quarta-feira, 16 de Julho de 2014

That Indi look


Preparem-se. Este homem vai espalhar o terror pelos avançados adversários.

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Do mundial (X)

1. Do segundo dia de quartos-de-final, nada de surpreendente houve a registar. Ou melhor, poder-se-ia esperar um pouco mais de uma Bélgica que tão boas individualidades tem, mas, na realidade, aconteceu-lhes o mesmo que à França. Na hora da verdade, contra uma seleção mais experiente, caíram, sem que se pudesse falar sequer em vitória moral ou qualquer coisa parecida que as fizesse sair do mundial em relativa glória (como aconteceu com a Colômbia).

2. Sempre disse, já dos tempos dos coisinhos, que Witsel era um jogador sobrevalorizado. É bom jogador, mas não é um craque à escala planetária (como eram, no seu tempo, por exemplo, um Enzo Scifo ou um Jan Ceulemans) como quiseram fazer dele. Apesar da qualidade técnica, de passe, principalmente, e de aparecer bem na área para finalizar, acho-o lento e afastado do jogo em grandes períodos de tempo. Quanto ao "nosso" Defour, só posso dizer que foi realmente uma pena não se ter valorizado para ainda nos render uns trocos.

3. A Argentina também não me convence por aí além, mas, lá está, com Messi tudo pode acontecer (de bom) a uma seleção. E se Di María estiver num dia daqueles (já não vai estar mais, o que é uma pena) e o Higuaín resolver acertar na baliza...

4. A Costa Rica foi surpresa, mas não chegou a sensação. Teria sido sensação se tivesse eliminado a Holanda. Não eliminou, nem o merecia. A Holanda foi melhor, porque tem jogadores melhores. Mais pragmático que isto não posso ser. Por falar em pragmatismo, não haveria muito para dizer sobre o jogo para além das defesas do Navas se Van Gaal não tivesse substituído o guarda-redes para os penaltis e proporcionasse, assim, assunto para mais trinta minutos de debate, opinião, análise nos programas televisivos.

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Do mundial (IX)

1. É por isto que nunca hei de gostar do Brasil de Scolari: com 2-0 e vinte minutos para jogar, começaram a despejar bolas para a frente, sem nexo, algumas para fora, outras para o "quintal". O Brasil a atirar bolas "para o quintal". O Brasil a jogar à Ramaldense (com todo o respeito pela coletividade de Ramalde). Este Brasil não seduz, este Brasil morde os calcanhares ao adversário até ele cair. Este Brasil não quer massacrar os adversários, este Brasil quer acima de tudo rezar. E que o jogo acabe rapidamente, logo que se apanha a ganhar. Não gosto disto, mas é disto que o Brasil de Scolari é feito.

2. A Colômbia deu 45 minutos ao Brasil, mas também foi forçada a isso. Este é o Brasil mais agressivo - no bom sentido - de que me lembro, o que tornou o jogo de pé para pé dos colombianos uma tarefa quase impossível. Sempre no limiar da falta (ou mesmo em falta), o "exército" de Scolari não deixou a Colômbia respirar e o golo madrugador ajudou, e muito, a desorganizar os jogadores de Pekerman. O selecionador da Colômbia parece ter qualquer coisa contra Jackson Martínez, que, hoje, nem terceira opção foi. Começou o jogo Ibarbo (um mistério para mim, a titularidade deste homem), depois entrou Ramos e, finalmente, Bacca, supostamente quem deveria disputar o lugar com... Jackson. Outro homem que esteve abaixo do que costuma fazer, e disto se ressentiu o jogo de ataque da Colômbia, foi Cuadrado. Com Guarín, no lugar de Aguilar, percebeu-se a intenção de dar mais força ao ataque, mas o ex-FCP passou ao lado do jogo. Correu mal a Pekerman.

3. Poder-se-ia dizer que a falta que dá origem ao livre de David Luiz não existiu. Ou que o fora-de-jogo marcado no golo de Yepes foi assinalado muito tarde (só quando a bola entrou). Mas acho que até aí a Colômbia teve azar. O árbitro teve uma tarefa muito difícil e foi preciso muito sangue frio e tolerância para não desatar a distribuir amarelos a torto e a direito com tantos nervos à flor da pele. Um Xistra varria, hoje, este jogo a amarelos e duplos amarelos.

4. Paulo Sérgio, jornalista da RTP, viu três jogadores colombianos no aquecimento, dois deles Jackson Martínez e Quintero, mas o que lhe saiu foi isto: "Três homens colombianos a aquecerem. Um deles é Carlos Bacca". Quando Quintero entrou, o homem pareceu surpreendido, como se, de repente, se lembrasse que o miúdo também foi ao mundial. Isto não é propositado. Isto é mesmo incompetência de alguém que está formatado para determinados jogadores de determinados clubes. Não consegue melhor. É mesmo assim.

5. Na hora da verdade, a jovem França não aguentou a parada. Apesar do resultado escasso, nunca me pareceu que a vitória alemã estivesse em perigo. E, depois, quem tem um gigante na baliza (em tamanho e em qualidade) "arrisca-se" a não sofrer golos. Aquele braço estendido, no último minuto, a parar o remate de Benzema, foi o símbolo da força desta Alemanha. E que grande jogo vem aí com o Brasil.

quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Do mundial (VIII)

1. Está a ser o Mundial dos guarda-redes. Ochoa, Eneyama, Mbolhi, Howard, Ospina, Neuer, Courtois, Júlio César, entre outros. A destoar: Akinfeev e Casillas (Rui Patrício só jogou um jogo).

