, mais lá para a frente se saberá). Para os coisinhos, os verdadeiros paladinos da verdade desportiva, será certamente difícil explicar mais uma evidência deste "fazer as coisas por outro lado", ainda para mais quando a polémica já está para lá da esfera dos "jogadores emprestados". Acredito, porém, que qualquer dirigente vermelhusco veja nisto mais uma contingência do futebol, "coisas que acontecem" no campeonato português.

segunda-feira, 3 de Março de 2014

O inexplicável e o insustentável

Já levamos com esta conversa do "fim de ciclo" (em relação ao Presidente) há mais ou menos 20 anos. Uma coisa é certa: algum dia hão de acertar. Eu só peço que esta época termine de forma serena de forma a criarmos os alicerces para um regresso em força na próxima época. Quando falo em serenidade, apenas peço vitórias nos jogos que faltam (sei que é pedir muito) e, vá lá, uma vitória nos troféus que falta disputar. Se isso acontecer, e seguindo os critérios do treinador dos coisinhos, a época já será boa.
O jogo de ontem em Guimarães mostrou, pela primeira vez, o divórcio entre o treinador e os jogadores. Não é propriamente algo de surpreendente, a coisa já estava mais ou menos latente, mas até hoje o treinador tinha evitado responsabilizar os jogadores, dividindo culpas entre a falta de sorte, o excessivo azar e o "inexplicável" (curiosamente, este último argumento voltou na flash-interview, mas desapareceu, ao que percebi, na conferência de imprensa).
Estou de acordo com Paulo Fonseca quando diz que fizemos uns bons 40 minutos (o "excelente" talvez seja exagerado). Com um Ghilas eficaz, o Vitória teria reduzido para 1-4 e não 1-2 ao intervalo. Com esta referência ao argelino, não o quero criticar. Até acho que deve manter a titularidade em detrimento de um Jackson que está uma sombra do jogador que foi. Ontem, estava em nítida inferioridade física, mas a sua época tem sido medíocre se tomarmos como ponto de comparação a anterior.
Em relação à forma como consentimos os golos (e temos consentido a maior parte dos golos nesta época), creio que o treinador tem de se chegar à frente e assumir o falhanço da estratégia defensiva, o falhanço na motivação dos jogadores, do estado emocional da equipa, ou do raio que o parta.
Uma coisa é certa. Neste momento somos o bombo da festa do campeonato. É ler nas entrelinhas das manchetes dos jornais do costume, é ouvir os comentadores desportivos quer na rádio quer na TV e é ouvir, inclusivamente, os treinadores adversários, que nos perderam totalmente o respeito. Marco Silva, do Estoril, já o tinha feito para a Taça da Liga, agora foi a vez de Rui Vitória expressar a sua frustração por não nos terem ganho. Quando isto acontece, quer dizer que estamos à mercê de qualquer um.
Resta agora saber durante quanto tempo irá Pinto da Costa aguentar esta situação insustentável. Eu tenho para mim que o Presidente já começou a tratar da sucessão de Fonseca logo após a derrota com o Estoril e que nesta semana teremos novidades.

domingo, 2 de Março de 2014

The writing on the wall

Mal vai o nosso clube quando nos alegramos com um empate arrancado a ferros frente ao décimo segundo classificado da Bundesliga... Sim, durante uns dias respiramos fundo: salvou-se o essencial, que foi continuar em prova. Mas alguém acreditou que aquele poderia ser um ponto de viragem?

Hoje, em Guimarães, voltamos à mediocridade com que regularmente a equipa tem jogado. Frente a uma equipa muito limitada, conseguimos cometer tantos erros que o empate, atendendo aos minutos finais, poderá até ter sido um resultado lisongeiro. Azar?! Só para quem não viu a maioria dos jogos desta época.

Quantos jogos e quantos pontos precisaremos de perder para alguém por fim a esta queda livre? Como é possível colocar em campo um jogador notoriamente diminuído fiscamente como era o caso do Jackson? Porque saiu o Carlos Eduardo quando o Herrera estava a cometer erros sucessivos e já tinha um amarelo? E porque saiu o Licá quando o Quaresma estava a ser uma nulidade? Como foi possível manter o Quintero de fora até aos minutos finais? Quem é que, depois de mais esta demonstração, considera o Abdoulaye melhor central do que o Maicon?  Vai ser preciso que o SLB nos humilhe na Taça da Liga ou na Taça de Portugal para que o PdC convide o treinador a sair?

São tantas as perguntas que nem vale a pena referir que o SLB venceu 1-0 com a equipa adversária a ver um golo limpo anulado. Do mesmo modo que nem vale a pena sublinhar o anti-portismo indisfarçável do Luís Freitas Lobo - os comentários ao jogo de Guimarães foram simplesmente nojentos, asquerosos, a começar pelas dúvidas (?!) relativamente ao pénalti e a acabar no elogio da "qualidade do jogo" a partir do momento em que o Vitória chegou ao empate. Porque tudo isto é irrelevante quando os nossos não fazem o que se impõe.