2. Está a ser o Mundial dos prolongamentos. Este último, entre a Bélgica e os EUA, valeu por todo o campeonato. Que grande jogo, que festival de ataque, que lição de querer e talento. Está a ser, também, um Mundial que não aconselha a que se saia do estádio cinco minuto antes do fim do jogo já que muita coisa se tem decidido nos últimos instantes. E muitos guarda-redes têm subido à área adversária para tentarem a sorte.

3. Está a ser o Mundial dos árbitros auxiliares, vulgo, bandeirinhas. Ainda não ouvi ninguém referir isto, mas está a ser impressionante a qualidade destes homens, sempre muito bem colocados e a tirarem foras-de-jogo milimétricos quase sempre com acerto. As arbitragens, em geral, têm estado muito bem, mas o meu aplauso vai para os homens da bandeira.

segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Do mundial (VII)

1. Acabei de ver a Costa Rica passar aos quartos e pela primeira vez nutri uma certa simpatia pela Grécia. Esta seleção de Fernando Santos não é apenas sangue, suor e lágrimas. Tem ali muito talento escondido. E por ventura se pudesse voltar ao onze da fase de grupos, escolheria o defesa-esquerdo Cholebas, uma jogador de grande qualidade. E depois há o extremo-direito Christodoulopoulos. E o velhinho Karagounis, talvez o jogador grego mais decisivo dos últimos dez anos. O jogo acabou por ter apenas um sentido depois da expulsão do defesa da Costa Rica e foi curioso ver uma Grécia a ter de pegar no jogo e fazer-se à vida. E fê-lo bastante bem, sufocando os costa-riquenhos, cujo guarda-redes é, na realidade, um dos melhores deste torneio. Se já não for do FC Porto, a partir de hoje não será, digo eu.

2. À tarde, foi a Holanda quem passou frente a um México que não soube gerir a condição física dos seus jogadores, o que não deixa de ser irónico tendo em conta tudo o que se tem dito sobre as condições atmosféricas neste mundial e da forma como prejudicam as seleções europeias, supostamente menos bem preparadas. Quando se exigia, por exemplo, que Herrera fosse substituido - estava esgotado - o treinador mexicano preferiu mantê-lo em campo e oferecer o domínio de jogo ao rolo compressor holandês, comandado por esse rapaz intratável de nome Arjen Robben. Por acaso, acho que sacou bem aquele penalti e o Proença foi no filme, mas já era da mais elementar justiça a qualificação da laranja.

3. Ontem, Brasil e Chile foram até às grandes penalidades, e, mais uma vez, na minha opinião, passou a melhor equipa, com os melhores e mais bem preparados jogadores. Acho que este Brasil está a subir de produção gradualmente a apresenta uma intensidade de jogo pouco habitual para uma equipa sul-americana. A rotação é muito alta. o que não é de estranhar tendo em conta que quase todos os seus jogadores estão habituados ao ritmo europeu. O Chile foi até onde conseguiu ir e a barra de Júlio César deixou.

4. E finalmente a Colômbia, que é um prazer ver jogar e se vai assumindo como uma das candidatas ao título mundial. E nunca um jogo do mundial disse tanto aos adeptos portugueses como este Colômbia-Uruguai: acho que eram oito os jogadores que passaram ou ainda jogam em Portugal. James é o homem do mundial, para já, e enche-me de satisfação saber que já vestiu de azul e branco. Agora, o que eu gostaria mesmo era de ver o Jackson a ser o melhor marcador do Mundial e o Quintero a afirmar-se como alternativa muito séria ao próprio James. Esses sim, são jogadores do FC Porto!

sábado, 28 de Junho de 2014

Do mundial (VI)

Não vi os jogos todos - um gajo tem uma vida, pá - mas vi alguns e fui-me apercebendo do desempenho de alguns jogadores. Assim, fica aqui o meu onze desta fase de grupos, composto por jogadores que gostei de ver jogar (não necessariamente os melhores):

ochoa (méxico)
johnson (eua)
medel (chile)
gonzalez (costa rica)
blind (holanda)

aranguiz (chile)
hazard (bélgica)
james rodríguez (colômbia)
robben (holanda)

messi (argentina)
neymar (brasil)

sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Do mundial (V)

E pronto, terminou a fase de grupos do mundial  do Brasil. Aqui ficam algumas ideias "a martelo" sobre cada um dos grupos.

Grupo A
Apuram-se Brasil e México, com uma igualdade pontual que só surpreenderá quem não viu as prestações das duas equipas. Mantenho o que disse sobre o escrete: não me entusiasma, é previsível e vive muito dos fogachos de Neymar e Oscar. O México revela a qualidade que já lhe conhecíamos e revela ainda ao mundo um Herrera que tem e dever ser mais bem aproveitado no seu clube.

Grupo B
A Holanda varreu o grupo e é o melhor ataque deste mundial com dez golos em três jogos. Tem em Robben uma das figuras, senão a figura, deste torneio até ao momento. O declínio da Espanha adivinhava-se (em paralelo com o do Barcelona...) e agora é ver como vão os espanhóis fazer a transição de gerações para o europeu de 2016. O Chile confirmou que tem aqui uma geração de ouro, superior, quanto a mim, às de Zamorano ou de Marcelo Salas. Este grupo contou, ainda, com uma das duas piores seleções deste mundial, na minha opinião: a Austrália.

Grupo C
A Colômbia dos nossos meninos e ex-meninos passeou classe neste grupo. Só de imaginar o que seria se Falcao estivesse disponível... Jackson já deixou a sua marca, com dois golos, mas Quintero foi uma desilusão neste último jogo (depois de ter também marcado anteriormente). Alguém que o ensine a jogar simples, que é, afinal, o segredo dos grandes jogadores: pôr o talento ao serviço da simplicidade de processos. A Grécia acabou por ser o menos mau dos outros três.

Grupo D
E no grupo da morte foi o underdog que levou a melhor. Grande e agradável surpresa, esta Costa Rica, que tem em Campbell e Ruiz dois craques de grande nível. Já aqui escrevi que tenho pena de não ver esta transição de gerações da Inglaterra dar melhores resultados, mas quem joga contra um Uruguai que conta com a melhor geração da jogadores deste Francescoli arrisca-se a perder. Em relação à punição a Suarez pela dentada a Chiellini, acho que a Fifa esteve bem. E, já agora, alguém que providencie tratamento psiquiátrico ao avançado uruguaio. Aquilo não é normal. Uma palavra final para a Itália: prometeu contra a Inglaterra, mas depois foi sempre a descer. Falta ali um talento puro e jovem no meio-campo. Pirlo (já) não dá para tudo-

Grupo E
Este foi o grupo em que as duas seleções americanas (centro e sul) ficaram pelo caminho, a exceção que confirmou a regra. A França apresentou-se cheia de vontade de mostrar serviço, com muita juventude e talento para dar e vender. Estou curioso para ver até onde são capazes de ir. A Suiça precisou que o seu craque aparecesse para passar à fase seguinte: Shakiri mostrou por que razão o Bayern o foi buscar.

Grupo F
A Argentina cumpriu a sua obrigação, sem brilho, é certo, mas com Messi a causar danos consideráveis nas defesas adversárias. Para mim é um mistério Rojo ser titular desta seleção. Não há mesmo mais ninguém para jogar ao lado de Garay? Apurou-se ainda a Nigéria, a menos má das três seleções que completavam o grupo. Ainda assim, uma menção honrosa para o Irão de Queirós, que fez um jogão contra os argentinos.

Grupo G
Olhando friamente para as nossas prestações, é fácil concluir que não merecemos passar à fase seguinte. Temos uma seleção envelhecida, com um treinador que preferiu manter a "família" unida (e algumas vacas sagradas a pastar em campo...) do que apostar já numa pequena renovação que poderia ter dado jeito. A Alemanha acaba por ganhar o grupo naturalmente, mas a nossa posição no ranking exigia que tivéssemos dado alguma luta aos alemães. E, já agora, que não ficássemos atrás dos EUA, uma seleção simpática, mas que nem de perto nem de longe tem o valor individual que a nossa tem.

Grupo H
A Bélgica confirmou as expectativas que todos tínhamos: venceu o grupo e mostrou argumentos individuais e coletivos para sonhar com altos voos. Defour apareceu hoje e foi expulso. Obrigado, Steven, já não nos podemos rir do Maxi Caceteira e dos coisinhos. A Argélia chega finalmente aos oitavos de final, algo que era suposto Madjer ter conseguido há 32 anos, mas que um arranjinho entre Alemanha e Áustria impediu... Slimani confirma que é um ponta de lança... daqueles que davam imenso jeito a Portugal.

terça-feira, 24 de Junho de 2014

Do mundial (IV)

1. Herrera está a mostrar, como diz o André Pinto nos comentários ao post anterior, que merece maior crédito por parte dos adeptos portistas. A propósito disto, dizia hoje o Carlos Daniel, na RTP, que o adepto incorre no erro de olhar para o jogador como uma ilha, sem ter em conta o contexto em que está inserido. E o médio mexicano foi um pouco uma vítima disso. Tal como tinham sido Diego ou Luis Fabiano, por exemplo. Esperemos é que não se confirme a pior previsão do André, que seria a venda do jogador após o Mundial.

2. A França, ao contrário de Portugal, fez muito bem a transição entre a geração antiga e a nova, e mostra-se no Brasil com uma equipa renovada e cheia de vontade de fazer coisas. A Inglaterra também, apesar de, neste caso, os resultados não terem correspondido. Portugal, e volto ao Carlos Daniel, não tem nenhum grande jogador na faixa 22-27 anos, o que pode ajudar a explicar o fracasso desta prestação no Brasil.

quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Do mundial (III)

1. Acabei de ver o Katsouranis a ser expulso contra o Japão. E vão dois. Depois de Maxi Caceteira, é só mais um jogador conotado com os coisinhos a ver o olho da rua.
2. Hoje foi dia de ver Quintero mostrar-se ao Mundial. E logo com um golo pleno de classe. Que seja o prenúncio de uma grande época de azul e branco vestido. Já agora, ao lado de um Herrera que também tem marcado pontos na seleção do México. Acredito muito neste jogador. Apenas tem de pensar à velocidade europeia porque técnica e capacidade de remate, ele tem.
3. À exceção de Herrera, e do Quintero de hoje, não se pode dizer que a participação do FC Porto neste Mundial esteja a ser muito auspiciosa. É que todos os restantes jogadores são suplentes nas suas seleções: falo de Jackson Martínez, Reyes, Ghilas, Mangala, Defour e... Fucile. Ah, e Varela, também. Deste grupo, aquele que se me afigura como mais surpreendente talvez seja Jackson, que não aproveita a ausência do titular, Falcao.
4. Tenho pena da quase certa eliminação da Inglaterra. Aliás, lamento nunca ter assistido a uma vitória desta seleção num grande evento mundial. No Brasil, aquele misto de veterania e juventude está a proporcionar, juntamente com os adversários respetivos (Itália e Uruguai), dos melhores espetáculos que este Mundial tem visto.
5. Continua o descalabro ibérico neste Mundial. Após três jogos, há um parcial de 1-11 contra, relativamente a Portugal e Espanha juntos, contra os adversários. Sinceramente, estou muito pessimista em relação ao próximo jogo. Com tantas ausências, um CR7 a meio gás e a nítida falta de qualidade por parte de alguns jogadores...