  

quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014

Tréguas

Paulo Fonseca sabia o que estava a dizer quando disse que íamos jogar a Leverkusen. No seu subconsciente, passavam as imagens daquele 4-4 dos coisinhos contra o Bayer, na década de 90. Ele sabia que algo de semelhante iria acontecer. Algo épico. Paulo Fonseca, o visionário. Renova, já (ou Colhogar, também serve).
Bem, agora a sério. Hoje é dia de tréguas, de gozar esta passagem de eliminatória, de elogiar o Licá pela ação determinante no último golo, de louvar o treinador por ter dado a Ghilas tanto tempo de jogo (o suficiente para ser mesmo decisivo), de agradecer aos jogadores a vontade e a fé. Enfim, desfrutemos deste dia como há muito não o fazíamos.

terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

Direito de resposta: "A culpa não é só dele"

O meu post de ontem desencadeou uma verdadeira onda de emoções na caixa de comentários deste blog. É bom, porque isso significa que alguém lê o que aqui escrevemos. É ainda melhor quando se debate com argumentos e com graça. Mas não havia necessidade de criar uma suposta cisão entre portistas.

Por tudo isto, em primeiro lugar, cumpre-me dizer que eu não me levo suficientemente a sério para dar importância aos menos recatados e aos comentários mais inflamados. Gosto de conversar sobre "bola", confesso-me um portista extremo, na fronteira do anti-benfiquismo primário, mas o que aprecio mesmo neste blog é partilhar a minha paixão pelo FCP com gente bem humorada. Discordando ou não, é para esses que escrevo. E são esses que escrevem os comentários que me fazem sorrir.

Em segundo lugar, não tenho como ambição ser coerente, nem sequer demasiado lúcido nas minhas apreciações. Se eu fosse lúcido na forma como analiso o que se passa no futebol, chegaria à conclusão que existem milhares de coisas mais importantes para investir o meu tempo. Paixão é isto: gostar sem saber bem porquê; dedicar tempo, emocionar-se e sofrer sem tentar racionalizar os sentimentos. A única forma de expressão proibida para esta paixão é a violência.

Terceiro e último: renegando tudo o que escrevi acima e sem ambição de ser exaustivo nesta resposta, vou demonstrar que não estava com os copos quando escrevi o post de ontem.

Tópico 1
O V. Pereira foi injustamente comparado com o P. Fonseca

É verdade - VP está uns furos acima do PF. Apesar do futebol dos rodriguinhos à Barcelona e da posse sem remates nem golos, as equipas do VP jogavam à bola, controlavam os jogos. Concedo também que herdou um balneário complicado, com muita gente a pensar numa saída milionária à maneira do AVB. Mas que tinha melhores jogadores ao seu dispor, isso parece-me indesmentível. Moutinho valia (e vale) mais do que os nossos atuais médios todos juntos. O "pouco" que o James fez na última época de azul e branco (12 golos em 38 jogos) é mais do que, presumo, o Quintero poderá algum dia fazer. Hulk esteve cá a primeira época do VP (e marcou uns modestos 21 golos). E, essa ninguém me tira da cabeça, os dois campeonatos foram muito mais perdidos pela soberba e incompetência alheia do que por mérito próprio (que, obviamente, também existiu). Resumindo: prefiro, de longe, o Pereira ao Fonseca, mas nenhum me agrada particularmente.

Tópico 2
O Fernandez fez história e eu não lhe reconheço esse mérito

Este simpático espanhol chegou ao Porto na primeira época pós-Mourinho, pós-Deco e, sobretudo, pós-vitória na Champions. A tarefa era complicada, a equipa tinha alguns jogadores contrariados (Costinha, Maniche, Derlei, etc., etc.) e muitas promessas de craques por confirmar (Luís Fabiano, Diego, Seitaridis e Quaresma, por exemplo). A realidade confirmou que Fernandez era um líder fraco, que conseguiu a proeza de em 19 jogos para o campeonato vencer menos de metade e perder 3.
Quanto à vitória na Taça Intercontinental, tenham lá paciência mas o Once Caldas, que teve obviamente o mérito de ganhar a Libertadores, era tudo menos uma equipa com enorme potencial e repleta de homens em vias de dar o grande salto para os grandes clubes europeus. A realidade é bem diferente e os poucos jogadores que vagamente se aproximaram de uma carreira minimamente notável no velho continente foram o Elkin Soto (fez 8 épocas no Mainz 05), o Viáfara (que jogou no Portsmouth e no Southampton) e o avançado mexicano Di Nigris, que passou sem grande sucesso pelo Villareal, aterrou no Poli Ejido (um clube espanhol extinto em 2012 que acabou a tal época em 17.º lugar... da Segunda Divisão) e fez 4 temporadas em clubes de terceiro plano na Turquia. Ou seja, é evidente que este Once Caldas que, sublinho, caiu apenas nas grandes penalidades, não era propriamente um viveiro de craques a despontar. Conclusão: o Fernandez não merece grande crédito pela façanha.

Tópico 3
O PdC já nos deu muito e este gajo está a culpá-lo

Como qualquer portista que tenha memória, eu sei que existe um antes do PdC e existirá um depois do PdC. No intervalo desses dois períodos, que tenho o grato prazer de viver, o nosso clube ganhou tudo o que havia para ganhar, ascendeu à posição de maior clube português, "descobriu" e "fez" jogadores que ficarão na história do futebol mundial, em suma, Pinto da Costa foi o responsável máximo pelo brilhante período em que o FCP se tornou o que hoje é como instituição desportiva.
Não obstante, o homem não é infalível, tem tendência para se rodear de gente pouco recomendável e de, explícita ou implicitamente, permitir a realização de negócios que são, no mínimo, de benefício muito duvidoso para o clube. E, já agora, é um gestor profissional - recebe muito bem pela função que exerce, pelo que não trabalha na SAD do FCP por mera carolice.
Isto significa que, quando "mete o pé na argola" ou tenta atirar areia para os olhos dos adeptos isso deve ser denunciado. Para lá da muito discutível escolha do Fonseca (e da sua obstinada defesa), por exemplo, a recente entrevista à Porto Canal em que atribuiu a derrota na Luz à arbitragem foi simplesmente anedótica. PdC merece reconhecimento, mas nem ele nem ninguém merece um estatuto de impunidade.

Tópico 4
O Fonseca deveria ficar até ao final: mudar agora é um erro

Como alguém referiu nos comentários ao meu post, o futebol praticado é pior do que os resultados obtidos e o Estádio do Dragão tende para estar às moscas. Se acharem isto aceitável, deixem o o homem continuar mas eu vou tratar de cancelar a minha subscrição da SportTV e arranjar sempre programa para as horas em que o Porto estiver a jogar. Mas, mais do que insistir no mau futebol e permitir a vitória total dos coisinhos, manter o Fonseca ao leme é desperdiçar a oportunidade de, perdido o campeonato, colocar em campo os Quinteros, os Kelvins e mais alguns miúdos da equipa B. Para que entre em campo alguém com coisas a provar e se perceba se servem ou não, para que se decida se vale a pena apostar neles no futuro ou despachá-los já no próximo Verão.



segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

A culpa não é só dele


Paulo Fonseca acordou hoje a pensar que o mundo não é tão cruel como ontem à noite parecia ser: afinal, estava a caminho do Olival para mais uma palestra de ressaca e, maravilha das maravilhas, a cadeira de sonho do Paços de Ferreira está de novo vaga. Em compensação, a generalidade dos portistas acordou a pensar como foi possível chegar até aqui, como foi penoso suportar 2 anos de Vítor Pereira para acabar por ter de aturar este Fonseca.

A verdade verdadinha é que  ex-craque do Estrela da Amadora ainda não saiu da capital do móvel.  Mentalmente, o homem é um grande treinador de um clube pequeno e um miserável treinador para um clube grande. Porque não percebe que falar com o André Leão é diferente de lidar com o Fernando e que o Josué que brilhava de verde e amarelo não serve para titular azul e branco. É o chamado "erro de casting". Porque o duplo pivot defensivo está para Paulo Fonseca como os 2 amores estão para o Marco Paulo - é uma "tara" mais do que uma "mania".

Sim, claro, a culpa não é só dele. O homem é (mais) uma aposta pessoal do PdC que correu mal. E, como em todas as apostas pessoais que lhe correm mal (felizmente poucas), PdC tem tendência para persistir no erro. Foi assim com Vítor Pereira, foi assim com Fernandez, tem sido assim com o Fonseca. O Pereira safou-se porque tinha mais e melhores jogadores, mas sobreviveu à custa da persistente azelhice do homem da chicla. De Fernandez não reza a história e do homem que lhe sucedeu também não. O jogo de ontem foi um ponto de exclamação na desgraça exibicional do Porto 2013/14. O ponto final aconteceu antes do Natal, quando já se tinha visto como a equipa (não) jogava e ainda íamos a tempo de ganhar alguma coisa.