segunda-feira, 16 de Junho de 2014

Do mundial (II)

1. Irrita-me quando nos armamos em vítimas indefesas do destino. Isto a propósito da lesão do Fábio Coentrão e de o comentador ter dito qualquer coisa como "Que mais nos irá acontecer hoje?". Como se não tivesse sido falta para penalti (Foi!). Como se o Pepe, burro, não tivesse merecido dois amarelos seguidos, primeiro pelo braço na cara de Muller, depois pelo inteligente "encosto" de cabeça. Como se a nossa seleção não tivesse entrado em campo lenta, amorfa, e com pouca vontade de chegar rapidamente à baliza adversária. Como se tivéssemos um ponta de lança decente. Como se tivéssemos melhor no banco que um banal André Almeida ou um inócuo Ederzito. Como se Paulo Bento tivesse tomates para pôr em campo o William Carvalho.

2. Foi das piores exibições da nossa seleção de que me lembro. Mas não somos tão maus quanto este resultado quer fazer crer. Nem somos tão bons quanto a goleada à Irlanda sugeriu.

3. Dos jogos anteriores, o meu destaque vai para o Inglaterra-Itália, um jogo de futebol como devem ser os jogos de futebol, com duas equipas em alta rotação, a quererem, ambas, ganhar o jogo. A Inglaterra com putos de qualidade, a Itália, muito sólida. O outro destaque vai para a Costa Rica, que bateu o Uruguai e valeu uma linda expulsão ao defesa direito dos coisinhos.

sábado, 14 de Junho de 2014

Do mundial (I)

1. Acabei de ver a Colômbia a dar três secos à Grécia e a mostrar que é realmente candidata a ganhar o grupo em que se encontra. De Jackson viu-se pouco, alguns minutos sem nada de relevante, e de Quintero nada, pois não saiu do banco. James é o criativo de uma equipa que promete ir longe. E é mesmo uma pena não estar lá Falcao. É que Ibarbo ou Jackson não são propriamente a mesma coisa.

2. O facto mais relevante do Mundial, até ao momento, foi a goleada da Holanda à Espanha. A seleção de Aragonés Del Bosque começou com um onze de "velhas glórias" e agora o povo do futebol pede malta nova no onze. Isto faz-me lembrar aquele Portugal que perdeu com a Grécia no Dragão, no primeiro jogo do Euro 2004, com Rui Costa (32 anos) e Fernando Couto (35) titulares, e Ricardo Carvalho (26), Cristiano Ronaldo (19) e Deco (27) no banco. Quanto à dupla Van Persie-Robben, só uma palavra: maravilha!

3. Longe vão os tempos em que parava tudo para ver a canarinha. Eram os tempos de Romário, de Ronaldo, de Rivaldo, e de Ronaldinho Gaúcho (para não recuarmos à fabulosa seleção de 82), por exemplo. Este Brasil de Scolari é previsível e, a espaços, entediante. Há Oscar e há Neymar, mas o resto... E nem mesmo Hulk parece o mesmo.

segunda-feira, 19 de Maio de 2014

quinta-feira, 15 de Maio de 2014

É um bocadinho nossa também

A Liga Europa que o Sevilha ganhou ontem aos coisinhos é um bocadinho do FC Porto também.
Desde logo porque fomos eliminados pelo vencedor do troféu e, pasme-se, ganhando-lhes um jogo, feito que a galinhagem não conseguiu fazer em 120 minutos. Nem sequer marcar-lhes um golo.
Depois, claro, Beto, que já fez parte dos quadros do FCP. Ontem, quando olhava para aquelas defesas, via ali toda uma nação portista a apoiar o guarda-redes português. Éramos todos nós, de azul e branco, a parar os remates do Lima, do Cardozo ou do Rodrigo.
Em terceiro lugar, porque, quando os coisinhos já perdiam na marcação das grandes penalidades, o cromo do jornalista da SIC dizia "Calma! Também no Dragão, o Benfica começou a perder nos penalties e conseguiu dar a volta!". A partir desta afirmação (como se necessária ela fosse) todos nós nos sentimos identificados com o Sevilha, certo?
Finalmente, a curiosidade de o Cardozo ter usado uma bota de cada cor, uma delas azul, o que conseguiu arrancar um sorriso maroto ao cromo da SIC. Eu acho que foi com a bota azul que ele falhou o penalti, facto com que devemos estabelecer uma óbvia relação mística com o universo portista.
Pelo anteriormente exposto, é evidente que esta Liga Europa é também um bocadinho nossa.