Quanto aos outros culpados: inevitavelmente, quem escolheu e mantém o Fonseca, quem construiu este plantel, quem vendeu tantos jogadores por somas astronómicas sem contudo conseguir criar uma situação financeiramente estável, quem pensou que, numa época de transição, sem gente com estatuto e com muito ainda para ganhar, bastaria um treinador cujo ponto alto do currículo é um brilharete na sua única época na primeira liga portuguesa. Quem permitiu que o Lucho saísse para um merecido exílio dourado sem ter meios para suprir essa saída. Quem perante todas as lacunas que a equipa evidenciava não fez melhor do que dar uma derradeira oportunidade ao Quaresma.

Olhamos hoje para o plantel do Porto e vislumbramos muito poucos grandes jovens jogadores, daqueles que potencialmente sairão por certo do clube por valores irrecusáveis: Mangala, Alex Sandro e Fernando. O resto da malta é gente nova que tarda em mostrar serviço, "consagrados" a caminho dos 30 ou atletas simplesmente banais para um clube como o nosso e vulgares demais para os PSGs e Chelseas deste mundo. É por isso que, com Fonseca ou sem Fonseca o futuro imediato não é risonho. Por outro lado, o facto do clube de Mourinho jogar agora com 3 ex-benfiquistas deveria ser motivo para refletir.

domingo, 23 de Fevereiro de 2014

Ninguém pára o FC Porto... B!

Vitória na Covilhã e liderança isolada da Liga 2.
Não haverá por lá um ou outro rapaz que dê jeito à equipa principal?

quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

O que nos disse o dérbi da amizade

O dérbi da amizade, jogado ontem no estádio da lã de vidro, disse-nos o seguinte:
1. O Sporting padece de William-dependência. Ou então a equipa de Leonardo Jardim é um bluff. Você decide. O treinador lagartal quis inventar, colocando, Slimani, Montero (quem?) e Heldon de início, e deu-se muito mal.
2. Os coisinhos têm o ataque mais perigoso da liga, com velocidade e muitas soluções. Resta saber se vai haver, nas jornadas que restam, quem os ponha à prova lá atrás. O Sporting já conseguiu, nos 4-3, mas a defesa leonina não garante os mínimos.
3. Enzo Perez é um jogador do ca***** (já sabíamos disso, por acaso). Esteve para sair pela porta pequena, mas, para grande felicidade do treinador da chicla (que não acreditou nele na primeira época), revelou-se fundamental naquela equipa. É pena, mas poderia ter sido mais um dos erros históricos por que os coisinhos ficaram célebres.
4. Por falar em coisinhos, lá estão eles na fase eufórica. Manuel José disse, ontem, que "o Benfica ganha este campeonato disparado". Espero que saibamos lidar com a "onda bermelha" tão bem como o fizemos no passado.
5. Para quem tinha dúvidas, não fomos nós quem levou um banho de bola naquele estádio.

segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

Se fosse no Dragão, o garnisé saberia o que fazer

"Artigo 94.º do Regulamento Disciplinar da Liga

Não realização de jogos por falta de condições do estádio, de segurança ou dos equipamentos

1. Quando um jogo oficial não se efectuar ou não se concluir em virtude do estádio não se encontrar em condições regulamentares por facto imputável ao clube que o indica, é este punido com a sanção de derrota e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 12 UC e o máximo de 50 UC e com a sanção de reparação à Liga e ao adversário das despesas de arbitragem, de delegacias, de organização e do valor da receita que eventualmente coubesse ao adversário.

2. Se um jogo não for realizado por falta de condições de segurança imputáveis ao clube que indica o estádio, o clube é punido nos termos do número anterior.

3. Quando o jogo se realizar em estádio neutro é mandado repetir, sendo apenas aplicáveis as sanções de multa e de reparação ao clube visitado, salvo se as faltas previstas nos números anteriores não lhe forem imputáveis."

E não me venham com "ah e tal, a culpa foi do vento". Existe uma coisa chamada manutenção do espaço desportivo. Com  este tempo atmosférico, que dura há mais de um mês, era no mínimo exigível que os coisinhos andassem da perna e acautelassem qualquer hipótese de acontecer uma vergonha destas. Sim, porque isto é uma vergonha terceiro-mundista.

Balboa

Lembrei-me duma cena. Imaginem que Balboa, o ex-coisinhos, tinha chegado este ano a Portugal. Estaríamos, agora,a pensar que poderia ser hipótese para o nosso clube?

quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014

O garnisé, parte 2

Uma das coisas irritantes no garnisé é o facto de não ter a noção da sua pequenez e insignificância. O garnisé do futebol português é mesmo assim e repete a sua ladainha chorona como se a reiterada repetição transformasse em verdade aquilo que é puro wishful thinking.

O garnisé já percebeu que, apesar da ilusão deste ano durar mais do que é habitual, a Taça de Portugal já foi, competições europeias são só para outros e o sonho do campeonato nacional pode começar a ruir já neste fim-de-semana. Quem viu a forma como o garnisé viveu no banco de Alvalade o empate com a Académica percebeu o que lhe vai na alma - uma coisa seria entrar na Luz em vantagem, outra completamente diferente será jogar no campo do adversário com a perspetiva de passar para terceiro lugar e ficar a 5 pontos da liderança. E, já agora, em "desvantagem direta" com os dois rivais. Dói-le muito, pois dói.

É por isso que o garnisé grita, o garnisé pula, o garnisé acena, enfim, o garnisé desespera pela oportunidade de, pelo menos, chegar à meia final da taça da bejeca. Nem que seja na secretaria. Nem que seja com um truque verdadeiramente ridículo como o do "atraso com dolo". O garnisé fala de "verdade desportiva" passando ao lado do facto do jogo do Porto não ter tido nem uma duração (decorrente dos descontos) superior à do jogo do Sbordem, nem um penalty inventado como foi o caso do voo para a piscina do Eric Dier que motivou o penalty do 1-3. A verdade é que o Porto marcou mais um golo e, uma vez mais, alguém festejou a nossa queda antes do tempo...

Fala agora a Associação de Futebol de Lisboa de "uma decisão que pode constituir um ponto de viragem para uma nova era do futebol português". Tendo em conta que não há memória de nenhum clube ter perdido um jogo pela falha que nos é imputada, querer prevalecer tendo perdido dentro das 4 linhas significa que esta gente já perdeu a toda a vergonha e já nem disfarça. A tal "nova era" de que falam deve ser a era em que o FCP passe a perder competições por decreto no bafio dos gabinetes da Liga e da Federação... Só que isso já aconteceu: na época em que os defuntos "sumaríssimos" foram aplicados a jogadores do Porto e depois deixaram de existir. Ou na última vitória do SLB no campeonato, viabilizada pela indevida suspensão do Hulk por largos meses, devido a uma alegada agressão no túnel da Luz.

A Taça da bejeca é a competição mais insignificante do calendário competitivo português e se o Porto não a vencesse este ano esse "insucesso" seria tão marcante quanto o facto de nunca termos ganho nenhuma edição da dita taça. Além do mais, jogando como estamos a jogar, as probabilidades de sermos derrotados pelo SLB na próxima eliminatória são mais do que muitas. Porém, sermos colocados fora da competição através de um expediente de secretaria abriria caminho para muitos outros abusos e isso não pode ser tolerado. Nem que, depois disso, jogássemos frente ao SLB com os juvenis, só para aquela gente perceber o quanto vale o dito troféu para nós.

P.S. - Apesar da barraca que foi empatar em Barcelos, com um penalty de amigo falhado sobre a hora, já surgiram na imprensa coisas como "este ano, o Benfica pode ganhar tudo". Para lá de já terem sido corridos da Champions (coisa que acontece até a clubes mais decentes...), o campeonato está muito longe de estar ganho, a Taça de Portugal é uma história que mete dragões e a Taça da Liga, se o bom senso imperar, deve seguir o mesmo padrão. Será que esta gente não aprendeu nada nos últimos 2 anos?

quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014

Nas meias

No dia em que se anunciou uma quase provável eliminação administrativa da Taça da Liga, fizemos por acentuar a depressão com uma  primeira parte "à Porto dos últimos tempos". Falta de controlo do jogo e incapacidade de travar a rapidez dos jogadores do Estoril.
Surpreendentemente, a segunda parte trouxe um FC Porto transfigurado, em parte graças a uma maior mobilidade do nosso meio-campo, com um Herrera a mandar no nosso jogo de ataque (apesar da onda negativa, acredito muito neste mexicano), em parte graças à entrada de um Varela que abanou com a defesa estorlista. Do outro lado, um Quaresma que, não sendo deslumbrante, dá tão mais qualidade à linha comparativamente a Licá, que só lhe temos de perdoar alguns excessos.
O treinador do Estoril está com aquele ar de quem vinha aqui aproveitar a onda e eliminar, na boa, o tricampeão nacional. Diz que foram "muito melhores" na primeira parte e que o FCP acabou por ser feliz na vitória. Incha, puto, não me esqueci das tuas atitudes quando jogámos no António Coimbra da Mota.

sábado, 1 de Fevereiro de 2014

Parabéns, Paulo Fonseca!