sexta-feira, 9 de Maio de 2014

10 anos, 10 meses, 10 dias

Hoje este blogue faz dez anos, dez meses e dez dias. Resolvemos assinalar a data porque, na verdade, nos esquecemos do décimo anivérsário, que foi em junho do ano passado. Estávamos ainda inebriados pela euforia do minuto Kelvin e nem nos lembrámos que o Pobo do Norte completava uma década.
De qualquer modo, também é bonito fazer dez anos, dez meses e dez dias. Isto é muito tempo. E são muitos títulos: oito campeonatos, quatro taças de Portugal, oito supertaças, uma Liga dos Campeões, uma Liga Europa e uma Taça Intercontinental. Desafio qualquer blogue vermelhusco a apresentar palmarés idêntico (podem incluir troféus Guadiana e Eusébio, que nós deixamos).
Não deixa de ser irónico que festejemos estes 10, 10, 10, no final da pior época do FC Porto, a todos os níveis, de que me lembro. Mas estamos cá para dar a volta.

terça-feira, 6 de Maio de 2014

O melhor treinador do mundo

Julen Lopetegui é, a partir de hoje, e até prova em contrário, o melhor treinador do mundo. Porque está no melhor clube do mundo. A partir daqui não há discussão.
Quanto ao resto, em conversa com um amigo portista, ele dizia-me hoje que esta contratação, tendo na sombra a figura de Jorge Mendes, tem todo o estilo de ser em formato pack. Vem o treinador e com ele três ou quatro jovens promissores do campeonato espanhol. Uma espécie de experimente a paella, que está a bom preço, e leve estas tapas para abrilhantar a refeição. Eu por acaso, quando isto não passava de um boato, lembrei-me que se andava já há alguns meses a falar de espanhóis. Primeiro o tal Azoye, depois o Tello...
Bem, uma coisa é certa. Os meninos do atual plantel têm já, no sábado, contra os coisinhos, uma oportunidade de ouro para comerem a relva e mostrarem ao futuro mister que merecem fazer parte do plantel 2014/2015. O timing foi oportuno, portanto.

domingo, 4 de Maio de 2014

(...)


quarta-feira, 30 de Abril de 2014

Os médios da seleção

E de repente a seleção enche-se de médios. Miguel Veloso tem sido o titular na posição 6, mas há que contar com William Carvalho, que encheu os campos da época futebolística interna. Depois, há Raul Meireles a fazer de Abel Xavier para dar aquele toque kitsch-exótico à coisa. E Fernando, o melhor de todos na difícil arte de tirar a bola ao adversário, mas com vistas curtas no que diz respeito ao ataque. E agora? Agora, como se não bastasse esta malta toda, entra em cena Tiago, titularíssimo do finalista da Champions e provável campeão de Espanha. Que hipóteses terão Adrien, Josué ou Ruben Amorim, por exemplo?

terça-feira, 29 de Abril de 2014

Patriotinhas

Eu gosto muito do meu país, mas não alinho em ondas patrioteiras de nível rasteiro. A Bola de hoje afirma, na primeira página, com toda a imparcialidade que se lhe reconhece - que a "UEFA quer Juventus na final". Isto porque a Juventus formalizou uma queixa contra o argentino e a UEFA está a analisar o caso. A Juventus tem o direito de o fazer e a obrigação de o provar. A UEFA tem a obrigação de proceder conforme os regulamentos e averiguar. Aos coisinhos resta-lhes estar de consciência tranquila, partindo do pressuposto que é tudo invenção dos italianos. Por isso, não se percebe - ou se calhar percebe-se - toda esta histeria do pasquim em causa.
De repente, dei por mim a sorrir. Esta UEFA, que agora é criticada pelos coisinhos e pelo seu jornal de estimação pela celeridade na condução do processo, é a mesma UEFA que analisou as queixas desta malta contra o FC Porto e a quem foi pedida rapidez na expulsão do nosso clube da Champions. Portanto, a bem do futebol, a bem da transparência, a bem do cumprimento dos regulamentos, a bem do fair-play, acho que todos os benfiquistas deviam aceitar que este caso se decida rapidamente.

domingo, 27 de Abril de 2014

Falta muito para isto acabar?

A melhor coisa que podia ter acontecido aos coisinhos, hoje, foi a expulsão de Steven Vitória. Até esse momento, estávamos por cima, íamos criando sucessivas situações de perigo para Oblak e adivinhava-se que um golo pudesse surgir. Como disse Luís Castro, depois da expulsão, eles recuaram e fecharam-se. Se a jogar com 11 defendiam com 6 ou 7, a jogar com dez passaram a defender com 9 (sem contar com o GR). A partir daí, foi incompetência nossa. Portanto, nada que já não soubéssemos. Lentidão, previsibilidade, mediocridade. E um Quaresma diminuído fisicamente, que nada acrescentou ao jogo da equipa e que mostra, mais uma vez, a sua faceta de prima donna. Depois, entra Quintero, que fica a jogar longe de Jackson. E Ghilas, que vai para a linha. Estamos para sempre presos ao 4-3-3 - por decreto diretivo - ou haverá alguma vez uma hipótese de se mudar?

quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Defour

Sinto-me envergonhado por ter dado tanto benefício da dúvida a este jogador. Sinto-me envergonhado por tê-lo defendido quando me diziam que não era jogador para o FCP. E por ter achado que era uma questão de o pôr a jogar regularmente, que logo iria "explodir". Ontem, foi vergonhosa a sua exibição. Nem um passe de rotura, nem um corte, nem uma jogada de envolvimento. Passes para o lado, para trás, para o lado, alguns sem precisão, sem força, enfim... O Herrera foi mau, mas este conseguiu ser pior. E só lhe dedico um artigo porque não me esqueço dos choradinhos na imprensa a reclamar a titularidade e as ameaças "olhem que me vou embora". Vai, faz um grande Mundial e não voltes.

Zero

Este jogo mostrou... Espera, este jogo não mostrou nada que já não soubéssemos. Então, este jogo veio confirmar... Não, o de Sevilha já tinha confirmado o que antes sabíamos. Então, que porra de conclusões podemos tirar deste jogo na Luz? Nenhumas. Nada a dizer. Zero. Igual a Defour. Igual a Herrera. Igual a toda a equipa.

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Tragédia sevilhana

Aquilo que nos aconteceu hoje, nos primeiros 30 minutos, podia ter acontecido em Nápoles. É preciso não esquecer o que sofremos naquele jogo, antes de conseguirmos dar a volta ao resultado. Por isso, esta tragédia em Sevilha não foi propriamente uma surpresa. Foi muito triste, mas não foi inesperado. Os erros de hoje foram os erros de Nápoles, só que em Itália tivemos mais sorte. E hoje não tivemos Fernando e Jackson Martinez.
Esta é a derrota de um conjunto de dirigentes que falhou em toda a linha na construção do plantel para a época 2013-2014. Que não foi capaz de encontrar, por exemplo, duas alternativas minimamente credíveis para os nossos dois laterais brasileiros que, há dois anos consecutivos, jogam sem parar. Esta é a derrota de um plantel limitado, de um plantel construído de forma pouco sagaz, de um plantel órfão de um líder em campo. É a derrota de uma SAD que "reforça" a equipa em janeiro com "velhas glórias" porque já perdeu o domínio sobre o mercado jovem português. É a derrota de um Presidente que, pela primeira vez, reage e desce ao nível dos os comentadores televisivos portistas. É a derrota de uma SAD que prefere processar judicialmente um comentador portista num jornal inimigo em vez de olhar para dentro. É a derrota de uma SAD que se descontrola em direto, na TV, perante todo o país. É a derrota de um Presidente que vem apostando em jovens treinadores consecutivamente, sem qualquer estatuto no futebol, sem perceber que o "fenómeno André Villas-Boas" só acontece quando o rei faz anos (e, já agora, com Hulks e Moutinhos no plantel). Enfim, poderia continuar aqui a enumerar situações que hoje me vêm à memória, mas o melhor é ficar por aqui.

segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Ligados à Europa

Com as baterias apontadas à Liga Europa, fizemos, hoje, na primeira parte, uma boa exibição do meio-campo para a frente, com uma eficácia que deitou por terra qualquer veleidade defensiva da Académica. Na defesa, só não sofremos nos primeiros 45 minutos porque tivemos um gigante (não apenas em tamanho) chamado Fabiano. Abdoulaye parece querer acusar a onda negativa transmitida pelos adeptos em relação às suas mais recentes exibições. Reyes, por outro lado, afirma-se de jogo para jogo, mas não dispensa um patrão ao seu lado. Gosto da dinâmica e criatividade que Quintero dá ao jogo da equipa, gosto da clarividência - ainda que lenta, por vezes - de Herrera. E gosto de ver um Ghilas a crescer, também, seja no centro do ataque, seja nas alas.
Quinta-feira vamos passar um mau bocado em Sevilha, mas estou confiante. O onze, no meu entender, deveria ser este:
Fabiano
Danilo, Mangala, Reyes e Alex Sandro
Defour, Herrera e Josué (mas eu sei que o treinador vai pôr o Carlos Eduardo de início)
Varela, Ghilas e Quaresma

quinta-feira, 27 de Março de 2014

Coação é isto

Se a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga não considerar o comportamento do Sporting como coação aos árbitros, então não sei o que será isso da "coação". Mais vale retirarem esse ilícito do nosso futebol e, a partir daí, valerá tudo para condicionar, ameaçar, intimidar.
Falar de árbitros, antes e depois dos jogos, está-nos no sangue. Faz parte. Mas, caramba, nunca um clube tinha ido ao ponto de querer responsabilizar criminalmente os homens do apito, incluindo, pasme-se, os da época anterior, altura em que nem sequer estavam no ativo os atuais dirigentes lagartais. De entre tudo o que foi organizado pelo Sporting na semana anterior ao jogo da roubalheira, esta questão dos processos em tribunal e das indemnizações foi a que mais me chocou. Ou divertiu, ainda não me decidi.
Acredito que isto não vai dar em nada ou, na pior das hipóteses, para o Sporting, será decidido lá para junho ou julho com derrota para os viscondes, contanto que não implique alteração na classificação. De uma comissão que puniu Jesus com suspensão num período em que não havia competição é de esperar tudo.

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Não ajoelhou, mas rezou uma avé maria

Jesus nunca analisa os jogos que perde e, normalmente, irrita-se com as perguntas dos jornalistas, quando estes lhe pedem que explique a razão das derrotas. Quando ganha, Jesus transforma-se no catedrático, expondo as suas virtudes de estratega e de visionário. Jesus sabe tudo antes dos jogos, prevê tudo, domina tudo. Jesus, o omnisciente. Quando perde, como aconteceu hoje, irrita-se e entra naquele tipo de discurso nebuloso que ninguém percebe, nem mesmo ele.