Paulo Fonseca pode conseguir, em duas épocas consecutivas, dois terceiros lugares no campeonato, o que, para um treinador da sua categoria, é muito bom. Agora, é só acreditar cegamente que é possível, mas, cuidado, o Estoril só está a 9 pontos!

sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014

Saldos é 300 km abaixo

Ainda faltam algumas horas para o mercado de janeiro encerrar nos campeonatos desportiva e financeiramente mais apelativos mas, fazendo fé no que a Skysports notíciou, parece que não estamos tão enterrados financeiramente que coloquemos a hipótese de entregar o título de Campeão Nacional a um qualquer clube da Segunda Circular, pelo menos, já em fevereiro:

"Sky sources understand that Manchester City have ended their transfer interest in Porto duo Eliaquim Mangala and Fernando. City had been holding talks throughout the day over a deal in the region of £35m for centre-back Mangala and midfield team-mate Fernando, but a plane which was booked to bring the pair over to Manchester has been cancelled and there is not now expected to be any more business at the Etihad Stadium."

Alegadamente, o FCP pedia 46 milhões de libras pelo duo (algo como 56 milhões de euros) e os ingleses terão confundido o nosso clube com uma certa agremiação da capital que só vendia a sua super estrela a quem batesse a cláusula de rescisão mas que se contentou com um meros 25 milhões.

domingo, 26 de Janeiro de 2014

Dolo(roso)

Leonardo Jardim, logo após o jogo em Penafiel, comentou, na conferência de imprensa, com um sorrizinho irónico, que o golo do Josué surgiu nos descontos, quando o Sporting já estava apurado. Teve, portanto, de se desapurar, o que é sempre chato. Bruno de Carvalho atirou em todas as direções com aquele tipo de frases meio enigmáticas que fazem excelente manchetes do Record. Hoje, lê-se na imprensa que se se provar que houve dolo por parte do FC Porto no atraso do início da segunda parte, podemos ser eliminados.
Pobo do Norte sabe que, durante o intervalo, Jackson Martinez se demorou um bocadinho mais na sanita, onde teve de dar vazão ao que restou da feijoada que comera no dia anterior em casa do Hélton. Daí a demora. A não ser que seja permitido pelos regulamentos começar-se o jogo com menos um.
Portanto, se aqui há algum dolo, ele só pode ser o doloroso desaparecimento do Sporting de mais uma competição nacional.

Robertice

André Gomes não mostrou nada no futebol português. Rotulado como "novo Rui Costa", falhou. Hoje, há um empresário que compra os "direitos económicos" do jogador aos coisinhos por 15 milhões. Atentem bem: 15 milhões por alguém que nunca se impôs na primeira equipa (eu chamo a isto um flop). De seguida, chovem as notícias: Manchester City interessado. Livepool de olho no craque. Esta história soa-me a "robertice".

domingo, 19 de Janeiro de 2014

Uma vitória para desenjoar

Jogar com onze dá sempre jeito e se esse décimo primeiro jogador se chamar Quaresma é muito provável que o jogo do FCP seja mais agressivo, mais contundente, mais letal. Depois, ter um Fernando que imprime ao nosso jogo uma rotação sempre alta e um Varela que decide mostrar que tem qualidade dá muito jeito. Uma vitória tranquila, com boa dinâmica geral e alguns exageros individuais (Kelvin, Kelvin...).
Ouço na rádio e na generalidade dos comentários online e televisivos que o Setúbal foi um adversário fraco, um adversário macio, um adversário que não fez o que devia fazer, etc... etc... etc... Já sabemos: uma goleada do FCP tem sempre como justificação o fraco trabalho do oponente, enquanto que uma goleada dos coisinhos é transformada numa espetacular demonstração  de poderio. Normal.

sábado, 18 de Janeiro de 2014

Pinto da Costa no Porto Canal

Nenhum portista estaria à espera que Pinto da Costa fosse ao Porto Canal dizer que Paulo Fonseca não serve. Muito menos que admitisse, ao virar da metade do campeonato, erros de casting nas contratações. O discurso teria de ser sempre de defesa do grupo e do clube. E aí seria normal que buscasse razões exteriores para justificar o insucesso. É assim em todos os clubes e, sejamos realistas, só não estamos habituados a este discurso porque temos a história de sucesso que temos. Por isso foi com naturalidade que o vi abordar as questões da falta de sorte (bolas nos postes e afins) e da arbitragem. Acho, porém, que neste segundo ponto talvez tenha exagerado no tom. Não que o desempenho de Soares Dias não nos tenha prejudicado, mas a nossa baixa qualidade futebolística deste ano não nos dá autoridade para disparar daquela maneira sobre o árbitro. Devíamos ter feito mais, nós. E, já agora, lembrarmos que Mangala fez penalti, também, antes do 2-0. Só faltava que o Presidente chegasse ao absurdo de dizer que o sacana do árbitro não quis assinalar o penalti - que o Hélton certamente defenderia - porque sabia muito bem que ali, naquele pontapé de canto, vinha o dois a zero.
Mas esta entrevista de Pinto da Costa trouxe, para mim, uma grande novidade, de que eu não estava à espera. Pela primeira vez, Pinto da Costa dedicou tempo aos comentadores portistas que têm lugar cativo nos talk shows futebolísticos. E quando eu falo em dedicar tempo não é limitar-se a uma ou outra referência lateral. Desta vez nomeou-os, traçou os seus perfis, criticou-os. A um ou outro, pretendeu descredibilizá-los. Pela primeira vez, vi um Pinto da Costa menos preocupado em zurzir no inimigo (coisinhos & lagartixas) e mais determinado a "responder" ao que entende serem ataques de portistas. Não posso deixar de entender esta reação como sinal de fraqueza. Críticas sempre houve, em determinados momentos de épocas menos conseguidas, mas Pinto da Costa nunca precisou de descer tanto "à rua" para as combater. Desta vez fá-lo porque se apercebe que a coisa está a tomar proporções diferentes e que aquelas opiniões dos comentadores de TV espelham o mal estar generalizado da opinião pública portista anónima em relação ao treinador, às opções, às escolhas, à SAD. E ao próprio Pinto da Costa.
É claro que, com meio campeonato por jogar, três pontos são uma insignificância, perfeitamente ao alcance de um "minuto Kelvin" ou de um "fator Quaresma" (mesmo que, pelo meio, apareça um Sporting ultra-motivado por um treinador competente) e o nosso Presidente já ganhou tantas batalhas contra a maledicência exterior e contra a falta de crença dos próprios portistas que esta é apenas mais uma. Eu também quero acreditar que a vamos ganhar. Mais uma vez. Mesmo assim, com esta fé inquebrantável, talvez não fosse má ideia trazer mais um ou dois que façam a diferença neste plantel.

segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014

Já sabem como é que isto acaba

Jogámos com alma e demos o máximo do pouco que temos (treinador incluído). E portámo-nos muito bem. Respeitámos o minuto de silêncio, não batemos em velhinhas de cachecol vermelho ao pescoço, nem destruímos mais do que vinte cadeiras. No campo, até metemos o Otamendi para lhes dar mais hipóteses de ganhar (o que o rapaz se esforçou para oferecer bolas jeitosas aos adversários!). Fomos simpáticos. O Danilo até conseguiu ser expulso quando poderia ter rematado à baliza. Fomos mesmo uns ótimos comparsas de homenagem ao "quingue". E no fim saíram todos satisfeitos: uns com o dever cumprido de oferecer a vitória ao Eusébio, outros com a "satisfação" de terem proporcionado ao adversário o momento alto da época. E o árbitro a necessitar de rever seriamente a noção de lei da vantagem e os critérios disciplinares. Agora falta meio campeonato e... já sabem como é que isto acaba.

sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

Mais o que é que você vai fazerrr dumingo à tardje...

Por causa da comoção nacional do início da semana, nem todos se aperceberam do falecimento do autor da frase (em português do Bráziu...) que serve de título deste post, um senhor chamado Nelson Ned, que fez furor em Portugal nos anos 60 e 70 do século passado (sim, da altura em que o Benfica ganhava campeonatos).

Como é comum na linguagem corrente desta semana, Nelson Ned é um ícone, um símbolo, alguém que tocava o coração dos portugueses, cuja importância transcende a sua área de atividade, um gigante, alguém com uma dimensão humana incomparável (piada fácil, eu sei), etc., etc., mas não consta que o Mário Soares tenha comentado que era um viciado em drogas duras e que bebesse tanto que chegou a dar um tiro na mulher, coisas que, já agora, parecem ser verdade. Também não é provável que que seja candidato a vaga no Panteão Nacional... talvez por ser brasileiro.

Pois bem: mas, para lá de fazer humor negro à moda do Bruno Nogueira, para que serve esta introdução à história da música pimba do tempo em que o Benfica ganhava campeonatos? Afinal, que é que a malta do Pobo do Norte "vai fazer domingo à tarde"? "Bamos à capital do império" visitar o nosso salão de festas, carago!

Por isso, já sabem (e aqui vai mais um toque ácido "à Bruno Nogueira): quando estiverem a ver o jogo no café ou em casa de um amigo benfiquista (portista que se preze não subscreve canais de outras religiões), procurem nas bancadas o gajo que tem um cartaz a dizer "Eusébio, dá-me a tua camisola" - sou eu. Ou talvez não...

segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014

Eusébio - o post que quis evitar

Antes de dizer o quer quer que seja sobre o assunto, faço a ressalva do seguinte: vida e morte são coisas que estão muito para lá do valor que possamos atribur nas nossas existências ao futebol, pelo que mesmo um gajo como eu, que adora futebol e despreza tudo o que diz respeito ao SLB, deve saber distinguir entre a importância de alguém para a modalidade (coisa obviamente discutível e pouco objetiva) e a importância de estar vivo ou morto (valor absoluto e inquestionável). Morreu um homem, de idade avançada, é certo, mas que tinha família e amigos. E a morte é sempre motivo de consternação, pelo menos, para os que lhe eram próximos. Ponto final.