sábado, 22 de Março de 2014

Vata, 24 anos depois

Se o Vata diz que foi com o ombro, eu acredito. Se o Vata diz que não iria mentir ao próprio filho, com quem estava a sós, eu também acredito. Eu também tenho um filho e seria incapaz de lhe dizer que tinha marcado um golo com o braço, sobretudo se estivesse plenamente convencido que tinha sido com o ombro. Porque eu acho que próprio Vata acredita cegamente que o marcou com o ombro. Se ele acredita, é a verdade dele, é a verdade que pode contar ao filho. E ninguém tem nada que ver com isso. 24 anos depois.
O golo, com narração francesa:
O golo, com narração de Gabriel Alves:

quinta-feira, 20 de Março de 2014

Il mio cuore è blu e bianco

Não vamos, porque passámos aos quartos-de-final, dourar a pílula e esquecer que, hoje, sofremos muitíssimo em largos momentos do jogo, com jogadores em claro sub-rendimento, a mostrar incapacidade para fazerem parte do onze titular. Agora, é da mais elementar justiça render homenagem a Luís Castro, que fez o que tinha a fazer: pôr em campo Josué e Ghilas com 20/25 minutos para jogar, num tudo ou nada que era importante assumir. E atenção: aos 81 minutos, resistiu a meter um Herrera ou até um Mikel para povoar o meio-campo e recuar as linhas, e pôs em campo um avançado. Quase me apetecia dizer que, com Paulo Fonseca, teríamos tentado chegar aos penaltis, mas, se calhar estarei a ser demasiado injusto com o ex-treinador.
Não foi em Alvalade (pelas razões que se conhecem), foi em Nápoles: este jogo pode ter marcado uma viragem importante no resto de época que vem aí. Obrigado, Fabiano. Obrigado, Ghilas. Obrigado, Quaresma. Obrigado, Luís Castro.

domingo, 16 de Março de 2014

Guardião

Não vou falar da vitória da verdade desportiva leonina a que assistimos hoje em Alvalade. Não vou falar das declarações idiotas de Leonardo Jardim, Adrien & companhia. Não vou falar da tremideira que a nossa defesa revelou. Não vou falar da questão física que parece existir na equipa.
Vou falar do Helton. E será porventura injusto para ele que um texto destes surja numa altura em que se lesionou tão gravemente. Ele que já tanto fez pelo clube, que tanto defendeu as redes da nossa equipa, que é voz de comando, de revolta, de garra, de querer. Ele que também falha, como os outros. Um campeão que, hoje, teve o azar de se lesionar sem bola, naquele momento em que a bota se prendeu ao solo e não o deixou continuar. Naquele sítio onde a relva não nasce, como disse um dia um jornalista brasileiro. Acho que nunca tinha visto um olhar tão angustiado num nosso guarda-redes. Nem na pior das derrotas. Por isso estamos aqui para lhe mostrar todo o nosso apoio e desejar que a recuperação seja completa. Dure o que durar.

quinta-feira, 13 de Março de 2014

Luisão, number three, Luisão, one, two, three

Em 2009, Manuel Machado, então treinador do Nacional, disse que "um vintém é um vintém, e um cretino é um cretino", referindo-se ao gesto dos quatro dedos de Jorge Jesus (os coisinhos acabavam de marcar o quarto jogo na baliza madeirense).
Hoje, em Londres, o catedrático da chicla voltou a repetir o gesto, virando-se para Tim Sherwood com três dedos em riste, logo após o terceiro golo, marcado por Luisão. Um gesto execrável e saloio. Uma coisa que a mentalidade inglesa nunca vai entender porque o futebol é um jogo de gentlemen, onde a lealdade e o fair-play têm muita importância.
Por isso foi natural que o treinador do Tottenham se tenha travado de razões com Jesus, tendo havido pronta intervenção do quarto árbitro, que nem se deve ter apercebido do que sucedeu. E foi cómica a tentativa de Raul José, já preparado para evitar qualquer excesso do seu treinador principal, mas que foi autenticamente empurrado por Jesus, em mais uma cenazinha triste, na senda do que nos tem habituado.
A quem tudo isto não passou despercebido foi aos jornalistas ingleses, que apertaram com Jesus na conferência de imprensa, levando o treinador dos coisinhos a começar por explicar que em Portugal não estamos habituados a tanta proximidade entre os treinadores, e que quando ele, Jesus, invadiu o espaço de Sherwood, foi alertado para o facto por este, tendo Jesus feito a mesma coisa quando, alegadamente, o treinador dos da casa também fez o mesmo. Uma situação que não passou daquilo, segundo JJ.
Em Portugal, com a imprensa vermelhusca do costume, a coisa teria ficado por aqui, mas os ingleses têm essa péssima mania de não suportar a mentira. Então questionaram Jesus sobre o gesto dos três dedos, ao que a triste figura respondeu, dizendo que se estava a referir ao número três, da camisola de Luisão, que foi quem tinha marcado aquele golo. Azar dos azares: Luisão jogou com o número 4 na camisola. Não bastava mentir mal, ainda por cima tinha de ser humilhado em público.
Bem, os adeptos do clube do garrafão podem muito bem levar o nome de Portugal aos quatro cantinhos da Europa, mas a partir de hoje, em Inglaterra, a imagem do portuga ficou seriamente afetada por esta execrável, rústica e mentirosa figura. Prefiro, mil vezes, ter no banco do meu clube alguém que se engana no nome de um adversário do que uma figura deste calibre.