Eu não vi o Eusébio jogar "ao vivo". Mas vi, inevitavelmente, as imagens do Portugal-Coreia e ouvi o meu pai e outras pessoas que viveram aquelas emoções em tempo real falar com desmesurado fascínio das proezas do dito senhor. Porém, fosse ele um símbolo do F. C. Porto ou tivesse ele conseguido ganhar o Mundial de Futebol a mancar, jamais compreenderia, como não compreendo, esta depressão coletiva em que supostamente o país e o mundo se encontram desde ontem.

Eusébio foi um enorme futebolista, cuja lenda perdura. E fê-lo atuando num tempo em que a mediatização em torno do futebol era incomparavelmente menor. Uma proeza fantástica, claro, sobretudo num país triste e cinzento como o do Portugal salazarento. Mas, que fique claro, Eusébio, a despeito das narrativas fabulosas que li ontem e hoje, não deu mais nenhum contributo significativo ao país nem se distinguiu em rigorosamente mais nada do que o pontapé na bola (tal como o Cristiano Ronaldo). Não era nem um cidadão que merecesse distinção, nem sequer um modelo de desportista e muito menos um atleta disciplinado.

E quanto a intervenções públicas extra-futebol nem faz sentido falar do assunto porque o senhor, como disse o velhinho Mário Soares, rompendo involuntariamente a ladainha apologética, era um "homem modesto e muito simpático", "com pouca cultura" e que "bebia muito".

Resumindo, a dimensão alegadamente icónica de Eusébio da Silva Ferreira vale para o planeta do futebol e, muito especialmente, para os megalómanos lunáticos do Benfica, mas somente isso. Já agora, vale também para o Luís Freitas Lobo e para o João Rosado, cujas declarações em tom lacrimejante escutei ao fim da tarde no "Jogo Jogado" da TSF. Tentarem fazer dele uma espécie de Mandela tuga é, no mínimo, uma parvoíce que a própria pessoa de Eusébio por certo não reclamaria.


sábado, 4 de Janeiro de 2014

Paulo Fonseca, o moçambicano

Todos sabemos - ou não - que Paulo Fonseca é natural de Nampula, Moçambique, onde nasceu há 40 anos, mas a TVI24 vai mais longe e coloca na sua boca a variante africana do português. Então reparem lá na frase que acompanha a imagem do nosso treinador.


A imagem de 2013

Com 86% dos botos. Obrigado pela participação.


quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014

31 anos a criar melões

Hoje, no treino aberto aos adeptos, Pinto da Costa referiu o FC Porto como "alvo a abater por alguma imprensa lisboeta", uma questão, aliás, recorrente, segundo ele, nos últimos 31 anos. Obviamente que qualquer portista concordará com as afirmações do Presidente e exemplos não faltarão na memória de cada um de nós. Ainda neste fim de semana, a primeira página de A Bola sobre o Sporting-FC Porto mostrou claramente como se pode ir além do puro objetivo informativo para denegrir uma equipa, um conjunto de jogadores e um clube.

(clicar na imagem para aumentar)
A manchete "Muito Mais Leão" não se discute, enfim, poder-se-ia dizer que apenas houve muito mais leão após a substituição de Fernando e a expulsão de Carlos Eduardo, e que, durante grande parte do jogo as coisas estiveram controladas, mas admite-se a superioridade leonina no jogo jogado. A questão entra no âmbito do achincalhamento quando se lê as frases que vão preenchendo o resto da página, caracterizando o tricampeão nacional como "pequenino" (atenção ao diminutivo) face a um "domínio avassalador" do Sporting. Eu, sinceramente, guardaria este adjetivo - avassalador - para outras ocasiões. Como se não bastasse esta síntese, já um tanto ou quanto provocadora, temos duas frasezinhas, no final da página. Na primeira diz-se que o FC Porto foi a Alvalade "defender o pontinho" (repare-se, mais uma vez, no preciosismo do diminutivo) e na segunda refere-se o "Banho de bola da equipa de Jardim" que não suficiente para vencer. Portanto, quem não tivesse percebido o "Domínio avassalador" no cimo da página, tinha aqui o "Banho de bola" para esclarecer todas as dúvidas.
Não sei quem fez a reportagem do jogo, mas não me admiraria que o conteúdo desta capa fosse da responsabilidade de um José Manuel Delgado ou de um Vítor Serpa. São 31 anos a criar muito melão e o corpo diretivo e redatorial de A Bola figura, sem dúvida, entre os nosso maiores "beneficiários".