terça-feira, 4 de Março de 2014

Coisas que acontecem

Façamos de conta que não nos lembramos que António Figueiredo foi vice-presidente dos coisinhos. Façamos de conta, também, que não nos lembramos que António Figueiredo foi o presidente do Estoril que permitiu, juntamente com a cunha leal, aquele jogo no Estádio do Algarve. Olhemos, apenas, para António Figueiredo, o adepto vermelhusco, que, no ano passado, dizia isto, antes do Benfica-Estoril. Ora, ele é a prova provada de que o melão ainda não desinchou, a avaliar pelas suas declarações de ontem à RR. Para ouvirem, basta seguirem esta ligação e clicarem no botão do lado esquerdo com  legenda "António Figueiredo recorda Benfica-Estoril da época passada". Quem não tiver possibilidade ou não se quiser dar ao trabalho, aqui está a transcrição:
"No ano passado, os dois pontos que se perderam com o Estoril fizeram com que o Benfica não fosse às Antas festejar o título. Mas festejou durante quase o jogo todo. A sete segundos do fim é que as Antas se levantaram, porque até lá o silêncio era absoluto. Até sete segundos antes do jogo acabar, já com o prolongamento a decorrer, o silêncio era absoluto. Não se via azul, só se via gente branca. Mas, enfim, são coisas que acontecem, o futebol é isso mesmo."
A escolha das palavras e o tom de voz são elucidativos. Está lá tudo: ódio ao FCP e desprezo pelo mérito da nossa vitória. E a justificação através do cliché "são coisas que acontecem" serve para tudo. Tanto para a derrota naquele campeonato, como para um qualquer mergulho do Sulejmani ou para um golo irregular na Grécia. São "contingências do futebol", como ouvi o José Nunes, comentador da Antena 1, referir-se ao lance que deu a vitória sobre o PAOK.
No Restelo, a coisa foi tão escandalosamente evidente, que todos os órgãos de comunicação social, sem exceção, referiram o golo mal invalidado ao Belenenenses. Mas aquilo que certamente encheria uma página inteira, caso o beneficiado fosse o FC Porto, não passou de uma referência lateral em A Bola, que preferiu, como era expectável e obrigatório, destacar a obra-prima de Gaitán (fui só eu que achei aquele golo "normal", face à velocidade do jogador e ao adiantamento do GR?). Até a forma como se qualifica as exibições de trampa do "campeão anunciado" é indicadora de que "este ano tem mesmo que ser". Joaquim Rita, na Antena 1, dizia que o jogo mostrou "Um Benfica resultadista, que abdicou da nota artística".
Em relação à questão do Miguel Rosa, compreende-se o silêncio de parte a parte. É embaraçoso para o Belenenses admitir que preferiu salvaguardar os interesses do adversário em detrimento dos seus (a troco de quê, mais lá para a frente se saberá). Para os coisinhos, os verdadeiros paladinos da verdade desportiva, será certamente difícil explicar mais uma evidência deste "fazer as coisas por outro lado", ainda para mais quando a polémica já está para lá da esfera dos "jogadores emprestados". Acredito, porém, que qualquer dirigente vermelhusco veja nisto mais uma contingência do futebol, "coisas que acontecem" no campeonato português.

segunda-feira, 3 de Março de 2014

O inexplicável e o insustentável

Já levamos com esta conversa do "fim de ciclo" (em relação ao Presidente) há mais ou menos 20 anos. Uma coisa é certa: algum dia hão de acertar. Eu só peço que esta época termine de forma serena de forma a criarmos os alicerces para um regresso em força na próxima época. Quando falo em serenidade, apenas peço vitórias nos jogos que faltam (sei que é pedir muito) e, vá lá, uma vitória nos troféus que falta disputar. Se isso acontecer, e seguindo os critérios do treinador dos coisinhos, a época já será boa.
O jogo de ontem em Guimarães mostrou, pela primeira vez, o divórcio entre o treinador e os jogadores. Não é propriamente algo de surpreendente, a coisa já estava mais ou menos latente, mas até hoje o treinador tinha evitado responsabilizar os jogadores, dividindo culpas entre a falta de sorte, o excessivo azar e o "inexplicável" (curiosamente, este último argumento voltou na flash-interview, mas desapareceu, ao que percebi, na conferência de imprensa).
Estou de acordo com Paulo Fonseca quando diz que fizemos uns bons 40 minutos (o "excelente" talvez seja exagerado). Com um Ghilas eficaz, o Vitória teria reduzido para 1-4 e não 1-2 ao intervalo. Com esta referência ao argelino, não o quero criticar. Até acho que deve manter a titularidade em detrimento de um Jackson que está uma sombra do jogador que foi. Ontem, estava em nítida inferioridade física, mas a sua época tem sido medíocre se tomarmos como ponto de comparação a anterior.
Em relação à forma como consentimos os golos (e temos consentido a maior parte dos golos nesta época), creio que o treinador tem de se chegar à frente e assumir o falhanço da estratégia defensiva, o falhanço na motivação dos jogadores, do estado emocional da equipa, ou do raio que o parta.
Uma coisa é certa. Neste momento somos o bombo da festa do campeonato. É ler nas entrelinhas das manchetes dos jornais do costume, é ouvir os comentadores desportivos quer na rádio quer na TV e é ouvir, inclusivamente, os treinadores adversários, que nos perderam totalmente o respeito. Marco Silva, do Estoril, já o tinha feito para a Taça da Liga, agora foi a vez de Rui Vitória expressar a sua frustração por não nos terem ganho. Quando isto acontece, quer dizer que estamos à mercê de qualquer um.
Resta agora saber durante quanto tempo irá Pinto da Costa aguentar esta situação insustentável. Eu tenho para mim que o Presidente já começou a tratar da sucessão de Fonseca logo após a derrota com o Estoril e que nesta semana teremos novidades.